Era um sonho.
Logan não sabia dizer como sabia, mas a certeza estava ali. Não havia um contorno esfumaçado rodeando a todas as coisas, nem mesmo algo inacreditável demais para fazer parte da realidade, mas nada daquilo estava realmente acontecendo.
Tudo parecia estar em seu devido lugar, e, ainda assim, havia o estranho pressentimento de que tudo estava errado. Também não sabia dizer o porquê, não ainda; esforçava-se para descobrir.
Até que alguém empurrou a porta do recinto para o qual seu subconsciente o levara. Com dentes brancos como nos comerciais de pasta de dente e olhos tão verdes quanto o mar, o invasor lhe sorriu.
— Ei. Sentiu minha falta?
Logan engoliu em seco, seu coração batendo alucinadamente contra suas costelas. Entendeu o motivo pelo qual duvidara da veracidade do que estava acontecendo, muito embora a vividez do sonho não denunciasse que era disso que tudo aquilo tratava – um sonho.
Logan não via aquele sorriso havia quase seis anos.
¶
Da primeira vez em que Logan vira Asher Dallas, ele ainda não passava de um calouro de Washington perdido em meio a um mar de veteranos nova-iorquinos. Estava jogado no sofá, começando a se perguntar se não teria sido uma tremenda estupidez deixar a segurança da capital por uma cidade onde não conhecia ninguém além de seu vizinho – um rapaz franzino chamado Josh que, embora cursasse o segundo ano da universidade, mais se parecia com um pré-adolescente – quando, pela primeira vez, ouviu o som de uma chave girando na fechadura.
(Não conseguiu dar muita importância ao fato de estar praticamente nu; àquela altura, qualquer indício de companhia já o deixava animado o suficiente para que conseguisse ignorá-lo. Poderia se sentir envergonhado depois.)
Mas, quando a porta finalmente se abriu – pareceu levar uma eternidade, e talvez realmente tivesse levado porque Logan conseguia ouvir a voz de Josh do lado de fora de sua porta e sabia muito bem da queda do vizinho por quem quer que fosse que seria seu companheiro de quarto pelos próximos anos –, Logan não estava preparado para aquela visão.
O homem que adentrava o apartamento tinha cabelos dourados e despenteados, olhos verdes profundos e um sorriso tão branco que seria capaz de cegá-lo, se ele não achasse que seria um grande desperdício ser cego tendo de conviver com um deus grego daquele porte.
— Bom — o estranho falou, fechando a porta atrás de si, o sorriso ainda estampado em seu rosto como se fosse uma constante –, isso é o que eu chamo de uma boa recepção.
Logan sequer se deu ao trabalho de corar.
¶
Nunca parecera complicado para ele, toda aquela história de "gostar de garotos". Talvez devesse ter sido, se considerasse o quanto o senador Wright, seu pai, era popular entre os conservadores; mas nem seu pai, e tampouco a mídia, se importavam muito com o que ele fazia. Tinha meios-irmãos mais bonitos e interessantes do que ele, de qualquer forma. Manter a reputação da família não estava em suas mãos.
Por outro lado, garotos ou não, não era de seu feitio ir para a cama com desconhecidos. Não era de seu feitio sequer ir para a cama com alguém. Todo o contato físico que tivera com outras pessoas se resumia a alguns amassos e a mãos em lugares indevidos, nada mais.
E, até ali, Logan estivera bem com nada mais. Não pensava como o resto de seus amigos, que pareciam tratar sexo como uma grande prioridade em suas vidas. Em sua opinião, aquilo poderia esperar.
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Complicado
Short StoryNunca parecera complicado para ele, toda aquela história de gostar de garotos. Ao menos não até que o garoto em questão fosse seu novo companheiro de quarto, com aqueles cabelos dourados como o sol, olhos verdes como o mar e o sorriso largo de quem...
