O homem encapuzado

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-ADEUS EDUARD! NÓS TE AMAMOS! -Gritou sua mãe enquanto desabava em lágrimas com a feição da mais plena tristeza e melancolia. A melancolia de uma mãe que nunca mais verá seu único filho, que jamais terá sequer a chance de vê-lo crescer, cuidar dos seus machucados, alimentá-lo ou mesmo de rir das suas brincadeiras de criança despreocupadas, ajudá-lo nos deveres ou observá-lo se apaixonar, crescer e se casar.

 Todos esses sentimentos estavam rapidamente sendo arrancados dela, sem a menor chance de recuperação, por uma maníaca vestida estranhamente, mascarada como uma ladra, apenas mostrando os olhos, sádicos, repletos de prazer ao ver o desespero da separação iminente. Ela não era uma ladra comum, era uma ladra de vidas... uma ladra... de almas.

 -Vrochí fotiás! -Ao ouvir, ainda mais desesperada, a recitação das palavras mágicas que a fariam perecer, sua mãe o jogou para dentro de um portal e ele pôde apenas gritar também desesperado: -NÃO! MÃE! EU NÃO QUERO IR! -Sua mãe forçou um sorriso e mandou, ainda em meio a prantos, um beijo, fechando os olhos; O portal se fechava e tudo o que Eduard pôde ver, ainda com quatro anos deidade, foi um vislumbre do perecer, doloroso e desesperador, de sua tão querida mãe. 

DEZ ANOS DEPOIS...

 -Como Decartes já havia dito "a matemática foi o alfabeto com que Deus escreveu o universo." Agora, fazendo um paralelo dessa frase com a matéria que estudamos nesse bimestre, magia contemporânea, escrevam uma redação com o tema "O espaço da magia no mundo moderno" e entreguem até semana que vem. Dispensada, turma.

 -Eduard, pode me ajudar com os livros por favor? 

-Claro professor. -Disse alegremente Eduard colocando a mochila por sobre os ombros e indo ajudar o dolorido professor Adam, de Magia.

 Adam havia adotado Eduard após a morte dos seus pais, no que ficou conhecido como massacre do Big Ben. Após isso, ele viveu por toda a sua vida no Campus da Universidade de Radcliff, onde seu tutor morava.

 -E aquela sua amiga? Hana, não é? -Perguntou enquanto andavam para sua sala do outro lado do Campus. 

-Sim, o que tem? -Questionou.

 -Ela parece uma ótima pessoa, boas notas, inteligente, e... bonita, não? -Abriu um sorriso maroto olhando para o rapaz do seu lado que começava a entender para onde ia aquela conversa.

 -Tio! Pare com isso! Ela é só uma amiga. Minha melhor amiga, mas ainda apenas uma amiga. Não pode ficar procurando pretendentes assim para mim, quando eu encontrar o amor verdadeiro vou saber, já disse. -Defendeu-se Eduard virando para o seu "tio" os olhos da cor de violetas, o que deixou-o sem palavras por alguns instantes; 

Ele era um dos únicos no planeta com olhos dessa cor. Dizia a lenda que quem tinha esses olhos era capaz de manipular elementais extra dimensionais. Elementais eram a personificação de elementos e forças da natureza. Os mais conhecidos eram o tempo, espaço, luz, gravidade, plasma, matéria e energia vital ou ki; Porém ele nunca manifestou a manipulação de nenhum elemental, o que agradou bastante o "tio" (o chamava assim por ser o mais próximo de um pai que tinha) e desagradou um pouco a universidade, que queria estudar mais sobre os elementais.

 -Ainda com isso de amor verdadeiro? Já te disse que essas coisas não são assim, você se apaixona, a outra pessoa se apaixona vocês se casam, têm filhos e morrem. É apenas isso. -Disse seco, o já grisalho professor de Magia.

 -Já te disse, é meu ideal; acreditar... 

-Olha só, temos um idealista no meio da crise do sistema mágico. -Brincou o tio, rindo bastante. 

Quando chegaram à sala do professor, ele deixou os livros em cima de uma enorme mesa de cedro com desenhos nórdicos, a circundando. -Bom, já vou indo. Nos vemos no jantar? -Perguntou,enquanto vestia o seu clássico sobretudo azul-marinho,preparando-se para sair novamente. 

Mundos de Schrodingër [EM HIATO]Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora