Talvez seja só eu

3 0 0
                                        


Já teve aquela sensação? Aquele medo irracional de algo que possa acontecer, e nos afetar. Qual o problema da mente? Porque ela sempre nos faz agir como se estivéssemos sobre ameaça?Seria essa a nossa parte mais evoluída? Aquela que compreende que o universo esta em constante mudança, e que ele não se importa em como isso afeta nós, meros humanos. Ou a nossa antiga mente primitiva, que se nega a nos abandonar, a necessidade de sobreviver. 

Hoje é um dia comum nas ruas de Vancouver, frio e ensolarado. O calor da fumaça do cigarro aquece meus pulmões. Eu não fumo muito, só em ocasiões especiais. E hoje, é meu primeiro dia na academia de música e bom, é um dia mais que especial. 

A academia é perto do meu recém alugado apartamento, me permitindo apreciar o frio conflituoso de toda manha. O barulho do impacto do meu coturno com o piso de madeira da entrada da escola faz com que as pessoas percebam minha presença. Vou até uma enorme bancada de mármore e me inclino para chamar a atenção de uma mulher distraída demais com as pontas dos dedos.

- Bom dia, eu to meio perdida... Eu sou uma nova aluna. - sorri. Ela ri educadamente, e ajeita seus óculos quadrados no rosto. 

- Bom dia, esse aqui é o mapa de salas e palcos. Irá ajudar você a se orientar melhor pelas salas, mas hoje será somente a apresentação e orquestra de boas vindas. As aulas começam mesmo só amanha. A apresentação vai começar daqui 30 minutos, eu aconselho que se apresse logo para conseguir um bom lugar e depois esta livre para passear pelas salas e conhecer seus professores. A orquestra será logo após a apresentação e vai durar 60 minutos. Você pode falar com seus veteranos logo em seguida, eles são bem gentis, a maioria é. - ela revira os olhos. Ela é educada e gentil, talvez possamos ser amigas.

- Muito obrigada, eu sou Laurel e você? - Estendo a mão para cumprimenta-la e ela responde rapidamente.

- Sou Anna, a gente pode conversar mais outro dia, mas agora se apresse! Desça essas escadas e vai dar a uma enorme porta, não tem como errar. - Ela se inclina e aponta até umas escadas a esquerda. Aceno com a cabeça e corro em direção. 

Ela estava certa, é uma porta enorme de madeira escura. A porta está aberta e consigo ouvir vozes, entro e me encontro com um enorme palco, e cadeiras escuras devidamente enfileiradas. Já está parcialmente cheio e passeio pelos acentos procurando o melhor lugar. Por sorte, encontro um lugar vazio próximo do palco e corro para sentar, pisando sem querer no pé do cara ao lado.

- Ai! - ele diz, levando suas mãos até seu mocassim. Seu cabelo é bem arrumado com gel, e tem um tom caramelho. Sua pele é pálida e ele parece ser um homem de 30 anos.

- Me perdoe! Desculpa mesmo! - Me agacho e sem perceber estou acariciando seu pé como se ele fosse uma criança! Me afasto e sento na cadeira envergonhada. Ele ri baixo, sua risada é doce.

- Sem problemas! Eu também sou desajeitado. - ele leva sua mão até a boca abafando o riso. Me pego rindo também, sem perceber que ele estava me chamando de desajeitada.

-Ei! Não sou desajeitada! - digo forçando uma cara de brava. Eu me sentia como se estivesse falando com alguém da minha idade.

- Certo então, vou confiar na sua palavra! - Ele revira os olhos divertidamente. - me chamo Michael, mas todos me chamam de Mayer. Meu sobrenome. 

- Ah sim, me chamo Laurel. Prazer, Mayer. - Estendo a mão e ele responde surpreso.

- Eu sou professor daqui, e maestro. Que instrumento você toca? - ele riu da minha cara de surpresa. Eu tive a sorte de sentar do lado de um maestro! Tanta coisa que quero perguntar.

- Oboé! E um pouco de piano... - sorrio. Ele parece pensar em algo.

- Por acaso você é francesa? - ele pergunta. Ele provavelmente percebeu por causa do meu sotaque.

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Aug 15, 2020 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

Amar e ser AmadaWhere stories live. Discover now