Conhecer pessoas no ambiente de trabalho pode parecer algo bem comum. Fazer novos amigos sempre é bom. Exceto quando as amizades tomam proporções muito maiores e o afeto acaba virando sentimentos mais fortes. Esses sentimentos, quando não correspond...
O ano era 2009. O mês era Março. O dia eu não me lembro. Mas era dia de semana. Isso eu tenho certeza. Digo isso porque voltávamos do trabalho, Ricardo, Jacqueline e eu.
Ricardo era um cara de estatura e porte medianos: Mais ou menos 1,75m, uns 70kg, olhos verdes, nariz arrebitado, cabelos negros e lisos, que ele quase sempre usava num topete. Não sei se ele tinha essa noção mas, as meninas do trabalho achavam ele um gato. Ricardo falava fino e isso era engraçado nele, principalmente quando ele se empolgava com algo. Outra característica marcante era o quão ruborizado ele ficava quando tinha crises de riso. Não acontecia com frequência. Mas quando acontecia, era engraçado. Manjava muito de informática e todo tipo de coisa relacionada à computadores. Namorava há uns quatro anos com Daiana. E ele foi o maior exemplo de fidelidade que eu já vi nessa Terra. No desenrolar da história você me dará razão.
Jacqueline era baixinha e fortinha. Tinha aproximadamente 1,60m; talvez um pouco menos. Não sei seu peso ao certo porque esse tipo de coisa não se pergunta para as mulheres. Mas ela era bem rechonchudinha. Tinha também o narizinho arrebitado e um belo e mordível par de bochechas que dava á sua boca um contorno único. Cabe talvez dizer ainda que ela era dona de um enorme par de seios e de uma bela e grande bunda. A propósito: sou fã de Bukowski, Machado de Assis e Jorge Amado. Então as descrições femininas serão bem ricas em detalhes, principalmente quando eu for falar de suas bundas e peitos. Se você, caro(a) leitor(a) não gosta desse tipo de abordagem, siga para o próximo autor por gentileza e poupe nosso tempo. O autor aqui agradece! Passada esta peneira, continuemos... Jacqueline era tudo isso. Tinha cabelos curtos e cacheados. Eram de um vermelho meio desbotado na raiz e ela, volta e meia, usava um boné azul piscina. Era casada há uns anos com Talita, moça que vim á conhecer tempos depois.
Quanto á mim, não há nada de muito interessante (e essa falsa modéstia, eu sei, é um dos piores clichês do mundo): Sou um cara magro, baixinho para o padrão masculino - á saber - 1,68m. Tenho cabelos e olhos castanhos. Costumava dizer (e ainda uso essa frase sempre que tenho chance) que sou baixinho, feio, magrelo e narigudo. Sim, meu nariz é bem indiscreto. Á época, desfrutava de toda a vitalidade dos meus 23 anos. Não me lembro das idades dos meus colegas. E á propósito: me chamo Ricardo também.
Nessa hora suponho que você, caro leitor, deve pensar: "Mas que criatividade de bosta, hein! Dois personagens com o mesmo nome!"
Bem... reclame com Deus. Não tenho culpa que existem homônimos. E além do mais, vale dizer que as melhores histórias não sou eu que crio. É a vida que me dá. Eu só tenho o trabalho de colocá-las no papel.
Para diferenciar os dois Ricardo's, como eu sempre fui o menor, todos me chamavam de Ricardinho ou Rickzinho. Fique a vontade para escolher o que achar melhor.
Pois bem... O mês era Março e o ano era 2009. Trabalhávamos os três em uma grande empresa de Call Center na Lapa de Baixo, bairro bem mais ou menos de São Paulo. Prestávamos atendimento para uma grande marca de aparelhos celulares. Era mais ou menos umas nove e trinta da noite quando entramos na estação de trem indo para casa. Normalmente vinhamos conversando sobre coisas relacionadas ao trabalho: Algum cliente full pistola que ligou, ou algum cliente muito leigo que fez um atendimento simples levar horas. Coisas do tipo.
Passadas as catracas da estação, caminhamos para o nosso lado direito como de costume porque havia um lugar específico da plataforma onde sabíamos que pararia uma porta específica que já nos deixaria de frente para a escada rolante na estação em que desembarcaríamos. O bom proletariado, senhoras e senhores, sabe os macetes do transporte público.
Caminhando pela plataforma passamos por um grupo de pessoas que estavam aglomeradas em um dos bancos, sorrindo e falando alto. O falatório meio que se justificou sozinho quando alguém desse grupo gritou "É TRUCO!!!!" De imediato Jacqueline respondeu: "É SEIS!!!" Em meio á gargalhadas e logo na sequência alguém do grupo respondeu: "É NOVE!!!"
O leitor que joga truco entendeu o que estava acontecendo. Se você não joga e ficou boiando, calma: No momento oportuno vou lhe explicar sobre o jogo. Todo mundo riu e continuamos caminhando pela plataforma.
- Caralho, Jac! Como você é idiota! - eu disse rindo.
- Ah, Rick... - Disse Jacqueline sorrindo - Eu nunca fujo quando pedem TRUCO!
Continuamos rindo da situação quando Jacqueline comentou: - Vocês viram o tamanho da ruiva?
- Que ruiva? Antes que eu terminasse de perguntar, Ricardo me deu um tapa na cabeça e disse: - Tá dormindo, moleque? Até eu que sou comprometido reparei!
Olhei de volta para o grupo que jogava truco e, de fato, havia ali uma mulher de pé, muito alta. Muito mesmo. Arrisco á dizer que devia ter seus 1,80m. Era alta, mas extremamente proporcional. Era branca, cabelos vermelhos, mais ou menos na altura dos ombros. Usava uma blusinha preta bem soltinha, que trazia duas alças fininhas. Uma delas inclusive caia pelo ombro direito. Vestia também uma calça jeans cinza claro e coturno. A vi de costas, então, não consigo precisar como era seu rosto. Mas ainda assim, do ângulo que vi, parecia realmente bem atraente. E isso justificou inclusive a brincadeira de Jac ao passarmos pelo grupo.
Jacqueline era casada. Mas pense numa menina que gostava de meninas. O "seis" que ela gritou, no mínimo, foi para chamar a atenção da ruiva. Se deu certo ou não, conto mais para frente.
Enquanto essas conclusões permeavam minha mente provocando um sorriso cúmplice (Sim, eu achava genial a forma como Jacqueline "sutilmente" chamava a atenção das meninas que ela queria), Ricardo chamou nossa atenção para uma história que eu nem me lembrava mais.
- Essa ruiva aí é aquela da história do ônibus que eu te contei! - disse - me.
- História do ônibus? Já quero saber que história é essa! - Disse Jac, lançando para Ricardo, um olhar malandro.
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