Jonas acabara de completar trinta anos. Era casado há mais de uma década com sua namorada do ensino médio, Helena — seu primeiro e único amor. Juntos, tinham um filho de cinco anos, Pedro, que era a razão mais pura de sua felicidade.
Ainda jovem, Jonas conquistara um relativo sucesso com sua empresa de tecnologia. Recentemente, havia comprado a casa dos seus sonhos. Achava, honestamente, que não poderia estar mais feliz.
Mas um dia, ao chegar em casa, viu Helena em pé na sala, sorrindo — aquele sorriso que fazia seu coração pular uma batida. Pedro, ao lado dela, usava uma camiseta com os dizeres "Promovido a irmão mais velho". E naquele instante, Jonas soube: nada mais importava. Ele realmente estava no auge da felicidade.
Mas o que era sonho idílico se transformou, de repente, em um pesadelo dantesco.
E como são rápidas as quedas de grandes alturas — cortantes, silenciosas, sem qualquer chance de reparo.
Num dia, ela estava lá: linda, sorridente, com aquele brilho que só existe nas pessoas que sabem amar e ser amadas. No outro, estava pálida, chorando, suplicando:
"Por favor, Senhor, protege minha bebê..."
As palavras vinham entre soluços, enquanto uma poça de sangue escuro — quase negro — se formava entre suas pernas. Jonas segurava os dedos dela, como se pudesse impedir que se quebrassem os últimos fios de vida.
"Deus, se você existe, não tira ela de mim"
Mas ele tirou.
Levou Helena. E junto com ela, a breve promessa daquela pequena vida que, por poucas semanas, Helena jurava — com a certeza que só as mães têm — que era uma menina.
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O poema na imagem é da autora Rupi Kaur, do livro "Outros jeitos de usar a boca"
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Doce Mel
RomanceJonas tinha acabado de completar 30 anos quando perdeu o amor de sua vida, a única mulher que ele foi capaz de amar, que lhe deu um filho e toda a felicidade do mundo por mais de 15 anos. Agora outra pessoa, o único motivo de viver é Pedro, seu filh...
