Prólogo- 2020

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- Liz, Alana vez de vocês.
Disse meu professor de história humana.
Me levantei da cadeira, com o trabalho todo na cabeça, não era difícil, era apenas mais um seminário.
-Oi, vou apresentar o apocalipse de 2020. Começando em 2019, um vírus tornou-se uma preocupação mundial, dizimando uma enorme parcela da população, a falta de empatia era notória, o amor e a solidariedade no capitalismo nunca existiram, o egocentrismo do ser humano foi o que fez sua sociedade ruir, quando descobriram a vacina, era tarde de mais, uma guerra havia sido instalada, anarquistas tomaram conta das ruas em todos os lugares do mundo, a desigualdade era cada dia mais gritante, os acumuladores de dinheiro, acumulavam cada vez mais ganância e ódio. Foi ai que os antigos Estados Unidos e a China entraram em um conflito de interesses em plena eleição estadunidense. Os dois armados até os dentes com trilhões investidos em armas em vez de investidos em igualdade, se atacaram com bombas de radioatividade. Foi ai que apenas 1/8 da população mundial sobreviveu em bankers subterrâneos por 50 anos até a vacina anti-radiação ser inventada pelo Dr. Audrey Despt.
Apresentei minha parte no seminário e sentei-me para ouvir a parte de Alana.
- Após a saída de nossos antepassados ao novo mundo devastado, eles perceberam uma nova oportunidade, criar a comuna, um centro mundial que tomaria conta de todos os interesses políticos. As ruínas já não eram mais opção de moradia, foram destruídas e deram lugar as nossas casas atuais, todas feitas com o mesmo padrão, na nova sociedade não existiriam classes, e prevalece até hoje sem desigualdades.
Levantei e eu e Alana recebemos uma salva de palmas e voltamos para nossas cadeiras.
O professor chamou outra dupla.
Sempre foi meu sonho me tornar uma ministra da comuna. Todos as comunidades tem um ministro, ele cuida das atividades de cada cidadão, cada membro da cidade tem uma tarefa específica, escolhida através de um simulador de vocação. O dinheiro deixou de existir com o capitalismo, a mais-valia onde o trabalhador teria que trabalhar exaustivamente por migalhas, também. Tudo produzido era aproveitado, até a comida e as embalagens, todas as casas sobreviviam com energia eólica e solar. A radiação emitida era mínima por isso as espécimes animais das arcas nos bankers sobreviveram, alguns insetos foram extintos, mas quase todo o reino animal continuava firme, as plantas tomaram conta do globo sem a presença do homem e os fitoplanctons e as árvores absorveram uma enorme quantidade de radioatividade.
Hoje sou extremamente grata aos fundadores da comuna, eles estimularam em todos a solidariedade espontânea e os estudos em diversas áreas, qualquer um tem acesso à sua vocação.
Apenas a religião espírita continuou nessa sociedade, acreditamos estar nesse plano por algum motivo e sempre ajudar o próximo é o lema de todas as comunidades. Algumas pessoas são agnósticas mas hoje em dia o preconceito foi extinto, o machismo, a violência, o racismo, a marginalidade, o tráfico também deixaram de existir. Hoje moro em Collioure no sul da França, na Europa existiam apenas 20 bankers com espaço para 10000 pessoas cada, sobraram poucas pessoas aqui, mas todos tem contato pelos hologramas e viagens feitas na locomotiva world. Foi escolhida uma língua padrão, o inglês, porém é possível aprender quantas línguas quiser, o acesso a informação é ilimitado. Na escola aprendemos matérias que antes não existiam, e hoje são fundamentais para nossa formação, desde Higienização até Marcenaria, Política e Relações Interpessoais. Depois do ensino médio fazemos o teste vocacional em um simulador criado pelo rei da tecnologia Dr. Aslan Walker.
Estou no último ano do ensino médio e meu medo apenas aumenta em relação ao teste, pois quando ele tem uma inconclusão e temos que assumir duas funções dizem que é frustrante, mas não é ruim, o teste foi feito com a maior taxa de precisão possível.
O sinal toca e o prof. de história humana Luis nos libera para o intervalo, antes de sair ele fala meu nome.
-Elizabeth por favor. - eu vou em direção a sua mesa e ele chama minha atenção.
-Notei que essa última aula você estava voando, está com algum problema?
Sempre esqueço que as pessoas desse século estão sempre preocupadas umas com as outras e é dever de todos sermos sinceros.
-Estou nervosa para o teste de semana que vem.
- É perfeitamente compreensível, mas tenho certeza que será 100% preciso, você tem claramente uma vocação para ministra comunal.
- Professor esse é meu sonho, desde que me conheço por gente. Mas por que você acha que realmente nasci para isso?
- Liz, qual é. Seu seminário é perfeito, sua desenvoltura, seu pensamento crítico a respeito do passado, você sem dúvidas será a melhor para o cargo.
- Fico feliz em ouvir isso professor, vou indo, tenho aula de Redação agora, até mais.
-Até mais.

