Eu lembro que um vez me apaixonei por uma moça; linda. Olhos castanhos; cabelos longos e belos. Realmente apaixonante. Um nome tão vivido; que todas as vezes que escrevia nas linhas do meu caderno; parecia que ela estava ao meu lado. CLARICE; o nome de uma escritora que eu adoro e também da moça que me encantava os olhos. Porém; tímido; nada bonito e simples. Jamais ela olharia pra mim. Eu sempre reparava no jeito como ela passava a mão nos cabelos; como sorria de canto e era polida até no gosto musical. Ela amava Beatles. Isso mesmo. Beatles. Porém. Não sei bem o porquê; ela começou a estar sozinha o tempo todo. Chorava muito em todas as aulas. E era tão comum a ver com um olhar cansado. Eu realmente nao entendi o que havia acontecido. Então decidi me aproximar. Afinal poderia ser da minha cabeça. Afinal; eu nao tinha experiência com garotas e suas fases necessárias.
Decidi levar um violão; bem garoto anos 2000. E me aproximei dela. Olhei bem fundo em seus olhos. Porém ela jogou o seu olhar no chão. Aquilo realmente deveria acontecer? Não me inibi em nenhum momento e aí com toda a força que eu poderia alcançar soltei um "Close your eyes". Notando após o sussurro da moça encaminhado por um sorrisinho leve. Eu entrei errado na canção. Ela me convidou a sentar próximo a ela. Fiquei atônito; contente por ter dado efeito todo o esforço de ter levado o violão e ter tropeçado duas vezes no rapaz no ônibus. Valeu a pena.
Foi então que ganhei seu oi. Eu nunca pensei que diria isso. Mas ganhei um oi que me encheu de borboletas no estômago. Realmente fiquei feliz; e após o oi inicial, começamos a falar sobre Beatles.
Eu tentando lembrar de tudo que eu sabia dos Beatles para impressiona-la; a primeira impressão é importante. Mas calma. Primeira impressão? Foi quando me dei conta que havia algo diferente em Clarisse. Ela era outra pessoa. Fiquei reparando que os cabelos e os olhos tinham se tornado em cores que não estavam ali. Eu realmente acreditei que estava vendo aquela moça pela primeira vez. Foi quando abri os olhos e estava na minha cama. Suando frio. Muito frio. Eu nao entendi o que aconteceu ali. Eu estava na minha escola tocando violão. Ou tentando impressionar por ter um violão. E agora, estava na minha cama.
Olhei o relógio. Eram 5 horas da manhã. Pensei. Impossível!
Mas realmente estava de manhã. Eu olhei pra parede. E decidi tomar um banho. E comecei a reparar que já tinha feito esse trajeto naquilo que chamei de sonho. Peguei a mesma camisa. E o violão estava no preciso lugar que eu deixara. A escrivaninha do mesmo jeito. Até a televisão eu liguei exatamente no mesmo horário. Olhei o dia. O mesmo pássaro na árvore.
E até os dizeres de notícias embaixo ao noticiário eram iguais. Me veio uma sensação estranha. Deve ser dejavu . Sim. Só poderia ser um dejavu.
Continuei determinado
Determinado
Determinado
Determinado
Era hoje que eu conversaria com a Clarisse. E tentaria animar. Tentar nao é mais uma opção. Que irei animar a Clarisse.
Levantei os olhos.
E pensei; que se por uma pequena circunstância do destino. O sorriso dela pudesse mudar o meu dia. Fazê-la sorrir seria um favor que eu faria a mim mesmo.
Decidi entrar no modo Rockstar e peguei meu violão e fui. Peguei o mesmo ônibus e esbarrei no mesmo rapaz. Que dejavu constante. Eu realmente comecei a acreditar piamente que eu já tinha vivido esse dia. Mas logo pensei. Eu já vi esse filme. Coisas maquiadas pela mente causam estragos. E estava vivendo meu romance. Meu romance que me fazia acreditar que todos os dias eram dias de ser um Rockstar por Clarisse.
Logo que estava próximo a chegar na escola vi uma ponte que chamávamos de Poar. Nome singelo que demos em homenagem ao Senhor do Pomar. Havia uma lenda que dizia que aquele que se aproximasse da ponte Poar e rogasse por algo oposto ao que vivia. Se realizava. Mas quanta baboseira! Até agora nada de eu fica milionário. Que trivial acredita em contos que envolvem pontes. Pontes e mais pontes. Desejos são legais para colocar em livros legais para serem vendidos para pessoas legais. Mas na prática não acontecem. Ou realmente acreditava naquilo.
Fiz todo o processo que havia sonhado. E quando me dei conta eu já estava conversando com Clarisse de novo.
Tudo exatamente igual. Mas agora com uma coisa diferente. Eu nao acordava do nada na minha cama. Eu estava lá. Rindo com ela. Me divertindo com ela.
Depois de conversarmos bastante me senti estranho e acabei adormecendo. Acordei na Ponte Poar. Estendido. Sem entender o que aconteceu. Era uma magnetismo que me lia. Lia e quando me dei conta eu havia ido para um lugar completamente diferente. Eu estava vendo o processo do mesmo dia. Todos os dias. Por aquela bolha. E eu via o meu eu de longe. E pensei. O que está acontecendo? O que aconteceu? Foi quando ouvi um sussurro. Era Clarisse. Ela estava presa na mesma ponte que eu. A Clarisse que eu vi naquele dia não era a Clarisse dos meus sonhos. Era uma outra Clarisse ?
Eu realmente estava atônito. Ela também. Não sabíamos aonde estávamos. Apenas que estávamos ali.
Ali.
Presos.
Com cópias de nós.
Revivendo nossos dias.
Todos os dias.
E nos dando memórias cheias de consequências.
Porque estávamos presos na Ponte. Porém sentíamos tudo que nossas cópias sentiam. E como sei disso? Alguem atrás de nós nos contou.
A maldição da ponte Poar.
Ou o acaso da ponte Poar.
E o romance agora estava invadido com as paranoias que viriam a seguir.
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O Romance e Paranoia - Completo
Ciencia FicciónUm jovem rapaz, que se apaixona por si mesmo em momentos cruciais de uma despedida. uma moça que se sente insuficiente pra si. E decidi dar um fim à tudo. ambos; se encontram na Ponte Poar. aonde tudo irá mudar. inclusive eles mesmos GATILHO!
