Capítulo 1

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Era óbvio que eu estrava drogado. O mais engraçado foi a porra daquele policial que idiota não percebeu pois ele estava pior que eu. Suas púlpilas estavam tão dilatadas que nem dava para ver a cor da sua íris. E eu conhecia ele, não era a primeira vez que ia parar naquela delegacia por causa de drogas e brigas. Ainda bem que quando me pegavam eu já tinha usado tudo, então as brigas eram o real motivo.

- Então foi às 21:50 que ele estava lá dentro? - ele perguntou fungando o nariz, que escorria.

- Foi - respondi não dando muita atenção naquele gordo que está para defender as leis inflingindo-as.

Meu rosto tinha um roxo enorme. E meu nariz sangrava. E não foi só culpa do murro.

- E não faz a mínima idéia de quem foi, Quil? - ele olhava para mim mas parecia não estar aqui. Estava fritando.

- Sr. Kovalski, eu já lhe disse mais de sete vezes que não faço a mínima ideia de quem era, ele me beijou e quase que rolava um clima, mas parece que o namorado dele estava lá e veio me socar, então eu dei um soco no namorado, e ele veio arrebentar a minha cara. Eu nunca vi ele por aqui antes. Mas o namorado dele parecia ser familiar e bonito. Como ele era forte eu me fodi. Sabia que boates LGBT são legais, Sr. Kovalski? Deveria ir em algumas delas em algum momento.

Foi aí que ele ficou sério e parecia que a droga que ele havia usado tinha perdido efeito.

- Eu não me meto com bichas - ele cospiu na mesa.

Olhei para ele. Eu gostava dele. Parecia ser legal. Mas é aí que eu estava errado: pessoas homofóbicas não são nada legais de caráter. Ainda mais um policial drogado feito ele.

- E eu não me meto com quem inflige as leis - eu disse arqueando uma sobrancelha.

- Como é? Hipócrita! Haha, usa drogas, se mete em brigas e não se mete com quem inflige as leis? - ele dava mais gargalhada ainda.Ajeitei minha postura e falei:

- Eu disse que não me meto, e não que eu não faça. O problema é não se comportar como um defensor da lei com esses sacos de cocaína reserva aí nos bolsos, as pupilas dilatadas e não saber honrar seu distintivo - E então, cospi no chão também.

Quase tive um infarto com aquela pança grande se levantando da cadeira que rangia e seu braço inflado e gordo se levantando com os punhos cerrados: é, eu ia tomar uma surra.
Minha salvação foi o Dore abrindo a porta rapidamente, fazendo o Sr. Kovalski se sentar como se nada tivesse acontecido.

- Desculpa Kovalski, não sabia que estava aqui com... oi, Quil - Dore sorriu para mim, seu sorriso era gentil e amigo. Eu acenei para ele - Temos um casal gay aqui em uma briga horrorosa - ele disse.

- É, Sr. Kovalski - Eu disse rindo - Parece que que você só se mete com bichas, não é mesmo?

O rosto dele ficou vermelho de fúria.

- Dore, tire Quil da delegacia antes que eu cometa homofobia - ele disse, se levantando jogando a prancheta para eu assinar. Ele se abaixou para falar ao meu ouvido : - Da próxima vez, eu vou te deixar por 5 meses fazendo serviço público. Gosto de você, Quil. Mas você sempre foge dos limites.

Ele saiu e senti o odor repugnante dele. A partir de agora, ele não era mais tão legal. Talvez ele estivesse estressado demais comigo porque fazia 2 semanas seguidas que eu tinha parado na delegacia de Holls Stones por causa de briga e essa era a oitava vez. Meus pais me matariam. Se estivessem aqui.

- Vamos, Quil. Você já encheu demais o saco do Kovalski essas semanas. - disse Dore ao colocar a mão no meu ombro esquerdo.

Levantei o olhar, e merda, como ele era bonito. Era o mais novo da patrulha, e tivemos um breve romance no ensino médio. Mas ele estava mais bonito e mais robusto depois que saiu do exército. E teve seu romance louco lá, embora eu nunca tinha visto o tal rapaz, quando ele voltou, saímos ainda para ir ao riacho para conversarmos sobre suas aventuras loucas de como ser gay no exército. As vezes íamos ao litoral, para a praia. As vezes íamos em Seatle nas baladas. Ele arrumou esse emprego nessa merda de delegacia, que aliás eu pixei "YAG" bem grande atrás de uma das celas. A magia entre eu e Dore, foi apenas algo juvenil. Algo que eu estava jovem demais para lidar.
Aceitação não é nada fácil, mas se torna menos pior quando você mesmo se aceita.

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⏰ Dernière mise à jour : Oct 26, 2024 ⏰

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