I- Knowing... Feelings

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Jeon estava cansado, havia passado a maior parte dos dias, - desde que saiu da faculdade -, procurando um emprego digno. Havia sido chamado para vários, mas nenhum que condizia com sua vocação, e, apesar de precisar muito de um, não estava querendo sair de sua zona profissional.

Estava começando a ficar desesperado e ponderando aceitar qualquer emprego que aparecesse em sua frente, e foi exatamente isso que fez assim que Kim Seojoon apareceu em sua vida dizendo precisar de um segurança particular a altura para confiar em mãos, sua maior preciosidade. Jungkook, claro, se animou com a ideia. Apesar de que no inicio estava crente de que "o bem mais precioso" de Seojoon fosse um de seus filhos, porém estava muito enganado em relação a isso.

Quando Jungkook chegou para seu primeiro dia de trabalho, teve que se conter ao máximo para não abrir a boca.

O lugar era como um castelo, e não parecia ser pequeno. A estrutura era realmente grande e os móveis eram velhos, apesar de muito bem cuidados, o que o fez pensar que existia alguém para cuidar de tudo ali. Apesar do lugar ser relativamente grande, haviam poucos cômodos, sendo eles diferentes e parcialmente vazios, o que era estranho para um lugar como aquele.

- Bom, espero que goste, porque ficará por aqui por um bom tempo, senhor Jeon.

- Me chame de Jungkook, por favor. - o homem assentiu, enquanto o ajuda com as malas.

- Certo. Alguma pergunta?

- Oh, sim. Tem mais alguém por aqui?

- Não se- digo, não há ninguém além de você aqui. - Somente assentiu com a cabeça. - Certo, então é isso. Eu voltarei aqui todos os finais de semana, ficarei por pouco tempo, o suficiente para que você possa sair, se precisar. E, o Sr. Kim deixou aqui...- pega um papel que se encontrava em seu bolso e o abre, entregando-o a Jungkook. - Uma lista com coisas bobas que você deve saber. Tipo; "fique de olho na estátua", "não saia de perto da estátua" e "Seja sigiloso com tudo que ver aqui". E é bom seguir todas as regras a risca, creio que você não queira um problema com o Sr. Kim. - Ele deu uma risadinha e se afastou. - Boa sorte com o trabalho.

- Obrigado. Vai ser moleza!

Após uma breve despedida, Jeon resolveu explorar o local completo. Ele sabia que ficaria por ali por um bom tempo, e seria bom se familiarizar com tudo logo. O fato de estar em um local desconhecido, afastado da cidade, antigo e que estava sozinho ali, o assustava um pouco. Mas seu corpo foi tomado por uma curiosidade extrema quando se deu conta de que ainda nem havia visto a dita estátua! Ora, ele estava ali para cuidar dela, afinal. Embora ainda se questionasse que tipo de problema Kim Seojoon poderia ter na cabeça para o mandar cuidar de UMA ESTÁTUA. Mas não reclamava, afinal, precisava muito do emprego e, se o mesmo fosse cuidar de algo que não tinha necessidade de ser cuidado, assim seria.

Tomado pela curiosidade, se moveu calmamente até o quarto em que ele descobriu ser seu através de Minjae, quando esteve ali mais cedo. Os móveis eram de cores escuras e as paredes eram da mesma cor, quase como se camuflassem um no outro.

No canto esquerdo havia uma pequena mesa com um computador antigo e um piano ao lado. Já no direito, havia uma cama de casal relativamente grande e um guarda roupa quatro portas. Um pouco mais afrente havia um grande lençol cobrindo algo, que Jungkook imaginou ser a estátua, e estava certo, pois logo após retirar o pano, se viu maravilhado com a visão que estava tendo.

Parecia alguém jovem e belo, se não fosse pela aparência de pedra e a total imobilidade, seria facilmente confundido com um humano comum. Claro, um incomumentente lindo, mas comum. Jungkook se surpreendeu com o fato de que tudo na estátua era chamativo e fascinante, ele não conseguia simplesmente desviar os olhos. Cada traço parecia ter sido esculpido por deuses, não havia nada tão belo para que pudesse comparar. Apesar das curvas que poderiam se encaixar perfeitamente em uma mulher, o corpo era claramente masculino. Era uma junção perfeita de características de ambos. Cabelos que pareciam ter pequenos cachos nas pontas, os lábios fartos e o nariz arrebitado eram delicados, e os olhos pareciam querer brilhar, mesmo que a estrutura rochosa não permitisse.

Estava, definitivamente, entendendo o motivo de o Senhor Kim quer que cuidasse dessa raridade.

- Nossa. - Não conteu a língua, afinal estava sozinho. Ou com uma estátua. - Não há nada que eu já tenha visto que possa se comparar a você. - Tocou a tez dura e áspera em um carinho suave. - Tão belo e fascinante. - O celular tocou e Jungkook se sentiu saindo de um transe. Arregalou os olhos. - Meu Deus, o que foi isso?

Saiu correndo atrás do telefone, que só depois lembrou-se de que o mesmo estava no bolso de sua calça, e atendeu.

- Alô?
- Jeon Jungkook?
- Quem fala?
- Kim Seojoon. Eu gostaria de saber se você chegou bem.
- Sim, senhor. Obrigado pela preocupação.
- De nada. Enfim, você já conheceu o Taehyung?
- Taehyung? Não, não tem ninguém aqui.
- Não seja burro, eu estou falando da estátua.
- Oh, a estátua! Claro, já conheci.
- Você leu minha carta, não leu?
- Sim. - Mentiu. Ele claramente esteve ocupado demais admirando a beleza implacável da arte de pedra que nem ao menos se lembrou dela.
- Ótimo, então você sabe que deve se manter quieto sobre tudo que acontecer aí, não é? Você assinou um contrato.
- Sim, senhor.
- Tudo bem. Me sinto mais tranquilo. Agora você pode voltar a fazer o que estava fazendo.
- Obrigado, senhor.

Assim que a ligação foi encerrada, Jungkook voltou a observar os traços delicados do rosto da estátua. Estava fascinado, não havia explicação para as palpitações fortes que seu coração dava sempre que ousava tocar na pedra. Ele sentia como se todo o ar sumisse de seus pulmões, algo que nunca havia sentido. Como... deslumbração a primeira vista. Mas não sentiu isso, nem mesmo com Jimin, seu namorado. E o amava. Tinha certeza de que sim.

Tentando se distrair de sua mente, decidiu arrumar suas coisas no armário, deixar aquele quarto com sua cara, já que passaria tempo demais ali. Passou horas planejando, mudando móveis de lugar, até mesmo pintou parte das paredes em que estavam descascando. Quando viu, já eram dez horas da noite, e não havia posto nada no estômago, nem ligado para o namorado. Sentiu-se mal, havia prometido ao alaranjado que o ligaria para dizer se estava tudo bem, visto que ele não estava nada contente com o novo emprego do Jeon. Até mesmo chegou a lhe oferecer para que trabalhasse para ele, assim não precisariam ficar longe um do outro, nem alimentaria suas inseguranças. Obviamente, Jungkook negou, alegando precisar mesmo sair do mesmo ambiente em que estivera por meses, e seria bom para seu currículo trabalhar com um dos caras mais ricos de toda Coreia.

Não foi fácil convencer o baixinho, mas no fim, tudo o que lhe restou foi aceitar. É claro, com muitas condições e perguntas, querendo mesmo saber se era seguro, visto que era um lugar muito afastado. Depois de conseguir alivia-lo, Jungkook deitou-se, exausto, e adormeceu pensando no quanto se sentia estranho.

PetrifiedWhere stories live. Discover now