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1. Portão 7

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- Não pai, eu não vou ficar, nem que você me implore de joelhos

Ele me encarava com seus suplicantes olhos, como quem diz "fica, eu preciso de você aqui" e eu apenas carreguei minhas malas até o táxi que havia chamado a meia hora atrás. O motorista me encarou com uma face triste, como se já tivesse visto mil cenas como essa. Eu apenas me sentei no banco de trás enquanto o motorista abrigava as malas e observei meu pai pela janela, sussurrando um adeus.


- Qual o destino, senhorita?


Eis a questão. Eu não sabia mais a quê estava destinada.


- Aeroporto Fort Worth, por favor


O caminho até lá pareceu uma eternidade. Assim que cheguei o motorista tratou de me ajudar com as malas e eu as carreguei desengonçadamente pra dentro do aeroporto, indo até um dos balcões fazer o check in, que demorou algum tempo, já que, era a primeira vez que fazia isso. Eu nunca pude andar de avião, nunca pude conhecer nada além de Giddings, uma pequena cidade no Texas da qual eu estava livre.


Nunca quis mudar minhas origens, nunca quis que todos os problemas levassem à minha saída do Texas. Não era como se lá ainda fosse a minha casa. Depois de pisar fora da cidade, percebi que eu mesma sou a minha morada. E eu posso estar em qualquer lugar, contanto que eu cuide de mim mesma.


Depois do check-in e do despacho das malas vinha a parte mais chata que era ter que esperar. Me sentei em uma daquelas cadeiras desconfortáveis e abri minha Bíblia na contra-capa aonde havia registrada uma declaração do meu pai: "Erin, hoje você completa 18 anos. Pensei em mil coisas que poderia te dar de presente pra arrancar um lindo sorriso do seu rosto. Então, porque não o livro de Deus? Aquele que lhe permitiu à vida para que pudesse fazer a minha mais feliz. Espero que goste do presente e cuide bem. Um abraço do seu pai". Sorri comigo mesma pensando no dia em que recebi o livro. Até ser interrompida pelo toque do celular. Atendi sem olhar quem era no visor.


- Alô?

- Ia embora sem se despedir de mim? - Reconheci a voz desde a primeira palavra dele

- Ia - Respondi dando de ombros como se ele pudesse me ver

- Você não perde esse seu jeitinho

- Queria que eu perdesse?

- Se você perdesse eu não te amaria tanto Erin

- Eu preciso desligar, Joe. Adeus.



Desliguei antes que ele respondesse. Não aguentaria ouvir um "Adeus" dele. Voltei meu olhar pra Bíblia e a guardei na repartição frontal da mala de mão. Tirei esse momento pra refletir o que faria na cidade mais movimentada da América, mas tive os pensamentos interrompidos pelo auto falante anunciando o número do meu voo. Meu destino estava na mão daquele portão 7.


Fechei meus olhos e contei até algum número aleatório que nem eu mesma prestei atenção. Segurei minha mala com firmeza e caminhei até o portão. Depois de embarcar, procurei meu assento e já havia alguém na cadeira ao lado. Era uma menina ruiva, que deveria ter aproximadamente a minha idade. Só me lembro de vê-la ao telefone antes que meu olho se fechasse.


Eu gritava desnorteada pelo nome de Joe como se ele pudesse me ouvir, e por mais incrível que possa parecer ele estava ali, coberto de sangue, e eu com os joelhos descansados no chão, observando minha mãe atirada ao meu lado. Olhei pra ele tentando entender o que estava acontecendo. E ele correu.


Despertei com o impulso do pouso, meio assustada. A ruiva me olhou receosa. Acho que ela se assustou por eu ter dormido tanto assim. Se pudesse ter assistido ao meu sonho, ficaria mais assustada que eu mesma.


Logo que tudo foi finalizado tratei de me levantar, pegando a mala e saindo pelo portão. Resolvi cada burocracia no aeroporto, e finalmente pude respirar o ar Novaiorquino. Caminhei rapidamente acompanhando o fluxo de pessoas que saíam do aeroporto e fui até a parada dos táxis. Dei o meu sinal, e assim que o mesmo parou fui interrompida por braços fortes e quentes se pondo na minha frente para abrir a porta pra mim. Encarei o ser parado ao meu lado e entrei em algum tipo de transe, que só foi interrompido quando ele se propôs a falar.


- Quer rachar o táxi?- Como assim?- De onde você vem não tem táxi?- Tem, só que... Espera! Está debochando de mim?- Não, apenas tenho pressa e preciso chegar logo na quinta avenida. Vamos?


Eu não fazia ideia de onde ficava essa tal de quinta avenida, mas ele era tão bom com as palavras que eu acabei assentindo com a cabeça em forma de sim e ele entrou me puxando pra dentro do táxi


- Quinta avenida por favor - Ele referiu-se ao motorista- Então... - O que?- Aonde fica essa avenida?- Como alguém vem à Nova Iorque sem saber sobre a avenida principal?- Como alguém pode me recepcionar de uma forma tão mal educada?- Perdoe-me, Darling. Como se chama?- Erin- Isso é nome de mulher?


Revirei meus olhos e o ignorei olhando pela janela. O dia estava bonito, e meu coração se ardia de esperanças por um bom recomeço. Não seria um estranho em um táxi que me faria perder a cabeça.


- Se quiser saber, me chamo Justin Bieber, mas pra você, só Justin.- Foi um prazer, só Justin.

Bad IntentionsDes histoires addictives. Découvrez maintenant