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Eram cerca de dez horas da manhã, e uma cabeleira loira despertava na grande mansão. Espreguiçando e passando a mão em seus cabelos, ainda tinha dificuldade de manter os olhos abertos. A figura de Natsuo Namikaze, era magra e clara ao ponto de se assemelhar aos límpidos lençóis que agora o mesmo jogava ao chão.

Depois de alguns minutos se viu totalmente desperto e pronto para se inciar o dia. Tateou na comoda seu celular e logo após achá-lo enviou a matriarca uma mensagem, e tratou também de excluir as notificações de chamadas perdidas de Minato.

O'Que lhe restava era vestir seu roupão e espera-la. Por conta do silêncio matinal da casa pode-se ouvir passos deveras apressados no corredor, e duas leves batidas na porta.

- Entra! - Ditou o loiro.

A porta é aberta por uma senhora, em torno de seus 40 anos, Tsubasa era a matriarca da casa. Trajava um uniforme mais rebuscado que os demais, ainda sim tinha olheiras e mãos marcadas pelo trabalho duro, tinha um coque preso por um hashi, o'que reforçava sua descendência japonesa.

- Sim, jovem mestre!? - A senhora pergunta um tanto ríspida.

- Está atrasada Tsubasa, hoje você vai se livrar de mim. Eu quero que prepare um café da manhã bem raso, eu vou tomar um banho e sair para o centro da cidade, não se esqueça de preparar meu banho com aquele sal de sakura que eu gosto! - Palavras eram ditas e jogadas no ar pelo loiro cujo os olhos estavam presos no telefone, a matriarca já aguardando as palavras grosseiras do loiro apenas fecha os punhos e sai em direção ao banheiro de Natsuo.

A água pode ser ouvida enchendo a banheira e passos pesados da matriarca saindo do quarto despertam um sorriso do loiro, sua maior diversão no seu cárcere na mansão de Sasuke era com toda certeza tirar a paciência de todos. O fato de que seu ego se mantinha intacto pela sua posição naquela casa o fazia se sentir bem.

Ao parar na frente do espelho do banheiro se permitiu admirar sua face no espelho. Era um rapaz lindo, seus vibrantes olhos azuis chamam tanta atenção quanto seus cabelos loiros, em algumas horas espetado, outras mais comportado. Levando as mãos ao rosto tocou as três linhas, uma de cada lado do rosto. Segundo Minato, era uma marca marca de nascença que ele havia herdado, por parte de mãe. Mas Natsuo nunca gostou delas, detestava as linhas, por isso as cobria.

E depois de um banho relativamente rápido, Natsuo desceu as escadas de mármore com pressa e seguiu pela enorme sala de estar, seu caminho até a cozinha. Ao chegar a matriarca estava a espera dele, Natsuo já habituado a toda rotina sentou-se na grande mesa de mármore branco e começou a debulhar o cereal de granola e iogurte. Cerca de três minutos se passaram e ele largou a tigela presunçosamente sob a mesa e saiu, sem dizer uma palavra. A matriarca com um suspiro recolhe tudo e começa seu serviço de limpeza.

Já na entrada da grande mansão Natsuo olhava o céu enquanto esperava o seu motorista, naquele dia em específico havia acordado mais cedo que o habitual. Por isso se sentia cheio de energia pelo tempo fresco e o céu azul, o'que lhe parecia um clima perfeito para passar o dia fora e fazer algumas compras.

De dentro de um Honda Civic, sai um senhor já bem familiarizado com o loiro. Pelo que Natsuo lembrava, o motorista se chamava Marlon alguma coisa, e sua idade estava em torno da casa dos 50. Ele sempre acompanhava Natsuo de perto nos passeios mansão afora, o motivo era simples, Natsuo era alguém que nunca conseguiu ficar em casa em uma sexta a noite. E para prevenir fugas de três, até quatro dias precisava ser vigiado bem de perto.

- Jovem mestre... - Cumprimenta o senhor abrindo a porta do carro.

- Infelizmente Marlon, você vai ser babá hoje! Se prepare pra andar bastante. - Dita o loiro irônico enquanto se acomodava no banco de trás.

- Deixe comigo jovem mestre! - Ao contrário de Tsubasa, Marlon sempre respondia Natsuo com um sorriso amigável. Natsuo nunca descobriu se era profissionalismo ou pura inocência e gentileza...

Já habituado aos gostos do loiro, o sr. Marlon dirige quase que automaticamente rumo ao centro da cidade, um passeio de cerca dez minutos. Chegando no início da movimentada avenida principal, os olhos de Natsuo são capturados por uma cabeleira rosa entrando em uma cafeteria.

Levantando o olhar, Natsuo nota uma cafeteria, estilizada de uma maneira muito similar as famosas cafeterias coreanas no qual era apaixonado. Um ambiente colorido ao ponto, repleto de plantas em contraste com um letreiro em neon e uma coisa essencial o cardápio com bebidas e acompanhamentos típicos coreanos.

- Marlon, para aqui! Nesse café neon aqui, vou tomar meu café da manhã ali. - Ditou o loiro animado, no momento que Marlon parou o carro Natsuo desceu animado e tratou de colocar seus óculos escuros.

Ao adentrar o café se sentiu pisando em solo coreano outra vez, até o aroma e clima do café eram parecidos. Se juntou a pequena fila e enquanto contava a novidade aos seus amigos nem percebeu a fila encaminhar tão rápido, só notou que era sua vez quando ouviu uma voz estranhamente familiar chamar a sua atenção.

- Senhor... - Deu uma olhada rápida para o balcão notando a falta de pessoas e o atendente de cabeça baixa, mexendo na bancada. - Qual vai ser o seu pedido? - O atendente pergunta levantando seu olhar a Natsuo.

E no momento que Natsuo desliga o celular e retira os óculos da cara para enxergar melhor o cardápio, tanto ele , quanto o balconista congelam. Segundos se passam, os dois trocam olhares completamente surpresos e confusos. A cabeça de Natsuo havia simplesmente entrando em um branco, os dois só saíram do transe após um homem que esperando atrás dele para realizar um pedido cutucou o ombro dele e perguntou se estava tudo bem.

- Eu... estou bem. - Mesmo respondendo ao homem, ele não conseguia pensar em nada além do balconista a sua frente. Que antes de Natsuo conseguir interrogá-lo, diz:

- Você é igual a mim?? Nós precisamos conversar, isso não pode ser só mera...

Antes que ele pudesse terminar a frase um estrondo é ouvido atrás do balconista. Uma mulher, com seus cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo baixo, cuja a roupa social estava coberta por um avental com o nome da cafeteria havia derrubado uma bandeja. E agora com lágrimas sob os olhos assustados, olhava fixamente para mim.

- Tsunande bāchan, você ta bem?? - O balconista se vira preocupado ao notar a mais velha. Mas entre algumas lágrimas ela abre um sorriso misto de alegria e alívio, e diz:

- Natsuo!! Você... cresceu tanto...

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⏰ Last updated: Oct 16, 2024 ⏰

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