PRÓLOGO

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CROMWELL MAGAZINE
Intimidades

Especial dia dos namorados por Alice Cromwell

2018


Apesar da correria que enfrento todos os dias, você deve pensar que a minha vida é perfeita ou pelo menos perto disso. 

Vamos para o que já sabe a meu respeito: Alice Cromwell, vinte e sete anos, reside em um apartamento de três quartos em Manhattan, viajou para vinte e dois países, fluente em quatro idiomas e diretora da própria revista de moda, a Cromwell Magazine.

"Bem sucedida é apelido."

E mesmo com esse currículo exemplar - eu nem falei ainda sobre meu estágio na Vogue ou meu intercâmbio na França - o questionamento que muitos de vocês devem se fazer e que eu já vi rondando a meu respeito em algumas colunas sociais é: como essa mulher tem tempo para relacionamentos? Em todo esse tempo, com todas essas viagens, todos esses compromissos e correria que demanda uma vida tão agitada de empreendedora, como consegue conciliar os negócios com os assuntos do coração? Ela sequer tem um coração?

Durante muito tempo, até mesmo as pessoas mais próximas a mim disseram que esse assunto era um caso perdido. É claro que verbalizei aos quatro cantos para quem quisesse - ou não - escutar a respeito dos infortúnios da vida amorosa, que eu nunca mais iria amar alguém de novo na vida. Sim, já amei. E sim, quantas vezes você lembra de já ter escutado essa mesma frase antes em vozes diferentes? Pois é. Acho que ao longo da vida todos nós tivemos aquele amor que nos deixa assim... Desiludidos e desesperançosos. Aquele frenesi intenso e avassalador que é capaz de despertar até mesmo os sentimentos que nem conhecíamos.

Neste dia tão especial, farei uma exceção. Entre desfiles, lançamentos e últimas novidades da alta costura, irei fazer o que quase nunca faço publicamente.

Irei abrir o meu coração.

Deixe-me lhes contar uma história. Uma história sórdida e tão cheia de idas e vindas que somente os habitantes de Ogallala conhecem - e não aguentam mais ouvir falar sobre. Deixe-me lhes contar sobre aquele bar sujo e maltrapilho e do inesquecível verão de 2010. Deixe-me lhes falar sobre o improvável e ao mesmo tempo tão certo romance entre uma garota nova iorquina cheia de sonhos e ambições e o jovem barman de Nebraska.

Vamos deixar os editoriais de moda e as tendências da alta costura de lado por alguns instantes e vamos mergulhar na bonita e triste história da menina irreverente e arredia que costumava se derreter ao ser chamada de bonequinha pelo caipira que passava horas coberto de suor e feno revezando seu trabalho da fazenda para o bar.

Essa história tem cheiro de cigarro, gosto de uísque, som de motores de carros antigos e motocicletas de uma gangue local. Ela é regada a rock clássico com uma pitada de humor. Talvez lágrimas, algumas minhas, muitas dele.

Venha comigo, deixe-me lhes falar sobre o meu garoto descolado de Nebraska e mostrar um lado meu que poucas pessoas conhecem.

NEBRASKAWhere stories live. Discover now