chapter two: niall and his two alphas

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[Harry]

Harry correu pelos corredores da faculdade, entrando em todos os banheiros que encontrava no local, desesperado por não encontrar o amigo em nenhum deles.

Virou em mais um corredor e correu os olhos pelo lugar, logo encontrando um alfa batendo desesperado em uma das portas fechadas.

-Vamos, ômega, sabe que posso ajuda-lo a fazer essa dor passar. -O sangue de Harry ferveu ao notar que o desgraçado usava sua voz de alfa* para convencer a pessoa dentro do banheiro mais facilmente.

Nojento.

-Vá embora, por favor. -A voz chorosa de Niall foi ouvida, dando a confirmação a Harry de que era realmente o ômega ali e junto com isso a "permissão" que o alfa precisava para interferir. -Por favor.

-Abra a por-

-Tenho certeza de que o senhor ouviu o que o ômega falou, então caia fora antes que eu mesmo o tire. -Styles rosnou, assustando o meia-raça.

-Eu não... Eu não estava...

-Fora!

O alfa saiu correndo do local, assustado pela possibilidade de entrar em uma briga com o lúpus.

-Ni? Ei loirinho, sou eu. Abra, uh? -A porta foi rapidamente aberta e Niall se jogou nos braços de Harry, chorando assustado pelo que havia acabado de acontecer.

O cheiro doce e forte demais fez Styles prender a respiração para conseguir retribuir o abraço.

Assim que o menor se acalmou um pouco, o cacheado o guiou para o carro, avisando que já tinha conseguido falar com Liam e que iria levar o loiro para a casa de Louis.

Niall apenas se encolheu no banco de trás, gemendo e se contorcendo com as insuportáveis cólicas.

***

Harry não se orgulhava de reagir ao cheiro que o pequeno ômega loiro exalava.

Bem, pelo menos o seu lado humano não. A sua parte meio lobo (muitas vezes completamente desprezada pelo alfa), estava gritando para que o cacheado atendesse ao pedido de Niall e o desse seu nó.

Mas não era o nó de Styles que o ômega queria, afinal, então o cacheado apenas estava respirando o mínimo possível e dirigindo o mais rápido que conseguia.

-Alfa, por favor. -Horan gemeu, baixinho. -Por favor, dirija mais rápido.

-Estou tentando. Juro que estou.

Um gemido desesperado ecoou pelo veículo novamente, fazendo com que, junto ao cheiro que o irlandês exalava, um alfa do carro ao lado rosnasse satisfeito e ameaçasse abrir a porta do  automóvel.

Harry imediatamente fechou as janelas e travou todas as portas, rosnando raivoso em resposta para que que o meia-raça não se aproximasse.

-Harry... -Niall chorou, se encolhendo no banco de trás. O som do rosnado alto o havia assustado. Teria assustado até mesmo em um momento normal, mas causou um efeito ainda maior naquele, no primeiro dia de cio.

Se ômegas já se sentiam intimidados pela presença de alfas normalmente, essa reação submissa se tornava maior durante a semana do cio, causando reações exageradas muitas das vezes.

-Sinto muito, ômega. Não foi minha intenção.

-Quero os meus alfas, Harry. -Se encolheu um pouco mais. -Quero Liam e Zayn.

-Eu sei. Sinto muito, eu sei.

Outro gemido de dor foi ouvido e Harry abriu apenas um pouco da janela para tentar respirar.

O choro no banco de trás se tornou mais intenso e Styles sabia que aquilo apenas iria piorar.

-Vou ligar para Liam. Estamos quase chegando na casa do amigo dele, sim? Quase lá.

-Por favor.

-Vai ficar tudo bem, Ni. Tudo bem. -Disse enquanto discava o número do amigo.

Talvez aromatizar o ambiente o ajudasse naquele momento, mas existia aquela possibilidade de apenas piorar a situação e ainda causar -essa não uma possibilidade e sim uma certeza- uma grande briga com Zayn e Liam, que não gostariam nem um pouco de ter o cacheado fazendo algo tão intimo com o seu ômega.

Harry descartou a possibilidade antes mesmo que pudesse pensar um pouco mais sobre.

-Onde diabos vocês estão? -Liam rosnou na outra linha, a conexão entre o rádio de carro e o telefone fazendo com que a voz de Payne invadisse o ambiente e Niall se acalmasse de imediato.

-Chegando, Payne.

-Amor. -Niall estendeu a mão trêmula, pedindo pelo telefone. -Amor, oi. Oi.

H entregou o telefone e aproveitou a pequena distração para poder apertar um pouco mais o acelerador e seguir as coordenadas que lhe foram dadas para chegar na casa do amigo de Payne.

Assim que viu o muro azul, suspirou e parou o carro, vendo Niall tropeçar para fora e correr para os braços de Liam, que apenas puxou o ômega para dentro da casa e fechou a porta.

-Poxa, nem um obrigado. -Styles resmungou.

-Você está reclamando da falta de um obrigado? Eu fui tirado da minha própria casa e obrigado a dormir em um hotel para os lobinhos transarem.—Louis rosnou baixinho, puxando a mala assim que um táxi estacionou em frente a casa.

O alfa se virou para ver de onde vinha a voz e quase foi ao chão.

Puta merda, porque ninguém o tinha dito antes que o tal Louis era a porra do homem mais bonito que ele tinha visto?!

-Louis, certo?

-Yeah. -Respondeu enquanto passava a mão pela franja. -Harry, não é? -Styles assentiu, apertando a mão estendida pelo ômega. -Finalmente o conheci. Gostaria de conversar, mas o meu gato. -Apontou para a caixinha de viagem em cima da mala. -Fica um saco se eu deixa-lo tempo demais dentro dessa coisa, então eu tenho que ir. Adeus, Harry.

E assim menor entrou no carro, acenando e não se importando nem um pouco com a feição abobalhada presente no alfa que deixou pra trás.

-Adeus, Louis.


Observações para facilitar o entendimento da história:

*Voz de alfa = tom de voz que alfas podem utilizar para meio que "convencer" ômegas a fazerem o que eles querem. É extremamente doloroso para ômegas (principalmente os lúpus) por machucar seus ouvidos. Você pode encontrar explicações diferentes da minha por ai (o que não quer dizer que alguma delas esteja errada), mas essa aqui é a do significado dentro desta história.

talk to me || l.s. aboOnde histórias criam vida. Descubra agora