26 3 2
                                        

Era manhã, embora houvesse uma espessa neblina inundando os troncos das enormes árvores da floresta, bloqueando maior parte dos raios de sol. Vagarosamente, o mapeamento ia se formando na mente de Robb, que tentava encontrar uma árvore na qual fosse possível extrair sua madeira para se aquecer em sua minúscula cabana. Já se faziam horas que ele estava rodando o bosque, onde ele mal podia ver cinco palmos à sua frente. De maneira estranha, Robb sentia-se observado, e até atiraria sua cabeça às chamas para jurar, se não tivesse sido exilado e o vilarejo mais próximo ficasse a 4 dias dali. Ele ignorou sua intuição, achando que era coisa da neblina, ou pior, da falta de outros humanos. Disto ele sentia falta, ah sim. Deixe-me lhe dizer, talvez eu tenha passado a impressão errada de Robb. Robb Três-Dedos tinha desenvolvido gostos que para nós, são incompreensíveis. Ele e mais dois homens foram enviados para além das Fronteiras Montanhosas de Invernesse a comando do Rei Vynn, onde ao ficar sem suprimentos, batalharam até a morte, sendo Robb o vitorioso, perdendo apenas dois de seus dedos da mão esquerda. Como prêmio, pode esbaldar-se no corpo de seus ex-companheiros, com a fome temperando a carne rígida dos dois homens. Três-Dedos retornou para a vila, mas não para casa, pensando se a carne humana era mesmo tão saborosa quanto lhe tinha parecido naqueles dias. Foi então que cometeu seu primeiro assassinato e degustou de novo. E de novo, e de novo. Essas memórias não o agradavam, estava tentando deixar seu vício de lado. Já estava ficando mais escuro quando Robb finalmente coletou madeira o suficiente para duas noites. Novamente a sensação de olhos na névoa começou a consumir seu corpo, fazendo seus pêlos do braço se erguerem todos ao mesmo tempo, mas ele fez o máximo que pôde para ignorar e voltar para sua cabana. Sua sopa de cogumelos e ervas borbulhava na tigela com um vapor sufocante, porém agradável no pequeno casebre. Ao término de seu jantar, Robb descansava em sua cama, apreciando a estranha música que o vento tocava ao atravessar as frestas de madeira da cabana e observava a pintura de uma pessoa à paisagem noturna. Por um minuto, se perguntou de onde ela veio, mas logo ignorou e decidiu dormir. Manhã novamente. Era um dia ensolarado dessa vez, com poucos indícios de nuvens no céu. Na cabana, havia um silêncio de três partes. O mais silencioso dos três era da pintura, que à luz do dia se mostrava ser, na verdade, uma janela aberta. O segundo, das cinzas da lareira em forma de pegadas por toda a cabana. O terceiro silêncio vinha das gotas de sangue que escorriam e pingavam pela cama, sendo esse o mais altos dos três.

JanelaWhere stories live. Discover now