"Loving him is like
Driving a new Maserati down a dead-end street
Faster than the wind
Passionate as sin
Ending so suddenly"
Nunca pensei que fosse me apaixonar tão perdidamente por alguém na minha vida como me apaixonei por ele. O rapaz da minha aula de teatro. Junhui.
Ele era a pessoa mais doce que conheci em anos, com um coração genuinamente puro e um comportamento alegre como de uma criança. Seu sorriso era a coisa mais linda que vira em anos, e seu corpo com certeza serviu como inspiração para muitas de minhas pinturas.
Me recordo até hoje da alegria que fora tê-lo em meus braços, em poder chamá-lo de meu, mesmo que fosse por algum tempo. Tudo fora tão forte, tão... avassalador. E acabara muito rápido.
Ama-lo fora o sentimento mais forte que já pude ter dentro de mim, e me recusava a esquecê-lo, como se tal ato fosse o maior dos pecados.
Aquele amor de verão, amor este que eu me entreguei como um fiel se entrega a sua religião, fora a melhor de minhas memórias da juventude. A mais alegre e ao mesmo tempo a mais triste.
"Loving him is like
Trying to change your mind once you're already flying through the free fall
Like the colors in autumn, so bright
Just before they lose it all"
Creio que deva estar se perguntando por quê nós terminamos se eu senti tanta coisa, não é? Veja bem, era um amor de verão, e como o próprio nome já diz, só dura o verão. Claro, algumas pessoas têm sorte, e esse amor dura por longos e longos anos, mas eu não me considero uma pessoa de grande sorte.
Jun sempre me lembrou a primavera: alegre, cheio de vida, colorido, um trevo de quatro folhas. E eu... Bem, eu estou mais para o inverno. Não que eu seja uma pessoa fria, mas sempre fui mais sério, recluso, e até um pouco "velho" demais para minha idade. Apesar de toda essa diferença de personalidade, sempre nos demos super bem. Ambos entendiamos as necessidades um do outro, e o respeito mútuo sempre nos ajudou muito nesse quesito.
Só não durou porquê, bem, não era para durar.
Sim, fora triste vê-lo sair pela porta sabendo que nunca mais o teria em meus braços, e a dor que veio junto com certeza fora a pior. Tudo fora como o outono naquele dia: cores vivas que se perderam gradativamente para entrar o frio que duraria meses.
"Losing him was blue like I'd never known
Missing him was dark grey, all alone
Forgetting him was like trying to know somebody you never met"
Aquele mês que se passou após o término fora horrível. Se pudesse colocar todo aquele sentimento angustiante em uma tela, com certeza usaria tons de azul e cinza.
Azul pois é uma cor primária e fria, e, naquela época, tudo que sentia se resumia a tristeza. Não que hoje em dia eu não goste da cor, não me entenda mal, eu a adoro, mas no momento seria a única cor que me parecia certa para expressar o quê estava sentindo. Além do fato de que, claro, era a cor favorita dele.
Cinza pois é uma cor que, para mim, representa exatamente o meio termo entre neutralidade e tristeza absoluta. Não é uma cor nem muito escura, nem muito clara. Representa a calmaria antes da tempestade, o aviso de que o quê está por vir vai ser feroz e avassalador e, quando vem, vai gradativamente clareando para branco, para a paz.
Fora horrível tentar superar tudo aquilo, esquecê-lo. Era como se tentasse, sempre em vão, esquecer alguém que nunca conheci. Impossível. Como se cada gota de tinta na tela não chegasse a resultado nenhum, uma obra inacabada, abandonada, sem sentido.
" Touching him was like
Realizing all you ever wanted was right there in front of you
Memorizing him was as
Easy as knowing all the words to your old favorite song
Fighting with him was like
Trying to solve a crossword and realizing there's no right answer
Regretting him was like
Wishing you never found out that love could be that strong"
Mas ao mesmo tempo que aquele mês fora cinza e azul, também fora um tom de violeta.
Eu tentei me arrepender de tê-lo namorado. Eu juro, tentei. Mas a única coisa que consegui me arrepender foi de ter descoberto que conseguia amar tão intensamente.
Era horrível a sensação de saber que Jun era tudo que eu queria, que precisava, cada pedaço dele gravado em minha mente como a letra de All the Small Things, minha música favorita.
As lembranças que vieram não eram todas boas, óbvio. Me lembrava nitidamente de todas as nossas brigas, da sensação horrível de nunca ter uma resposta para o que acontecia, do sufoco que era vê-lo sair, mesmo que tivesse certeza de que voltaria. Em geral eram assuntos bobos que poderiam ser resolvidos com uma simples conversa, mas nós nunca pensávamos desse jeito.
Observando com outros olhos, hoje noto como estávamos fadados ao final que tivemos.
"Remembering him comes in flashbacks
And echoes
Tell myself it's time now
Gotta let go
But moving on from him is impossible
When I still see it all in my head
In burning red"
Deve estar se perguntando se eu consegui, depois de tudo, seguir em frente. Bom, creio que a resposta esteja clara a essa altura: não.
As lembranças vem até mim em flashbacks, cada dia mais fortes e nítidos e, por mais que diga a mim mesmo que preciso seguir em frente, eu não consigo.
Te esquecer, Jun, sempre foi uma das coisas mais difíceis que já enfrentei em minha vida e, assim como te amar foi um tom de vermelho vivo, as memórias também são. Um vermelho que queima atrás de meus olhos e me faz sentir tudo de novo quando olho para esse quadro. Quando olho para você.
Tentar te esquecer é como se arrepender da altura ao pular de paraquedas. Como se arrepender da imprudência que foi dirigir em uma velocidade absurda ao notar que a rua é sem saída. Tentar te esquecer é como queimar no mais puro e vivo vermelho existente.
É impossível.
E eu espero que também seja impossível para você esquecer desses momentos. "
Junhui colocou a carta em cima da mesa e encarou o pacote que estava ao seu lado. Suspirando, o pegou, colocando-o sobre a cadeira e rasgando a embalagem que cobria o mesmo, ficando maravilhado com o quê via.
Lá estava ele, sentado em um píer, olhando para o mar enquanto o sol criava efeitos de luz e sombra em sua silhueta. A pintura tinha captado exatamente o quê tinha sentido nesse dia: paz, felicidade, amor. Tudo isso por culpa de quem estava presente ali na cena com ele, Minghao. O autor daquela pintura que o fizera chorar e sorrir ao mesmo tempo.
Pendurando o quadro na parede de sua sala, onde ficaria perfeito e poderia olhar sempre que pudesse, ele se afastou, colocando a mão no pequeno pingente que ainda usava desde aquela época.
- Eu também me lembro, Hao.
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Burning Red ( JunHao Oneshot )
FanfictionOnde uma lembrança de um amor passado pode ser difícil de se esquecer. Ou Onde Minghao, cansado de carregar aquelas lembranças sozinho, contata seu antigo amor.
