Seven Feet Below

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A sete palmos abaixo de nossos pés agora encontra-se  meu tio, o único que mesmo após  eu me assumir  gay, seguiu sendo o mesmo comigo. Não começou a me olhar com repulsa ou nojo. Ele me apoiou e me defendeu daqueles que se viraram contra mim. Ele estava lá por mim  quando nem mesmo meus pais estavam. E se com ele as coisas não estavam boas,agora que ele se foi só tende a piorar.

Além da repulsa,apelidos e piadinhas por eu ser gay,agora eles também me tacharam como assassino,e eu queria dizer que estão errados porém a culpa é minha, se  eu não tivesse começado a chorar como um bebê, ele não teria tirado a atenção da estrada para me consolar e consequentemente ele não estaria morto agora.

É agora eu realmente o ódio de conhecidos e ao mesmo tempo tão desconhecidos para mim. 

Sophia e Alan (tio) eram meus últimos motivos para seguir vivendo, e agora ele está morto por minha culpa, só resta Sophia, e eu me sinto um merda por abandona-la aqui, com essas pessoas tão podres. Mas eu já não aguento mais ficar aqui. Talvez eu mereça mesmo o título de "assassino",  eu não quero que Sophia fique marcada como sendo a irmã de um assassino.

Eu só quero paz e sinto que ficando aqui eu não vou encontra-lá. Vou até o quarto de Sophia e beijo sua testa,sussurro um "eu te amo" , ela está dormindo como um pequeno anjinho de cabelos encaracolados. Espero que um dia ela entenda os meus motivos para ir embora desse mundo e deixa-la aqui.

Saio de casa e vou andando para o prédio em que eu ia sempre que queria me distanciar tanto quanto possível das pessoas,ao chegar em frente ao prédio. olho para os lados afim de saber se alguém estava prestando atenção em mim, então entro na viela e me dirijo aos fundos do prédio após mais uma conferida adentro ao local e fecho a porta pela qual entrei. Subo as escadas e chego terraço. Novamente fecho a porta. E então me permito observar a vista maravilhosa que eu tinha de grande parte da cidade,era estonteante.Chego perto da beirada e observo as pessoas lá em baixo que devido a altitude que eu estou parecem formigas apressadas. 

Cada um com seus dilemas, indo de um lado para o outro sem se importar se estavam esbarrando nas outras pessoas. Tiro da minha mochila meu caderno e meu estojo e então começo a desenhar a paisagem. Enquanto desenho,meus pensamentos voam para minha irmã, penso em como ela vai reagir ao saber que eu não estarei mais com ela,que não vamos mais assistir os filmes da Barbie juntos, eu não estarei lá para velá crescer, não estarei com ela quando realizar seu sonho de ser médica. E esses pensamentos só fazem eu me sentir ainda mais culpado por abandona-lá aqui, com nossos progenitores. Talvez um dia ela me entenda e me perdoe por ser o pior irmão do mundo para ela.Sophia é tão nova e inocente,ela tem aquele riso contagiante e aqueles olhos de cachorro que caiu do caminhão de mudança, ela é tão meiga e gentil, ela é sweet.  Espero que não apaguem sua luz quando for mais velha,espero que ela lute por seus sonhos e não seja como eu, um covarde.

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Continua



Deixe-me Te AmarWhere stories live. Discover now