Ao atingir a idade de 6 anos, as crianças são chamadas a se apresentarem em diversas áreas governamentais. Por lá, os funcionários de serviço ao governo passam as instruções de aprendizagem ,tais servirão como único mandamento até completarem 18 anos. O compilado de informações é passado de forma didática e ao mesmo tempo ameaçadora. As informações começam a ser passadas desde cedo pelo processo base de apredizagem da vida,por isso, desde cedo, o governo impõe as regras/leis para um bom convívio com os outros membros da sociedade. Não são regras difíceis, mas essenciais para que não escapem do caminho certo. Ademais, as regras são: tudo é mutável menos a mudança, somos seres desiguais e maus em nossa essência. Tudo foi,segue e sempre será assim. Então, não problematizem o que acharem de errado na sociedade, nós governo, como sua instituição líder, vamos te guiar sempre pelo caminho mais adequado. Aceitem nossas regras sem questionamentos, sempre será o melhor para nós.Esses são os conceitos básicos que devem seguir até seus 18 anos. Uma vez que, atingirão a maturidade suficiente para passarmos as próximas regras. Mas lembrem - se, durante esse primeiro processo suas dúvidas devem ser feitas exclusivamente com funcionários do governo,em vista do vasto conhecimento. Qualquer outra pessoa que for pega conversando sobre dúvidas com outras pessoas será punida severamente. Na saída, o clima das crianças era fúnebre. Rostos sérios,não pela complexidade e profundidade das regras que haviam recebido, mas para cumprir a risca as regras para não serem punidos. Vamos seguir com Júlia, menina negra ,pobre e da periferia ,e uma das crianças presentes. Já era tarde da noite e Júlia e sua mãe Maria seguiram para casa.Moradoras do Morro do Castelo,localizado no Rio de Janeiro, as duas viviam em uma casa de três cômodos pequenos. A casa humilde, sem saneamento básico, e em zona de risco de desabamento em dias de chuva, tinha como contraste a vista paradisíaca do Rio de Janeiro.No dia seguinte, já as 5 horas da manhã,mãe e filha se aprontavam rapidamente, comiam dois biscoitos e uma dose de café puro e partiam para a zona sul. Maria era vendedora de biscoitos em sinais de transito e partia para a zona sul por conta de só por lá ter pessoas com tempo para passear de carro e terem dinheiro para comprar biscoitos sem comprometer o orçamento do final do mês. Enquanto Maria vendia, Júlia sentava na calçada e passava horas do dia analisando as coisas ao seu redor, via os condomínios de portões de vidro luxuosos,com áreas de diversão e crianças brincando. Júlia não os invejava, mas via com estranheza. No decorrer do dia de sol escaldante e asfalto fervendo, sua mãe dava algumas pausas para sua Júlia trabalhar junto. Não para aprender a como oferecer biscoitos, mas para Júlia se refrescar com o ar condicionado dos poucos carros que abriam a janela para comprar biscoitos. Com o entardecer, Maria sentava na calçada e contava suas moedas, sempre tinha o otimismo que havia vendido bem, entretanto, nunca era o suficiente. Na volta para casa a pé, propagandas gigantes de um lado dizendo que as pessoas devem sempre ser otimista, do outro lado da rua dizendo para as pessoas nunca devem desistir e no prédio a frente dizendo que só depende de você para alcançar seus objetivos. No caminho todo até a entrada do morro essas propagandas seguiam. Além disso, altos falantes espalhados por postes nas ruas, exaltavam o poder do governo pelo bem da sua população.
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Distopia Carioca
Short StoryNessa distopia, a utopia do governo é que as classes mais pobres se adaptem e normalizem a distopia imposta. Um governo que prega valores de consumismo e individualismo. Manipula nossa característica da coletividade pela individualidade coletiva. N...
