capítulo 1- um amor nasce?

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O orvalho da manhã ainda cobria a grama do lado de fora do Chapéu de Javali quando King se encolheu contra a madeira fria da parede externa. Fazia meses desde que o seu mundo desabara — desde o dia em que flagrara Diane e Elizabeth —, mas a ferida em seu peito parecia sangrar com a mesma intensidade de antes. O choro silencioso, contudo, foi interrompido pelo som suave de passos pesados na grama.

Num sobressalto, King usou a manga do casaco para enxugar as lágrimas, tentando respirar fundo quando Meliodas surgiu. O capitão vestia apenas uma calça folgada de dormir, os cabelos loiros bagunçados e o peito nu exposto à brisa matinal. Meliodas caminhou até a beirada do penhasco, semicerrando os olhos para admirar a silhueta das montanhas sob a luz dourada do amanhecer.

Olhando para o capitão daquela forma — desarmado, forte e estranhamente magnífico —, King sentiu um calor súbito subir por seu pescoço. Suas bochechas arderam de imediato. Quando Meliodas finalmente se virou, percebendo a presença do Rei das Fadas, seus olhos verdes captaram o rubor instantâneo no rosto do menor.

— O que houve, King? — perguntou Meliodas, aproximando-se com os braços cruzados. — Por que está tão vermelho?

— N-nada! — King gaguejou, flutuando alguns centímetros para trás, em pânico. — Só... acho que estou com um pouco de febre.

— Deixe-me ver se é isso mesmo.

Conforme Meliodas dava passos lentos em sua direção, o coração de King martelava contra as costelas. A proximidade do capitão, o cheiro de pele e o calor que emanava dele eram demais para suportar. Antes que Meliodas pudesse tocá-lo, King deu as costas abruptamente e disparou em direção ao interior da taberna, refugiando-se em seu quarto.

Do lado de fora, Meliodas permaneceu estático por alguns segundos. A imagem de King — os lábios trêmulos, as pernas encolhidas contra o corpo e a voz embargada — disparou algo perigoso dentro dele. Sentiu o sangue ferver e uma tensão física evidente surgir abaixo do abdômen. Amaldiçoando-se em pensamentos, Meliodas caminhou a passos firmes para dentro da taberna, pretendendo apenas pegar uma roupa limpa.

No entanto, ao passar pelo corredor, a porta fechada do quarto de King o fez parar. Havia uma urgência nele que Meliodas não conseguia mais conter.

— King, podemos conversar? — chamou, batendo na madeira.

— N-não! — a voz abafada veio lá de dentro.

— Você não está doente.

— Sim, eu estou! Mas não preciso de ajuda, capitão.

— Não está, eu sei que não — Meliodas rebateu, a paciência evaporando diante daquela distância. — Abre essa porta!

Sem esperar por uma resposta, Meliodas forçou a maçaneta com a força bruta que possuía, arrombando a tranca de uma vez. A porta bateu contra a parede, revelando King encolhido no centro da cama, os olhos castanhos marejados e assustados.

— Ainda é por causa dela? — a voz de Meliodas suavizou, mas carregava um peso denso.

— Sim... — King sussurrou, desviando o olhar.

Meliodas não pensou. Cruzou o quarto em dois passos largos, segurou o rosto de King entre as mãos e o puxou para um beijo. Foi um impacto quente, faminto e avassalador, que misturou a frustração reprimida de Meliodas com o desespero de King. O Rei das Fadas congelou por um milésimo de segundo antes de corresponder, o calor do capitão invadindo seus sentidos de uma forma que o deixou completamente sem ar.

Quando Meliodas se afastou minimamente para respirar, seus olhos escuros de desejo encontraram os de King, que estava em choque. Antes que o capitão pudesse dizer qualquer coisa, King invocou o Chastiefol num lampejo de luz e disparou pela janela aberta, sumindo no horizonte arborizado. Meliodas ficou sozinho no quarto, tocando os próprios lábios, sem entender o turbilhão que acabara de causar.

Horas mais tarde, o sol já estava alto quando o restante dos Pecados retornou da missão. Merlin foi a primeira a entrar na taberna, correndo os olhos pelo local até focar em Meliodas, que limpava o balcão com uma distração incomum.

— Capitão, onde está o King? — perguntou a maga, arqueando uma sobrancelha.

— Acho que na floresta. Sei lá — respondeu Meliodas, sem erguer os olhos, tentando manter a voz o mais neutra possível.

— E VOCÊ DIZ ISSO COM TODA ESSA NATURALIDADE?! — Ban esbravejou, batendo a caneca na mesa, indignado com o sumiço do fada.

Gowther, ajustando os óculos com neutralidade, inclinou a cabeça para o lado.

— Por que se preocupa tanto com ele, Ban?

— Qualquer pessoa normal se preocuparia, seu idiota! — retrucou o Pecado da Ganância, cruzando os braços e encarando o capitão com desconfiança.

my baby ( Meliodas x King)Cerita yang bikin terobses. Temukan sekarang