Único

17 5 0
                                        

A vida não é regida por apenas um deus, mas sim por vários deles e dizem que o preço da felicidade custa caro, então o número de pessoas que são permitidas viverem ou serem felizes é muito raro, porém algumas tiram a sorte grande de poder desfruta...

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

A vida não é regida por apenas um deus, mas sim por vários deles e dizem que o preço da felicidade custa caro, então o número de pessoas que são permitidas viverem ou serem felizes é muito raro, porém algumas tiram a sorte grande de poder desfrutar um pouco dessa alegria antes que a morte venha visita-las.

Na concepção de Belmont, tudo não passava de um conto de fadas que tornava as coisas mais suportáveis e era bom pensar assim, não havia muito com o que se preocupar. Ele apenas vivia sua rotina árdua, fazendo os pequenos trabalhos que surgiam e lhe rendiam um pouco de dinheiro, o suficiente para manter o aluguel do pequeno apartamento em que morava e as despesas básicas.

O jovem de 25 anos teve uma infância dotada de más experiências e pressões familiares que o levaram a se retrair e ficar cada vez mais reservado, quando enfim seus pais tiveram uma discussão e o expulsaram de casa, ele nunca sentira dor tão forte quanto a de perder alguém que amara por 20 anos.

Na época ele tinha uma moto e juntando com as roupas, ele saiu de sua casa na flor da idade, não entendia nada e quando conseguiu encontrar um apartamento a preço baixo, buscou encontrar outras formas de levantar dinheiro. Uma delas era trabalhar de moto-táxi, afinal conhecia bem a cidade e poderia empregar sua moto sem ter que se desfazer do veículo que fora um presente paterno.

Aos poucos, a extrema dor que sentia pela perda e expulsão, cicatrizou e se tornou um vazio preenchido com mais e mais trabalho. O conto de fadas pregado para o jovem durante toda a sua infância, perdia mais e mais o sentido, pois nos últimos cinco anos, ele perdeu a noção do que significava sentir. Não havia mais dor pela rotina exaustiva e difícil, não havia mais felicidade por ter um emprego e conseguir viver de maneira estável, não havia nem perspectivas de um futuro.

Belmont seguia vivendo, mas por dentro, sua alma morrera há tempos.

No início de um novo dia, o clima ensolarado, mas fresco, iluminou o rosto do homem que montava em sua moto para atender ao pedido de um cliente. Era um dia considerado belo para muitos, todavia para si, o máximo era que era agradável. O endereço em que fora buscar a pessoa ficava em uma região movimentada próxima ao principal shopping da cidade. Ele estacionou e aguardou, logo avistando uma aparência andrógena mais à frente.

– Bom dia, foi aqui que solicitaram o serviço moto-táxi? – ele questionou lançando um olhar à pessoa.

Esta usava all star combinando com a calça jeans e o moletom, os cabelos escuros e cacheados contrastavam com o belo rosto de aparência simples e ao mesmo tempo estonteante. De alguma forma, Belmont sentiu-se muito curioso, afinal não era raro encontrar pessoas do vale LGBTQ+ pela cidade, contudo, era a primeira vez que iria servir de guia a uma.

– Foi sim – a pessoa abriu um sorriso tímido ao perceber os olhares alheios e tomou liberdade para encarar de volta enquanto alcançava o capacete.

O jovem na moto estava com uma bota preta própria para pilotar motos, uma calça jeans escura e uma jaqueta sobre a camisa social clara. Mesmo com o capacete, pôde notar os tons azuis acinzentados em sua direção e uma franja do cabelo escapava para o rosto.

Pela última vezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora