Eu estava rabiscando bonecos no bloquinho de notas do meu pai e mamãe não parava de falar sobre revistas e fofocas da internet com Anne no telefone. E bem, papai dirigia o carro. Estávamos indo para casa da mãe do meu amigo Lucas, tinha que passar lá pra pegar meu Xbox.
Papai sempre dirigia sem cinto de segurança e sempre que podia eu o alertava sobre o risco do não uso, contudo ele nunca me dava ouvidos. Sempre fiquei preocupado quando andamos de carro, a pista da nossa cidade tem muitas curvas, quase todos os dias aconteciam acidentes.
Olhei para a lua e tentei desenhar as formas escuras que nela existem. Rabisquei, rabisquei e não tive sucesso.
Papai percebeu meu incômodo pelo retrovisor e perguntou:
- O que aconteceu, Benik?
Direcionei meu olhar para o retrovisor com a tentativa de olhá-lo nos olhos e disse:
- Eu estava tentando desenhar o degradê escuro da lua, pai. Mas eu não tenho muita facilidade para desenhar, nem talento, para ser sincero, entende?
Ele suspirou, abaixou a cabeça e, logo depois, virou-a em minha direção, enquanto minha mãe ainda falava com Anne.
- Benik, não limite suas forças... você sempre terá talento para algo, desde que... – E foi nesse momento que minha vida partiu-se em duas partes: a feliz e a depressiva.
Quando o farol incandescente do outro carro veio em nossa direção, tão rápido quanto a corrida do Flash. Ele veio e simplesmente acabou com minha vida. Não. Não com a minha, com a do meu pai, quando o vi saltar para frente e romper o vidro, estilhaçando-o. E o vidro cortava o corpo dele, rasgando, penetrando, dilacerando sua carne, suas veias, suas artérias e tudo o lhe trazia vida. Seu coração explodiu para expandir o sangue. Ele morreu.
E eu fiquei parado, olhando, enquanto meu coração disparava. Olhei para o lado e minha mãe estava inconsciente, com a cabeça sangrando.
De onde eu estava, podia ver que a frente do carro estraçalhou, o vidro estilhaçado em cima do capô do veículo.
Minha respiração ficava agitada cada vez mais, eu suava. Aquilo não podia ser real. Um garoto de 12 anos não podia aceitar que seus pais morreram assim, tão fácil.
Sabe o que acontece quando você está sufocado de dor, perda e tristeza? Você grita e chora. Senta e só faz isso. Seu corpo não consegue reagir. Sua mente dispara flashes de coisas boas e ruins. Você para. E a sensação do sal das lágrimas te invadem. E a partir daí, o grito sai e gotículas de tristeza começam a molhar seu rosto.
Só sobrevivi porque estava com o cinto, muitas vezes penso que seria melhor se eu não o tivesse colocado.
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A incrível e triste história de Benik e Candice King
RomanceBenik perdeu o pai quando tinha 12 anos, um acidente de carro o tirou dele e deixou sua mãe paraplégica.Por causa do choque, durante quatro longos anos, Benik viveu preso e estudando dentro de casa, agora se vê pronto para começar o Ensino Médio, ma...
