Pumpkins

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Hoje, finalmente, seria o dia pelo qual eu esperava há tempos. Hoje, finalmente, eu me livraria desse reinado. 

Meu pai, o rei, se acha a pessoa mais importante que existe e se porta a todos como se devêssemos-lhe a terra e os céus. Capaz de uma casca de banana receber um melhor tratamento que nós. Além de obrigar o povo a viver em condições miseráveis, e tirar sarro disso. 

Ele faria qualquer coisa com qualquer um, apenas para receber o que desejar. 

Um verdadeiro terror. 

Mas hoje tudo mudaria para mim. Como a comemoração de Halloween seria de noite, eu poderia me disfarçar e fugir. 

Minha mãe odiou quando contei a ela o que farei, mas a decisão já está tomada e eu não voltarei atrás, mesmo que a consequência seja deixá-la para trás. Ela preferiu continuar a conviver com meu pai e aturar sua arrogância, então assim será.

Essa última noite eu mal dormi, pensando na minha futura liberdade. De manhã eu tomei um gole de café e só. Sim, minha ansiedade estava a mil. 

Felizmente não tive de encontrar meu pai, nem acabei vendo-o por acaso pelos corredores durante o dia.

Já para o fim da tarde, os convidados começaram a chegar e o castelo, aos poucos, foi se enchendo. Fantasias das mais variadas preenchiam os corredores, com diversas cores, uma mais criativa que a outra. 

O tempo parecia não passar, então decidi explorar a festa. Os doces e as comidas servidas estavam deliciosas. As luzes amarelas e, a maioria, piscando. As atrações estavam aterrorizantes. Com certeza, a melhor festa desse reino já preparada.

Dancei com algumas pessoas e cheguei a trocar palavras com outras, mas apenas uma me interessou. Um homem que usava uma fantasia simples e não possuía aquela beleza extraordinária mas que, por algum motivo, prendeu toda minha atenção. 

Mais tarde, quando decidi iniciar uma conversa, me contou que sua roupa, na verdade, era seu uniforme de piloto, que dera pra usar como fantasia. Tínhamos a mesma idade e gostos parecidos. Entretanto, alguma coisa sobre ele ainda me intrigava e por mais que tentasse, não consegui descobrir o que era. Pelo menos ele iria embora num horário bom para minha fuga, e uma ajuda não seria ruim.

Mas deveria me manter atento. Bom, foi o que tentei. 

Assim que saímos do castelo, não demoramos muito a chegar no local onde os cavalos descansavam. Montamos um e fomos embora. Eu nunca soube como controlar um, embora tivesse tido aulas de montaria quando mais novo, logo, ele quem estava no comando. 

A princípio, estávamos seguindo o caminho que eu dissera para seguirmos, mas as coisas não permaneceram assim. De repente o cavalo virou bruscamente e adentrou a floresta. Estava tudo escuro e cheio de pedras, era perceptível a dificuldade do animal em continuar no ritmo em que estava. Chamei o homem diversas vezes, balancei-o e tudo. Ele nem sequer olhou pra mim. Pensei em me jogar do cavalo e tentar sair correndo dali, porém acabei por fazer nada. 

Certa hora uma pequena horta, cheia de abóboras, foi surgindo no meu campo de visão. Logo após, uma pequena e velha casa. 

Finalmente o animal parou. 

Nessa hora eu já deveria ter corrido e nunca olhado para trás, mas eu permaneci ali. Nem me lembro direito o que aconteceu. Parecia que eu estava paralisado.

Ele disse que aquela casa era dele, e podíamos passar a noite ali para não pegarmos estrada no meio da madrugada. Deve ter falado mais coisas, mas eu não ouvi. A voz ecoava em minha mente, e nenhuma palavra era nítida o suficiente para que eu entendesse. Então começou minha tontura e, assim que entramos, ela só aumentou. 

PumpkinsWhere stories live. Discover now