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     Baekhyun ON

     Encaro o espelho um pouco frustado por não conseguir deixar meu cabelo do jeito que queria. Tentava de todas as formas lembrar do jeito que o Kyung deixava, que por sinal suspiro frustrado por aquele cabeçudo estar resfriado justo hoje. E também não sei nem por qual motivo eu estava perdendo meu precioso tempo tentando deixar meu cabelo apresentável, pois deveria continuar meus estudos, droga de exames finais. Recitando essa palhaçada várias e várias vezes, eu tento pela última vez deixar um leve topete. Reviro meus olhos irritado e me encaro novamente no espelho, olhando alguns detalhes de meu rosto pálido, olhos castanhos claros, um narizinho perfeito para o tamanho de meu rosto e a melhor parte: minha boca. Acho ela bonita, obrigado Deus por deixar pelo menos isso bonito em meu corpo. Desisto e bagunço meu cabelo.

     Kyung é meu amigo e companheiro de quarto, e escolheu hoje para me deixar na mão, já que pegou uma gripe. Ele tinha marcado uma entrevista com algum magnata industrial, que eu NUNCA ouvi falar, para um jornal estudantil. Fui forçado a me "voluntariar". Tenho uma pilha de livros para estudar, uma redação enorme para fazer e comparecer no meu trabalho esta tarde, mas não, deixei tudo de lado só por causa desse corno. E ainda sou obrigado a dirigir quase trezentos quilômetros até o centro de Seul a fim de encontrar o enigmático CEO da Park Enterprises Holding Inc. E até agora eu estou me perguntando como ele conseguiu marcar essa entrevista já que, com uma pesquisada rápida, esse empresário não tinha tempo para nada.

— Baek, me desculpa por isso. — Reviro meus olhos e o encaro.— Eu demorei meses para conseguir essa droga de entrevista, se eu desmarcar vai demorar mais uns seis só pra reagendar. Até lá nós dois estaremos formados. E como editor, não posso de jeito nenhum deixar essa chance passar. Por favorzinho...— Kyung me implora com sua voz mais rouca que o normal, por sua garganta estar inflamada. Como ele consegue fazer isso? Mesmo doente ele consegue ser atrevido e magnífico, com seus cabelos castanhos escuros e olhos também escuros brilhantes, embora esteja um pouco avermelhados e apresentar coriza nasal. Ignoro minha pontada de inveja.

— Fica tranquilo, Kyung. O que eu não faço por você, uh? Agora fica deitadinho e procura de agasalhar. Quer algum remédio?

— Uhum, por favor. Eu escrevi umas perguntas e ali está meu mini-gravador, é só apertar aqui que já começará a gravar. Não esquece de fazer várias anotações que eu faço o resto. 

— Kyung, eu não sei nada sobre aquele homem.— Murmuro, tentando não demonstrar o pânico que estava crescendo dentro de mim.

— As perguntas estão ai, seu cabeção. Agora você tem que se apressar ou irá chegar atrasado, a viagem é longa, Baekkie. 

— Ta, ta. Estou indo, não precisa limpar nada deixa que eu faço isso quando voltar. Fiz uma sopa pra ti, aproveita que ainda está quentinha. Só por sua causa eu estou fazendo isso, então é melhor você tomar essa sopa e me mandar mensagem falando que estava maravilhosa. — O encaro ternamente.

— Sabe que se eu não estivesse doente eu iria te bater, né? Anda, vai logo. Amo você, e obrigado por me salvar.

     Pego minha mochila, e dou um  sorriso irônico para o Kyungsoo. Suspiro e saio de casa, trancando a porta. Caminho até meu carro e entro jogando minha mochila no banco do carona. Não consigo acreditar que estava mesmo me metendo nessa loucura, mesmo sabendo que o outro iria me convencer de qualquer jeito, odeio esse lado dele. Tenho certeza de que será um jornalista excepcional. Ele é todo articulado, bem forte, muito persuasivo, extremamente argumentativo que chega dar dor de cabeça, é lindo e claro, é meu amigo.

     As estradas estão milagrosamente vazias quando parto em direção ao meu destino. O desgraçado disse que eu estou atrasado mas vejo que sai cedo demais. Dei graças que Kyungsoo me emprestou o seu carro, uma Mercedes C 180 Avantgarde, e eu tenho certeza que meu carro, velho, New Beetle 2007 não daria conta nessa longa jornada. Diversão pura quando as malhas escapam e eu piso fundo no acelerador. 

     Meu destino é a sede global da empresa do Sr. Park. É um edifício comercial enorme de uns vinte andares, todo de vidro curso e aço, uma puta estrutura arquitetônica, com Park House escrito discretamente em aço acima das portas de vidro dianteiras. Chego em torno de 13:40, e suspiro aliviado por realmente não ter se atrasado quando entro na enorme e, francamente intimidade portaria toda branca.

     Atrás do balcão se encontra uma loira, muito atraente e aparentemente jovem loira que sorri agradavelmente para mim. Está vestida um terninho carvão e uma camisa branca, mais elegante que eu já vi, e começo a me julgar mentalmente por não ter comprado um terno pelo menos apresentável. 

— Sr. Do? O Sr. Park irá recebê-lo. — Sorri amigavelmente e me entrega um crachá de segurança escrito VISITANTE muito firmemente estampado na frente. Não posso evitar a dar um sorriso mesmo não sendo o Do, não tinha culpa por aquela mula ter ficado resfriado e seu amigo ter ido no lugar. — Me acompanhe, por favor. 

     A jovem moça começa a andar e eu sigo indo em direção ao elevador, passando por dois seguranças que estão bem mais vestidos que eu, tive uma leve inveja dos ternos deles. O elevador nos leva rapidamente para o vigésimo andar. As portas abrem dando para o longo corredor, onde tinha uma única moça, também loira, por trás de uma mesa de arenito. Ela me pede para esperar uns segundos e me sento numa área acomodada por sofás de couro branco. Aproveito esse curto tempo para dar uma olhada rápida nas perguntas que Kyung elaborou, o amaldiçoando por não der me dado uma breve biografia. Não sei muita coisa sobre esse homem que estou prestes a entrevistar. Não sei nem sua idade. A ansiedade começa a me matar aos poucos, me deixando levemente irritado. Não sou o tipo de pessoa que fica confortável em dar entrevistas, prefiro coisas em anonimato. Para ser mais claro, não sou bom quando o assunto é olho no olho. 

— Senhor?.— Uma outra loira surge. Qual é desse lugar? Só existe loiras aqui? 

— Sim?.— Minha voz sai rouca e dou uma leve tossida, se a primeira impressão é que fica então eu estou lascado, não passei nenhuma confiança.

— Aceita algo para beber?

— Oh, não muito obrigado.

     Talvez o Sr. Park insista que todos seus funcionários sejam loiros, e me pergunto se isso seria legal ou não. Isso não tem nenhuma lógica.

— Pode entrar, Senhor Do.— Estou levemente tremulo tentando suprimir meus nervos. Me levanto tentando manter a calma, respirando fundo umas três vezes seguidas, algo que não passou batido pela funcionária que me deu um sorriso me deixando um pouco mais calmo.

꧁ Continua?꧂

Oi pessoal, espero que tenham gostado. Qualquer sugestão será muito bem-vindo. Curtam, comente e compartilhe para que eu possa continuar a escrever. Beijinhos. 

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⏰ Última atualização: May 12, 2020 ⏰

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