único

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E os olhos se arregalaram vendo o sangue pingar na neve pálida, sentia o coração atônito, os lábios secos e o frio bater no rosto, a morte havia lhe chamado.

...

1987- Seoul- Coréia do Sul.

Seungcheol observava a gélida e fria noite, sentia o frio que entrava pela janela gelar a espinha, por onde observava o novo vizinho ali, sentado em cima de um dos brinquedos do playground, sozinho, como se não sentisse frio, descalço, como fora nos últimos dias de sua chegada, avistou-o na segunda feira chegar acompanhado de um homem, deduziu ser seu pai, mesmo não aparentando ter 1 de suas características. Espreitou os olhos vendo os flocos de neve cair em seu quarto pela janela que estava aberta, que trazia consigo aquela fria ventania incômoda.

Era inverno, o pátio inteiro estava em tons esbranquiçados e coberto de neve, Seungcheol arriscou chamar o garoto dali de onde estava, apenas recebendo um olhar cerrado em resposta. Catou seus agasalhos, fechando a janela e rumando ao pátio, era 4 da madrugada e não haviam moradores pelos corredores que se mostravam sombrios e vazios. Os olhos de Seungcheol foram direto ao menino loiro que estava de costas, andou enterrando se na neve com as botas dificultando seus movimentos, tornando-os pesados.

Se aproximou do outro que o olhou de canto após esse soltar-lhe um sorriso bobo, o loiro, esse que se afastou mais após Seungcheol chegar um pouco mais perto de si, o moreno observou-lhe atento, a pele pálida como a neve que caia do céu, os olhos azuis como o esse mesmo iluminado pela manhã e os cabelos ligeiramente cumpridos loiros quase esbranquiçados, os lábios vermelhos como sangue e o corpo esguio e um tanto magro quase de sua estatura. Era notável a surpresa de Seungcheol ao observa-lo, tendo o encarando de volta um tanto inexpressivo.

Gaguejou as primeiras tentativas de contato deixando o outro intrigado enquanto tocava e passeava os dedos, sem as luvas, sobre a gélida neve, sem parecer se abater pelo frio.

— Você não sente frio? Tome!

Retirou dos dedos seu par de luvas estendendo este para ele, vendo o loirinho rejeitar.

— Não necessito disso.

— Mas você pode pegar um resfriado, tome! — Insistiu, sendo rejeitado pela segunda vez.

O outro apenas inclinou-se até o chão ali, agaixado, desenhando na neve algo que seungcheol não conseguiu identificar, parecia calmo e ignorava a presença do moreno sorridente que insistia em se aproximar. Então esse finalmente se deu por vencido e ficou por ali, apenas o observando, até o sono lhe chegar e ele se despedir, jurando fazer companhia ao loiro no próximo dia ao outro que se manteu inexpressivo ao final da garantia do garoto.

E rumou de volta a sua casa, deitando e observando o teto até cair no sono.

Então Seungcheol sentiu os olhos doerem e a luz atrapalhar seu sono junto ao despertador que o avisava da volta a rotina escolar, mesmo no inverno, levantou e foi observar da janela, ele não estava mais ali, já era manhã. Rumou a ir ao colégio, ao menos teria que cumprir suas obrigações, mesmo tendo o outro em seus pensamentos desde o início da semana passada. Indagou-se porque o outro não teria se matriculado a escola, ele já havia concluído seus estudos? Ou não teve tempo para se matricular? Agora esse sempre, lhe instigava seus pensamentos, colocando interrogações em sua mente, o deixando entusiasmado, perguntador, indagador, observador, todos os sinônimos de um rapaz que agora se mostrava curioso a conhecer mais do misterioso rapaz que havia mantido um estranho contato na madrugada passada.

Sangue em neve pálidaLa tua prossima ossessione. Scoprilo ora