CONFUSÃO

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Em um dia nublado, o ar frio da cidade tomava conta de mim. Não sabia ao certo a hora, mas creio que passava das 21 horas. Estava confuso, perdido em meus próprios pensamentos.
"Que dia é hoje? Como vim parar aqui? O que aconteceu?" Perguntas que eu não sabia responder. Procurei alguma pista do que havia ocorrido, olhei de um lado para o outro, mas nada havia em volta — até que me deparei com um nome escrito em minha mão: "Charles". Seria o meu nome? Ou da pessoa que me colocou nessa situação?

Perguntas e mais perguntas surgiam, enquanto eu caminhava por aquela cidade grande e vazia, sem saber ao certo para onde estava indo. Mas aquele nome não saía da minha cabeça.

Depois de algum tempo andando sem rumo, fui abordado por um rapaz alto, de cabelos longos e sotaque britânico. Ele me questionou:

— James, te procuramos por todos os lugares! Onde você estava?

— James? Este é meu nome? — pensei, olhando perplexo para aquele homem, tentando reconhecê-lo, mas nada vinha à minha mente. Apenas o nome escrito em minha mão me perturbava. Se não era o meu, de quem seria?

— Sim, este é o seu nome. Você está sumido há anos. Onde esteve?

— Não lembro... mal consigo recordar meu nome, quanto mais o que faço aqui. Mas me diga: quem é Charles?

O rapaz me olhou atentamente e respondeu, com um tom de tristeza na voz:

— Charles... era seu filho. Morreu defendendo você, em um confronto com traficantes, na divisa do rio Ribeirão com o rio Washington. Isso já faz dois anos — o mesmo tempo em que você desapareceu.

— O quê? Dois anos sumido? Não é possível... Qual foi o último lugar onde me viram?

— Foi antes desse trágico incidente. Não encontraram nenhum vestígio seu, do seu filho e nem do seu pelotão, capitão. Depois desse dia, ninguém mais teve notícias suas.

— Pode me dizer qual era o motivo da missão? Talvez assim eu consiga me lembrar de algo mais.

— Você e seu pelotão foram enviados para uma missão de paz em uma aldeia indígena, que havia sido atacada por um grupo de traficantes.

James o interrompeu:

— Estou me lembrando... Nós chegamos lá e, por incrível que pareça, eles já estavam nos esperando. Alguém havia nos traído. Lembro apenas de poucas imagens, como pequenos flashes.

— Exatamente. E, por incrível que pareça, até hoje esse caso não foi solucionado. Mas você não se recorda de ninguém? Alguém que poderia ter feito isso?

Tentei forçar a memória em busca de algo, até que me veio à mente um fragmento de conversa com meu filho:

— Conversávamos sobre um homem de cabeça raspada, por volta dos 30 anos, com olhos verdes.

O rapaz arregalou os olhos.

— Não é possível... ele... ele apenas...

— O que não é possível? Não gagueje, homem! Me responda!

— Nada demais... ele apenas desapareceu junto com você. O nome dele era...

De repente, uma sirene soou, interrompendo a resposta.

O Mistério de CharlesStories to obsess over. Discover now