babysitter I

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Eu estava atrasada. ATRASADA! 

Saltei da cama quando vi que o relógio digital marcava sete e vinte e cinco. Deveria estar na pousada às sete e meia, e eu ainda estava com as calças do pijama.

Corri pelo loft de 7 metros por 5, engolindo o enxaguante bucal e trocando o pijama pela camisa social e a calça anos 80, que era o uniforme da pousada em que trabalhava.

Coloquei café em uma garrafa térmica e me apressei a pegar minha bolsa, saindo o mais rápido possível de casa.

Olhei o relógio no meu pulso enquanto esperava o elevador, sete e trinta e dois. Meu recorde.

Assim que o elevador chegou, apertei o botão do térreo e abri a garrafa térmica. O café estava forte, muito forte. Mas era a única coisa que eu consegui trazer, e era isso que eu "comeria" até a hora do almoço.

Apressei o passo em direção a pousada, que ficava a algumas quadras de casa. Sete e quarenta, e eu avistei a placa do local a cinco quadras de distância.

Corri, corri muito, e quando cheguei já eram sete e quarenta e sete. Quinze minutos de atraso não eram nada certo? Eu poderia ficar quinze minutos a mais no fim do expediente, ou sem horário de almoço.

—Oi! —beijei a bochecha de minha melhor amiga e colega de trabalho. Ela me olhou com uma cara triste —o que foi?

—Michael foi mandado embora, e Rose queria falar com você quando chegou hoje.

Dei um tapa em minha testa, eu estava despedida. DESPEDIDA. Com o aluguel atrasado e sem emprego. Deus!

Coloquei a minha bolsa atrás do balcão da recepção, e segui até a porta branca atrás dele.

Bati duas vezes, até escutar "Entra", vindo de minha chefe.

—A bocuda da Rachel já te contou né? —a senhora de quase sessenta anos disse. —olhe Camille, eu te vejo quase como uma filha. Mas estamos fazendo alguns cortes, porque eu recebi uma ótima proposta.

Eu assenti com a cabeça. Me sentei na poltrona azul e ela em uma igual ao meu lado. Ela pegou minha mão direita, e eu já estava com os olhos marejados.

—Eu vou vender a pousada! —minha boca se abriu em um perfeito "O", aquela pousada era a vida dela —eu consegui dinheiro o suficiente para pagar a todos vocês e me mudar para Manchester. Aqui está um adiantamento e os seis meses de garantia. Me desculpa.

—Não, Rose. Eu entendo o quanto voltar para a sua cidade é importante para você, espero que o dono trate essa pousada como um filho assim como você.

—Ele vai transformá la em um hotel. Na verdade ele tem uma rede de hotéis, ele comprou a pousada e algumas das lojas aqui por perto. —levantei as sobrancelhas surpresa, ela me deu um último abraço —espero que conquiste tudo o que você quiser! 

Agradeci e ela fechou a porta. Rachel me esperava lá, com olhos ansiosos. Mostrei a embalagem de papel que tinha algumas libras dentro e coloquei dentro da bolsa.

Me sentei na cadeira e bufei, colocando as mãos sobre o rosto.

—O que eu vou fazer da minha vida! 

—Amiga, você é advogada, porque não arriscar nessa área?

—Eu fiz direito porque não passei em medicina. Não é como se eu amasse defender assassinos.

—Não é só assassinos. Tem as mulheres lutando contra os agressores, pais lutando pela guarda dos filhos, essas coisas. 

Rachel se sentou em uma cadeira perto de mim, prendendo o cabelo castanho na altura dos ombros em um rabo.

babysitterWhere stories live. Discover now