Agora vai

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Sabe aquele entusiasmo quando a gente começa o ensino médio? Você pensa consigo mesmo

Agora vai

Porém, na maioria das vezes, não vai.

Você fica desapontada, se culpa, culpa a pressão social, seus pais, seus professores. Fala mal do sistema educacional do país, do capitalismo, do socialismo, quer fugir para uma sociedade utópica que não funciona nem na sua imaginação.

Quando nos encontramos cercados por pessoas, que por um acaso é sempre já que vivemos numa sociedade, temos uma urgente necessidade de ser como todo mundo ou ser diferente de um jeito bastante atraente.

Bora concordar que ser adolescente é complicado o suficiente pra te dar injeções de adrenalina de vez em sempre. A última dose que tomei foi a carta de aceitação na Universidade de Long Beach.

O reitor é um amigo de longa data da minha família e desde que me entendo por gente ele se juntava a nós para churrascos de finais de semana, Hector me deu todas as coordenadas pra poder arrasar no meu essay. E é um pulo da faculdade pra casa, ainda bem que não vou precisar morar nos dormitórios com outros adolescentes tão despreparados pra vida quanto eu.

- Hey, Jessica disse que daqui 10 minutos vem checar tudo. - Josh me puxou de volta pra realidade.

Olhei pra ele por um segundo aguardando meu cérebro processar a informação. Jessica é a gerente do meu emprego de verão, e de acordo com o relógio meu turno acaba em 15 minutos e preciso fechar o caixa. Um supermercado não seria a primeira escolha dos meus pais para um emprego, mas os convenci de que tudo que eu não queria esse verão era um emprego com grandes responsabilidades. Sorri pensando que é engraçado eu não querer responsabilidade, mas tenho que movimentar bastante dinheiro diariamente, me surpreendi pela quantidade de pessoas que ainda usam células, tipo sério um cartão é bem mais prático, seguro e higiênico.

- Obrigada, já vou fechar tudo. - sorri rapidamente pra Josh, ele era da minha idade e fácil de conversar, mas ainda me deixava nervosa toda vez que me olhava por muito tempo.

Seu maxilar era tão destacado que me fazia ter vontade de chupar minhas bochechas pra dentro quando estava perto. E ele era tão branco! Tipo, sério, nem um queimado, nem um bronzeado, nada típico para um californiano. E os olhos escuros, sei lá viu. Ele tinha uma beleza atípica que me deixava com as mãos suando.

Assim que Jessica me liberou, corri pro banheiro pra me trocar e não fazer feio no luau que a galera da escola marcou, mesmo tendo passado só duas semanas depois da nossa formatura. Refresquei o desodorante, escovei os dentes e coloquei um maiô com o jeans claro que eu tava e meu tênis de praia.

Quando você mora numa cidade litorânea tem certas coisas que você começa a praticar como separar um sapato específico para evento praianos, por exemplo num dia quente como esse você não quer estar descalça na areia e um chinelo não te protege na sujeira, então um tênis é o ideal pra ocasião.

Encontrei Asher e Angie no estacionamento encostados num carro prateado.

- Adivinha quem pegou carro emprestado com o pai? - Angela balançou a chave me fazendo rir da sua animação, nenhum de nós temos carro, nunca realmente precisamos deles. Pro colégio vamos de ônibus, se for a noite sempre tem apps de carona e as milhares de bicicletas pra aluguel.

- Oba, oba, tamo chique hoje. Por que esse mimo? - já me joguei no banco de trás passando um gloss.

- Mais necessidade, marcaram na praia de Redondo. - Angie me olhou pelo retrovisor revirando os olhos.

Redondo é uma ótima praia, mas ficava pelo menos uns 30 ou 40 minutos de distância. E a gente mora em Long Beach, 10 minutos de caminhada até a próxima praia!

- Por quê? - demonstrei descontentamento pelo meu tom de voz cheio de preguiça, já mandando uma mensagem pra minha mãe avisando que estava saindo do trabalho e ficaria até mais tarde com os meninos.

- Acho que é mais um rolê pra juntar com a galera da faculdade de lá, pelo menos metade da nossa turma se matriculou em Torrance, e eles preferem a praia de lá. - Asher falou arrumando os cachos.

Asher Linknut é um dos caras mais lindos que eu já vi, o cabelo castanho queimado de sol, a pele bronzeada, os olhos pequenos e o sorriso mais fudido de gostoso com um vertical labret prata. Ash com certeza seria a pessoa que eu casaria caso não fosse tão Ash.

- Além do mais é oportunidade de conhecer a mulher da minha vida que eu não posso desperdiçar. - ele falou sério.

- A gente já ouvi falar de três mulheres da sua vida só esse mês, Ash. Não sei como ainda tem gente que cai na sua lábia. - Angie e eu já não conseguíamos levar á sério depois de anos ouvindo a mesma história. Linknut era um player que comia quieto pra comer várias vezes, mesmo nós não sabíamos de metade das histórias.

- Fazer o que se eu acredito em amor verdadeiro? Não tenho culpa se elas não me dão valor!

- E o Oscar de melhor ator vai paaaaraaa - bato minhãs mãos no banco fazendo suspense

- Player Linknut, pela sua atuação como destruidor de corações no longa de Mulheres de Long Beach e arredores.

Estacionamos no parque e cortamos pela grama pra chegar mais rápido na praia

- Hey Angel! - Paulo gritou correndo na nossa direção.

Paulo era jogador de vôlei do time da escola e tinha conseguido uma bolsa 100% pra continuar com a carreira na faculdade. Ele era o típico garoto californiano dos filmes, loiro, olhos claros, pele dourada de sol e sorriso branco que chega dói os dentes. Ele também era caidinho pela Angie.

Nos abraçamos  e caminhamos pra uma pequena aglomeração.

- Uma galera da faculdade marcou de aparecer por aqui, eles vão trazer bebida caso vocês queiram. - ninguém ali tinha idade pra beber e não é como se nunca tivéssemos segurado um copo de cerveja, mas  como estávamos em público isso dificilmente iria acontecer.

- Hoje tô limpa, vim de carro. - Angie sorriu de forma sugestiva pra Paulo o deixando bem animadinho.

- Vamos entrar antes que esfrie. - Falei vendo que já eram cinco e meia e tínhamos umas três horas até o pôr do sol.


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