Andando por algumas ruas, observando o céu repleto de maravilhosas pinceladas brilhosas, apenas esvaziando a mente do dia frustrante. Não esperava esbarrar na pessoa mais incrível já conhecida por mim, que competia com as estrelas tão adoradas por mim, e até mesmo com a lua iluminada.
*.°•*.★
Minha vontade era de correr, deixar tudo para trás e desistir. Me sentia incapaz e entristecido. Tudo era tão frustrante, mas nem ao menos eu sabia o motivo, apenas estava depressivo, e no mesmo momento em que me perguntava do porquê de tudo ser tão cruel, me perguntava: por que tenho que complicar o complicado?
Um mínimo acontecimento, já fazia com que tudo se tornasse um tsunami dentro desse meu pequeno cérebro, ou comumente dito, uma tempestade em copo d'água, como se fosse alguém poderoso e sentisse além do normal.
A questão era: ser poderoso, geralmente, era algo "legalzinho, bacaninha", porém, a sensação era de apenas... Tristeza profunda. Daí vem o se sentir incapaz. Eu me sentia fraco e com a obrigação de terminar com isso logo. Afinal, se não era mais útil neste mundo, porque continuaria com a sensação de apenas existir?
Foi então, em mais um dia confuso, que decidi enfim sair de casa para espairecer. Para alguma festa iluminada por luzes artificiais e consumida pelas bebidas?
Aquele claramente não era o lugar que me faria bem, eu queria espairecer, mas ainda refletir, ainda pensar. As luzes naturais originadas do céu, eram muito convidativas àquela hora da noite.
Sem pensar, apenas visto uma blusa, a primeira que vi, para complementar a fina do pijama, e saio, indo ao encontro das estrelas.
Conforme andava pelas ruas, sentia que estava sozinho, não sozinho nas mesmas, que eu de fato estava, mas sim no mundo. Estava tão absorto em meus tsunamis, que agora o céu era apenas um detalhe, paradisíaco, mas ainda um detalhe, como se estivesse apreciando uma tela em um museu.
Olho rapidamente em meu relógio de pulso, sim, não havia levado o celular e se por um acaso fosse sequestrado, estaria totalmente, completamente, morto.
Mas voltando ao horário, foi exatamente quando olhei dez horas e trinta e seis minutos, que o inesperado aconteceu.
Um terceiro poderia ver dois corpos se chocando e somente.
Mas foi como algo eletrizante, talvez pela adrenalina. Ou coisa do destino. Juro que pude sentir.
Para a minha sorte, não era um criminoso, era apenas um rapaz de cabelos levemente longos e castanhos, provavelmente de idade próxima a minha, e que resolveu andar pelas escuras ruas sem um motivo em especial, e talvez também não esperasse encontrar alguém divagando pela estrada nada movimentada.
Pela primeira vez naquela quarta-feira, sentia vontade de conversar, contar tudo, tudo o que me aflingia, e aquele era o momento perfeito para apenas jogar tudo e compartilhar minha dor pelo nada.
Passados alguns estáticos segundos, peço desculpas pelo ocorrido, e como mágica, talvez por estarmos ambos nos sentindo solitários, ele somente começa comentando sobre o céu.
Como esperado, ele provavelmente era mais alguém que estava apreciando a tela de constelações enquanto caminhava.
Fiquei empolgado, maravilhado, e até mesmo meus olhos brilhavam novamente ao olhar aquele homem sob a luz natural.
Ouvia atentamente suas teorias sobre a existência humana, assim como ele ouvia minhas frustrações, mas elas passavam a cada palavra dita, e então ia ficando leve novamente, ao menos por enquanto.
Ele me fazia bem, passei a adorar nossas conversas e nossos encontros as quartas, 10:36.
A cada semana tinha algo de novo para compartilhar, e ele me ajudava com a sua presença e palavras bem escolhidas, seguidas de um sorriso radiante.
Ele era como o Sol dando as caras a noite, sempre a noite.
Passávamos até mesmo das uma da manhã apenas curtindo a presença um do outro e se esvaziando.
Todos os dias eram monótonos, mas quarta... Era um dia especial, o nosso dia.
Até, então, viciar no sol radiante da escura noite. Sim, cair de amores por Yuta. O meu Sol.
Éramos sempre nós dois, como se estivéssemos em um museu depois de já fechado.
E dessa vez a vida resolveu ser bondosa. Estávamos ambos apaixonados e não aguentávamos nos ver apenas nesses dias específicos. A nossa junção passou a ser necessária.
E até então, digo com convicção que esse foi o acontecimento mais especial e inesperado de todos.
Eu, Kim Dong-Young, digo que:
“Você foi, e é, o mais essencial, o mais importante, o mais especial, como o sol, mas talvez como a lua.”
No fundo, eu sei que ele é mais que os dois juntos, mais que todos os outros e outras, porque ele marcou o começo do meu recomeço.
