Conto: A Morte da Besta

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"Relatório um, dia 30/10

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"Relatório um, dia 30/10. Querido tio, o Reino da ilha de Mira é um país portuário comum. Com índice de criminalidade baixíssimo, quase inexistente, a cadeia está às moscas. As pessoas dormem com as janelas abertas e, enfim, tudo está em paz... Se não fosse o acontecimento estranho do palácio, o qual acarretou nesta minha primeira missão sozinha.

Cheguei no início da noite. Alertaram-me a não seguir viagem a essa hora rumo ao castelo, sem carro ou transporte. Entretanto, tiveram de mudar de ideia quando disse quem eu era.

Att.,

Amanda Frost.".

Amanda parou de escrever, continuaria seu relatório quando chegasse ao palácio. Já podia vê-lo sobre um monte íngreme logo a frente, as torres eram graciosas e convidativas, e até mesmo a floresta uivante que a cercava agora não uivava e nem dava medo, a lua estava cheia, e estava tão clara quanto o dia. Amanda parou e com seus olhos verdes petrificados olhou de esguio para a direita de onde uma sombra se jogou sobre ela. Era um lobo.

...

Por dentro o palácio era tão aconchegante quanto aparentava seu exterior. Tudo lembrava uma hospedaria gigantesca e suntuosa. A condessa de Ávila havia descido a escadaria principal que levava a seu boudoir, estava visivelmente inquieta, ela até pareceria desleixada por conta de seus cabelos desgrenhados se não fosse por suas vestimentas estarem perfeitamente cuidadas e alinhadas. A governanta assustou-se ao vê-la descendo as escadas tão rapidamente e disse:

− Minha senhora, eu a avisarei quando a Frost chegar aqui, não precisa se preocupar...

− Não, muito obrigada! Eu quero estar aqui quando ela chegar, cada segundo é precioso!

A porta começou a ser esmurrada. As duas ficaram mortificadas ao ouvirem tal violência, esperavam o pior:

− Meu Deus! A coisa está vindo para me pegar também!

− Fuja, minha senhora, fuja!

A porta se escancarou, uma figura grotesca bípede e de manto prateado ergueu-se, fazendo com que as duas se abraçassem ao pé da escada e implorassem por suas vidas.

− Calma, Vossa Alteza... Sou eu, Amanda Frost. − Amanda jogou o lobo que carregava nos ombros junto à soleira. – Esse lobo solitário não vai mais uivar na sua floresta... Ela já pode até trocar de nome.

As duas continuavam gritando, a jovem Frost encostou-se na parede de braços cruzados e esperou que a condessa abrisse os olhos:

− Oh! Você é a Frost que contratamos? − disse com a voz meio rouca.

− Sim...

A guarda real do palácio havia acabado de chegar apontando lanças em todas as direções do corpo de Amanda. A garota não esboçava qualquer reação, continuava apática com seu olhar verde petrificado:

A Morte da BestaWhere stories live. Discover now