Sophie Marjorie Wandowski ou Alison Mariski?

44 3 2
                                        

Capítulo 1

31/12/2022

Seu vestido cor de água estava coberto de sangue, os seus olhos estavam lentos, como se ela houvesse sido drogada, tudo estava em câmera lenta, era tudo muito silencioso para um salão de festas...
A escada bege e luxuosa estava se movendo sozinha, aos olhos dela, parecia que aquilo tinha vida própria, mas não, era apenas o sangue do seu corpo indo embora e fazendo ela entrar em delírio, quase um transe completo.

Os convidados estavam deitados no chão de cerâmica espelhada, não eram mais bilionários, apenas reféns, nada ali era considerado, nem mesmo o dinheiro.
Ela estava muito tonta, sentindo tudo rodar, mas continua andando lentamente em direção a porta, às vezes cai e quase rasteja, a porta que dava acesso a rua parecia tão perto mas ao mesmo tempo tão longe, e seu vestido atrapalhava um pouco, mas ela continuava andando devagar.

Até que James levanta do chão e corre em sua direção, ele agarra ela e os dois caem no chão bruscamente. Ele era corajoso. Quem em sã consciência correria para socorrer uma garota com uma submetralhadora apontada para sua cabeça?

Ele tenta acalmá-la. Inútil.

—  Você vai ficar bem, fica comigo, por favor, por favor. - O peso do corpo dele exercia uma força enorme sobre ela, o que fez o sangue sair com mais ferocidade e deixar vermelha a camisa do smoking a qual era branca.

— Eu preciso que você fale comigo, não fecha os olhos por favor! - Ele até tentava manter a calma, mas a voz dele estava trêmula, e enquanto os dois estavam deitadas quietos no chão, o corpo dele não parava de tremer por um só segundo. Ele era corajoso, mas a situação era catastrófica.

Era o fim, ela havia perdido muito sangue, foram 5 tiros, estava pálida, com os olhos cheios de lágrimas e com os últimos suspiros que lhe restavam ela apertou forte a mão dele e perguntou:

— James, por que fizeram isso comigo? Quem sou eu de verdade? O que eu fiz?




02/06/2022

Era segunda-feira, e Sophie sempre dava carona para sua melhor amiga, Eillen, que era estudante de psiquiatria, também em Oxford. Mas naquele dia havia algo errado, ela ainda não tinha chegado na casa de Sophie, e ela nunca atrasava.

— Eillen? - Abrindo a porta de vidro que dava acesso à cozinha, era Sophie no telefone já pronta para dar um esporro na amiga.

— Soso, o Nattan terminou comigo! - Ellen estava com a voz trêmula e o nariz dela fazia barulho de bolhas sendo estouradas, era incrível.

Sophie não conseguiu pensar em outra coisa a não ser "Eu não acredito que Eillen está em prantos por causa de um homem... E ele ainda é feio pra CARALHO!" mas ela se conteve, e tentou consolar a amiga.

— Por qual motivo vocês terminaram? - Andando pela cozinha, Sophie abre a geladeira e começa e tirar as coisas para fazer o café da manhã.

— Ele falou que queria um tempo, e você já me falou que "tempo" é licença para traições. Então eu achei melhor terminar, mas confesso que tô chorando muito por causa disso, liguei pra ele tipo 10 minutos atrás e falei que não dava mais. - Ela colocava vírgula nas frases com seus soluços.

— Pelo menos dessa vez você me ouviu, vamos conversar melhor na aula hoje? Juro que você foi ótima, super forte na decisão - O barulho de panela, fogão, ovos sendo feitos era nítido na ligação. — Mas... sei que não posso te deixar perto do celular, se esse maldito mandar uma mensagem eu SEI que você vai responder.

Por alguns segundos Sophie levantou a sobrancelha e ficou brava mentalmente com a amiga, mas a conversa seguiu um bom curso, a raiva durou três segundos e meio.

— Tudo bem, Soso, talvez você me conheça mais que eu mesma... Vou secar as lágrimas e posso me arrumar na sua casa? - Agora parece que os soluços pararam, as vírgulas ganharam seu espaço na fala de Eillen novamente e os soluços foram expulsos por Sophie.

— Vem agora, toma banho aqui, usa uma roupa minha, só vem logo, ou o café da manhã vai esfriar, amo você! - e Sophie Desligou.

Sophie estava sozinha em casa de novo, seu pai tinha trabalho fora do país e ela geralmente dispensava a governanta quando ele não estava em casa. Ela amava a companhia da Titi, mas também gostava de cozinhar, arrumar as coisas do seu jeito, ligar som alto e às vezes beber uísque escondido da coleção do pai, mas esse é um segredinho que só ela e nós sabemos.

Em 10 minutos ela terminou de fritas os ovos e fez pães. Em 15 minutos pôs a mesa com duas tigelas lindas cor-de-rosa de salada de frutas, e exatos 25 minutos após desligar a ligação, Eillen chegou. Sophie ouviu a campainha, correu pela cozinha, atravessou a sala e abriu a porta, quando viu a amiga, apenas desvencilhou o corpo e apontou para as escadas que davam acesso ao seu quarto no primeiro andar.

— Quero ver você arrumada em 15 minutos, e por favor, não chore na minha banheira, aquele seu namorado ridículo das orelhas grandes não merece ser nem lembrado aqui dentro da minha casa. - Ela usou todas as forças que tinha para segurar a risada, felizmente Eillen não percebeu que isso era uma piada ridícula e só subiu as escadas correndo, provavelmente, pensando no agora ex namorado ridículo das orelhas grandes.

— Você acha que o Nattan gostava mesmo de mim? - Eillen era expressiva, o contrário de Soph, e estava estampado em seu rosto que ela estava triste.

— Quer que eu fale a verdade? Não responda. Vou mentir, porque se eu falar a verdade, vou ficar irritada e você sabe que eu não gosto de ficar irritada quando estou dirigindo.

O sinal fechou. Agora Sophie tinha exatos 60 segundos para brigar com sua amiga que tinha 19 anos, mas a maturidade não condizia com a sua idade.
3, 2, 1, VAI!

— Porra Eillen, eu sempre te falei que relacionamento com uma pessoa vazia não daria certo, você é demais para ele, por que insistiu? Eu não sou a rainha dos relacionamentos, mas custa me ouvir uma vez? Eu fiquei sabendo que o Nattan vai jogar no West Ham, e você acha mesmo que ele iria querer ficar com uma pessoa só enquanto viaja por todo o país para jogar? Por isso que..

O sinal abriu.

— Ele me contou semana passada que iria jogar no West, mas eu nunca imaginaria que isso fosse nos afetar, você sabe que ele sempre demostrou o quanto gostava de mim.

Estavam quase chegando na universidade, faltavam só mais alguns metros.

— Demonstrar não significa gostar de verdade. E você sabe disso. Eu agora estou muito brava com você, muito mesmo, mas posso te bater? Não! O máximo que posso fazer é te mostrar quem não vale a pena. Chegamos, finalmente.

— Obrigado por me ouvir sempre que preciso. - De novo com a voz de choro, Eillen abraçou Soph com toda força que ela tinha. — Eu te amo.

— Eu também te amo, e nada de choro.

AlteregoStories to obsess over. Discover now