Capítulo I - Quem é você?

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Não adianta... — Sussurrou o estranho, entre soluços. — Eu... não tenho o que você quer. E mesmo que tivesse... — Ele engasgou. Lágrimas desciam desenfreadas por suas bochechas, misturando-se com o amargor do sangue em seus lábios. — Eu não o daria pra você. — Suas palavras, apesar de firmes, não obtinham o efeito desejado quando todo seu corpo empenhava-se em uma tentativa ilusória de se afastar. Uma gargalhada arrepiante ecoou pela sala e o estranho não teve qualquer outra alternativa além de se encolher.

No entanto, aqui está você... Tremendo tanto que nem se aguenta de pé. 

Vai... se fuder, porra. 

É uma pena, eu tinha tantos planos para você. Um sorriso maléfico e terrível dominou seu rosto e mais uma vez, o estranho frustrou-se ao tentar escapar, rasgando a carne fustigada de seus dedos nas rachaduras do solo. O mundo torceu-se em um borrão incompreensível e segundos, minutos e até mesmo horas, derreteram insignificantemente. Quando fez-se sentindo novamente, palavras mórbidas e cruéis açoitavam o vácuo, sem nada além do silêncio para compreender. O brilho de uma varinha, pálido e prateado iluminou o cômodo.

Não... não, isso não... por favor, não. NÃO!

...

  Um grito entalado rasgou o caminho através da garganta de Harry com uma presteza mordaz. Seus olhos se abriram de imediato e então piscaram, desenfreados. Cada golada de ar que entrava em seus pulmões fendiam-no com tanta brutalidade que sua visão, decididamente prejudicada, tornou-se turva.

  O escuro envoltava seu corpo como um manto. O frio fustigava cada pedaço de sua pele exposta e seus dedos, apesar de dormentes, tocavam em uma textura desconhecida: um chão de pedregulhos ásperos e úmidos que de modo algum poderiam fazer parte dos ladrilhos lisos e moledos da Torre da Grifinória, muito menos de qualquer parte de Hogwarts que se recordava.

  Seu corpo reagiu contagiado pelo desespero e forçando os joelhos a funcionarem, ele se levantou com apenas um pulo. No mesmo momento, cada fibra de seu corpo protestou, fustigados por uma força invisível. Harry apertou os olhos em direção ao horizonte e murmurou:

— Que... merda...? — Seus olhos desenrolaram-se pelo ambiente e uma onda de pânico percorreu suas entranhas. Um longo corredor estendia-se infinitamente a sua frente. A luz era pouca, quase nula e grande parte da sua perspectiva (em grande parte comprometida pelo escuro) tornava-se inapta pela falta de seus próprios óculos.

— Ron?! — Gritou, sua voz ricocheteou frivolamente pelas paredes e se distanciou, inaudível. Seja lá onde estivesse, era profundo:— Hermione?!

  O eco tragou sua voz e o silêncio apertou seu peito de volta para o mais absoluto pânico.

— Porra. PORRA! Alguém ai?! — Sua voz desapareceu novamente na escuridão e o silêncio, respondeu-o de volta. As batidas de seu coração aceleravam vertiginosamente, uma após a outra, cada vez mais velozes. Porém, tornaram-se ainda mais vorazes quando Harry, ao tatear os próprios bolsos, encontrou-os tão miseravelmente vazios quanto possível: Sem sua chance de escapatória, sua proteção e sua garantia - sua varinha.

  A constatação de sua própria vulnerabilidade o assustou muito mais do que qualquer outra coisa naquele lugar, e ele percebeu, tarde demais, que entregar sua localização gritando não iriam salva-lo.

  Harry engoliu em seco, postou as costas contra a parede e respirou fundo. Seus pensamentos, invólucros no desespero, atiçavam seu coração já desenfreado, como lenha em uma fogueira. Harry, porém, não podia se permitir ao luxo de se desesperar. Tinha que respirar e pensar. Ele batucava os próprios batimentos cardíacos na parede e ouvia-os atentamente desacelerando. Quando atingiram a velocidade apropriada, ele suspirou, decididamente mais calmo. Sua mente, turbulenta, aliviou-se por um momento e pouco a pouco, tornou a fazer sentido.

Wrath of PassionsWo Geschichten leben. Entdecke jetzt