As crianças sempre são lembradas por serem as mais capazes de trazerem a magia da criatividade para a vida.
Brincadeiras, contos, fantasias, desenhos, amigos imaginários e tantas outras coisas tornam seus dias mais únicos e divertidos do que o de qualquer adulto poderia ser.
Mas, para Jungkook, tudo isso era um pouco mais do que apenas o poder da imaginação infantil.
A primeira vez em que o garoto esteve em contato com algo mágico, era novo demais para sequer se lembrar, mas, pelo o que seus pais lhe diziam, o móbile de seu berço com flores que nunca murcham e fadinhas que às vezes vinham o ver era muito bonito — e muito real. E desde então, ele sempre esteve em contato com a magia.
A responsável por isso era sua avó, uma senhora animada e bastante excêntrica, que adorava mimar os netos de todas as formas possíveis. A idosa havia aprendido tudo o que sabia com sua mãe, que havia aprendido de sua avó, que havia aprendido de sua bisavó.
A magia era um negócio de família há séculos e as mulheres de todas as gerações a aprendiam no decorrer da vida — o que era um grande alívio para o pai do garoto, que via a mulher desfazer grande parte das coisas que a avó coruja fazia pelo querido netinho.
Um castelo encantado só para ele? É claro que ela faria.
Conhecer uma sereia? O mais rápido o possível.
Dançar com fadas? Ela podia arranjar isso para ele.
A grande sorte era que todos viviam na enorme casa de campo da família Jeon, afastados da cidade e dos olhares curiosos de vizinhos. Assim, eles podiam aproveitar todas as experiências mágicas sem correrem o risco de serem observados ou descobertos, enquanto a senhorinha mimava o neto com tudo o que podia.
E nada disso foi diferente em seu aniversário de sete anos.
O pequeno Jungkook estava fissurado havia meses e meses por uma só coisa: unicórnios.
As histórias de antes da hora de dormir, os desenhos, as pelúcias e tudo o que fosse possível era tematizado com o belo animal místico. Então, sua avó não pensou duas vezes antes de decidir seu presente de aniversário daquele ano.
Os pais do garoto quase surtaram ao ver o enorme unicórnio no meio da sala, mas não tiveram coragem de negar o presente quando o filho os abraçou animado e se aproximou tímido para fazer carinho em sua pelagem branquinha.
"É tão fofo! O pelo dele parece neve, vovó" disse ele após perder o medo e o abraçar com todo o carinho e cuidado que tinha. Mesmo que seu porte grande e seu chifre afiado pouco o fizessem parecer fofo, aos olhos de Jungkook ele era o unicórnio mais incrível e fofinho que já vira — até mesmo mais fofinho do que o de pelúcia com que dormia abraçado todas as noites —, e assim, o animal passou a ser chamado de Floquinho.
Conforme os anos foram passando, os laços entre o Jeon e o unicórnio só se estreitaram. Os dois rapidamente haviam se tornado grandes amigos. Passavam o dia todo juntos, saíam em aventuras que faziam sua mãe passar horas lhe dando broncas e sua avó rir alto, aprontavam escondidos, se metiam em enrascadas e aproveitavam de todas as formas possíveis.
Eram Jungkook e Floquinho, a dupla inseparável. Até que o mais novo Jeon se mudou para a cidade.
No começo, havia sido um grande sofrimento. O garoto queria viver uma vida agitada no centro, conhecendo pessoas, experimentando das novidades tecnológicas e se aventurando em um ambiente em que nunca havia estado, mas tudo parecia ser difícil demais.
Tudo era diferente. Informações demais, pessoas demais, opções demais. Por longas semanas ele se questionou se o melhor não seria voltar para casa, para o conforto de seus pais, da magia, de Floquinho.
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O unicórnio ou o Namorado
FantastikO unicórnio ou o namorado? Essa pergunta pode parecer divertida, engraçada ou absurda. Mas para Jungkook é real. Bem real. Desde seus sete anos, Floquinho - seu unicórnio de estimação - havia sido seu único e melhor amigo. Ele era o único em seu cor...