Os cargos são tão bem distribuídos eu realmente não entendo como não existe uma sobrecarga em uma ou outra atividade. Espero que quando eu me tornar ministra eu saiba.
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Era sexta feira em fim.

Eu chego em casa todos os dias as 19horas. Aos sábados costumo chegar 12horas, porque faço aulas extras de Relações Interpessoais, minha matéria favorita. Larguei minhas coisas no sofá e roubei um pedação da ração do meu irmão Christian, ele me olhou como se quisesse me matar.
- Liz você sabe que eu quero ganhar massa muscular, vou começar a roubar sua ração, você vai ver.
- Christian você sabe que é só fazer um requerimento pedindo mais ração não é? Se quiser eu mesma faço e entrego para a Lilian da distribuição amanhã.- respondi sentando na cadeira
- Você sabe que eu te amo não é Liz? - ele levantou e me abraçou pelas costas.

Nós chamamos a comida de ração por ser nosso suprimento alimentício e com todos os nutrientes que precisamos, são três diferentes cada um uma vez por dia, eles tem um sabor gostoso mas evitam a compulsão alimentar que os capitalistas tinham, mas eu adoro colher frutas entre as refeições, e como o nosso quintal tem uma linda pessegueira da arca, plantada e adubada pelo meu bisavô, eu costumo ir la pegar alguns pêssegos. Eram oito horas da noite e eu fui até la apanhar alguns, Lucas amigo do Christian estava do outro lado da rua, sentado no banco de seu jardim me encarando, eu coloquei os pêssegos no chão, peguei um deles, limpei na blusa, mordi e fui até ele.
- Você não cansa de ser linda não é Liz, posso pegar um pêssego também?
- E você de ser interesseiro não é Lucas? Vem eu te dou um.

Lucas já estava no quinto período de medicina, o Christian fez duas matérias com ele porque fazia educação física e os dois por serem vizinhos viraram melhores amigos, o Lucas é só um ano mais velho que o Chris e três mais velho que eu.
No primeiro ano eu era apaixonada pelo irmão dele o Noah, mas ele nunca ligou pra mim, ao contrário de Lucas que eu percebi depois de um tempo que ele adorava me provocar quando vinha á minha casa para falar com o Chris.
- Sabe Liz, a Karen vai dar uma festa de aniversário la na lagoa, você quer ir comigo?
Karen era nossa vizinha.
- Pra você fazer ciúmes na Vanessa? TÔ FORA- cai na gargalhada dei mais uma mordida no pêssego e virei para voltar para casa, e ele me puxou pelo braço.
-Você sabe que não é isso, sabe que nós terminamos faz um ano, eu quero muito te conhecer melhor, eu te acho tão linda e interessante, desde que eu te vi eu quis te conhecer, sabia que a gente tinha uma ligação única.
- Que papo é esse Lucas?
- Qual é Liz achei que tu soubesse que tudo que eu quero desde a primeira vez que te vi, é ficar contigo.
- Tudo bem eu vou na festa contigo, mas me promete que não vai rolar nada, eu sempre vou te ver como meu amigo.
- Ok, se for pra te conhecer melhor eu faço esse esforço, te pego aqui as 15horas.
- Lucas, é pra levar biquíni?
- Sim. - ouvi minha mãe gritando meu nome.
- Ta bom! Vou indo, tchau, até amanhã.- dei um sorrisinho e entrei em casa.
-Tchau - respondeu sorrindo.

As vezes aquele sorriso me desmonta inteira.

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⏰ Última atualização: Jun 27, 2020 ⏰

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