O dia de eu dar adeus temporariamente para a minha vida no Brasil tinha chego. Eu estava terminando de arrumar as malas e dando uma última olhada para o meu quarto antes de ir para o aeroporto, eu ia sentir falta de chegar todo dia da escola e fazer as mesmas coisas, comer, dormir e estudar um pouco, às vezes sair.... Com certeza iria sentir falta dos meus amigos também, afinal, eu ia ter que começar do zero.
- Mari, vamos! - minha mãe gritou. - não podemos nos atrasar.
- Estou indo!
Desci as escadas correndo antes que minha mãe fosse até o meu quarto me procurar. Ela iria viajar comigo e ficaria apenas dois dias, queria conhecer melhor minha host Family e ter certeza que eu estaria em boas mãos.
Mãe sendo mãe.
No caminho até o aeroporto passou um mini filme na minha cabeça, era um pouco assustadora a ideia de ir pra um lugar e não conhecer tão bem nem as pessoas que vão conviver comigo o tempo todo.
Era bem aterrorizante, na verdade.
Estávamos prestes a entrar no avião quando pensei comigo mesma se realmente ainda queria aquilo, minha mãe não poderia sonhar que eu estava hesitando, porque passei três anos enchendo a paciência dela para fazer um intercâmbio e depois de muita insistência ela deixou.
A viagem foi bem tranquila, conversamos bastante no caminho e tive a impressão de que não chegaríamos nunca! Até que finalmente o piloto avisou que estávamos nos aproximando de Seattle.
Não tinha como não notar o frio absurdo que estava fazendo e nos simplesmente esquecemos as roupas de frio, fora que não acreditamos muito que poderia estar fazendo a temperatura que estava.
- Nós precisamos comprar outras roupas, mãe. - falei tentando me aquecer apenas com o moletom que usei na viagem - Nós vamos congelar.
Antes de irmos comprar mais roupas, nós fomos primeiro para o hotel no qual ela ficaria hospedada esses dias, depois que nos aquecemos e trocamos de roupa, fomos até um shopping.
Ela me fez comprar várias roupas para garantir que eu não ficaria doente por conta de todo esse frio e essa chuva. Entre os corredores da loja de departamento, sem me atentar ao principal, prestar atenção e olhar pra frente, acabei esbarrando em um rapaz.
Ele era consideravelmente alto, tanto que precisei levantar um pouco meu rosto para olhar pra ele.
— Nossa, sinto muito! — me desculpei, ficando absurdamente sem graça.
Não sei se fiquei sem graça pelo que aconteceu ou por ele ser absurdamente gato.
— É....claro, tá tudo bem. — ele passou a mão na parte de trás da cabeça. — Foi culpa minha também.
Dei um meio sorriso pra ele antes de desviar e ir ao encontro da minha mãe. Acabei olhando novamente pra trás e percebi que ele estava olhando na minha direção. Preferi fingir que não vi e continuar andando.
Depois que já estava tudo sob controle, fomos até a casa da minha host Family.
Quando chegamos lá pude ver que a casa era realmente muito bonita, minha mãe falou que não se parecia muito com as fotos, e eu não sabia se achava aquilo bom ou ruim. O Uber parou em frente a casa e caminhamos até a porta, minha mãe tocou a campainha e em segundos a porta abriu, e do outro lado apareceu uma mulher super simpática.
- Você deve ser a Marianna. - Ela disse, sorrindo. - Eu sou a Amélia.
- Oi. - falei acenando com a mão e retribuindo o sorriso. - Muito prazer. Como sabia que viríamos agora?
— Sua mãe me avisou. Fora que o programa liga avisando também.
Minha mãe e a Amélia conversaram um pouco antes de finalmente entrarmos. Ela nos levou até a sala para nós sentarmos e conversarmos melhor, Amélia nos disse que tinha dois filhos, um casal. Achei bom ela ter falado aquilo, pelo menos eu teria companhia e provavelmente eram da minha idade.
- Quantos anos eles tem? - minha mãe perguntou, quase que lendo minha mente.
- A Emma tem 16 e o James 20. Vocês vão se dar bem, tenho quase certeza. — ela sorriu.
Eu estava contando com aquilo, até porque iria morar com eles.
Nós precisávamos que nos dar bem.
Ela também disse que eram apenas eles três naquela casa enorme e ter mais uma pessoa ali faria bem. Minha mãe não demorou para contar nossa trágica história, eu odiava ouvir a parte de que quando ela engravidou meu pai desapareceu, deixou nós duas sozinhas.
Sempre que eu precisava ouvir esse história, meu estômago embrulhava, genuinamente torcia para que eu nunca encontre esse homem, ou ele me encontre.
Era quase a hora do almoço quando ela perguntou se nós não queríamos ficar pro almoçar e aproveitar para conhecer "as crianças", na mesma hora minha mãe me olhou e eu meio que implorei para ela aceitar.
Eu não queria ficar sozinha.
Estávamos indo para a cozinha quando sua filha, Emma, entrou na casa rapidamente. Ela se parecia demais com a sua mãe, cabelos escuros e olhos claros, pareciam ser verdes....não sei. Amélia nós apresentou para ela, ainda bem que ela realmente era simpática e parecia ter gostado de mim.
- Filha, cadê o seu irmão?
- Ele teve que ir na faculdade resolver alguma coisa relacionada a um trabalho, sei lá. Então provavelmente não vai voltar cedo. - ela explicou.
James estava na faculdade, e se realmente fosse do jeito que eu via nos filmes, eu teria pouquíssimo contato com ele.
Bom, meu parâmetro pra onde eu tô são os filmes. Agora, se eles condizem com a realidade, é outra história.
Depois do almoço Amélia me levou até o quarto que eu ficaria, com todo o entusiasmo dela eu tive a leve impressão de que nós iriamos nos dar muito bem, ela era um amor de pessoa e não fazia questão de esconder que eu era bem-vinda ali.
O quarto era realmente espaçoso e tinha um banheiro privado enorme, as cores rosê e uma semelhante a neve predominavam no quarto, eu definitivamente tinha adorado.
Amélia me deixou sozinha para descer e organizar algumas coisas antes de sair pra fazer o mercado, até que me convidou para ir, mas na mesma hora deduziu que eu pudesse estar cansada. E de fato eu estava.
Passei a tarde desfazendo minhas malas e acabei dormindo em cima de todas aquelas roupas, e só acordei quando senti meu corpo um pouco dolorido, foi quando eu decidi me forçar a levantar e tomar um banho pra trocar de roupa.
Quando saí do banho, olhei no relógio e vi que eram quase meia noite, pensei que não tinha como eu ter dormido tanto assim, mas uma coisa era certa, eu estava morrendo de sede.
Fiquei completamente envergonhada de sair do quarto pra pegar uma simples água, eu estava na casa de pessoas estranhas e tão pouco sabia seus costumes, mas eu não podia morrer desidratada. Desci as escadas bem devagar e caminhei até a cozinha, abri a geladeira e peguei a garrafa de água, coloquei um pouco em um copo e guardei novamente.
Estava voltando para o quarto quando esbarrei em alguém e toda a água extremamente gelada caiu em mim.
Puta merda!
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Meu último ano - REESCREVENDO
Teen Fiction© 2020 +16⚠️| Marianna é uma menina de 17 anos que se acha detentora de todo o conhecimento do mundo e que é capaz de cuidar de si mesma. Após anos querendo fazer intercâmbio, no seu último ano ela conseguiu. 1 ano nos Estados Unidos, várias coisas...
