Eu morri?

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Desolado

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Desolado.

É essa palavra. Uma simples e única palavra que descreve como estou me sentindo agora. É algo que não desejo nem para meu maior inimigo, ou para o amante da pessoa que eu mais amei no mundo.

Neste exato momento me encontro sentado em um banco qualquer, me entupindo de rosquinhas, com o mundo caindo sobre minha cabeça.
Idiota. É isso que eu sou, um grande idiota por não ter percebido os sinais, ou eu simplesmente não queria enxergar o que estava escancarado na minha cara, talvez um mecanismo de defesa para me poupar de uma dor quase insuportável provocada pela minha mente, que está afogada em pensamentos horríveis.

Um relacionamento que durou cinco anos jogado fora por um simples motivo, medo de magoar um ao outro. Não sei dizer exatamente quando nós paramos de ser aquele casal amoroso, atencioso, tudo de bom que você possa imaginar, para nos tornarmos somente pessoas e não mais um casal, somente pessoas que se amaram muito, mas agora não mais. Deixamos cair na rotina, nós não dormíamos mais na mesma cama, sem contar os dias em que Link ficava até tarde no "trabalho" e eu nem via-o chegar.

Link, esse é o nome que no momento me causa mais dor, não a dor de ser traído, mas sim por algo tão bom ter acabado, algo que me proporcionou momentos inesquecíveis, momentos onde esquecia tudo a minha volta e só eu e Link importávamos, pois nos amávamos mais que tudo, mas como tudo que é bom, alguma hora acaba, essa hora é agora.

Paro um instante de comer as rosquinhas, que momentos atrás me traziam algum conforto, e só sinto a chuva correndo pelos meus fios, como se lavassem minha mente, me distanciando um pouco destes pensamentos sufocantes. Só aproveito o momento sem me importar com o que vem depois.

Olho ao meu redor, pessoas caminhando com seus guarda-chuvas, para se protegerem das gotas pesadas que despencavam dos céus.

Viro o rosto e me deparo com a praça principal da cidade, onde sem tetos dormiam cobertos por papelões e pessoas tão serenas e leves caminham pela praça.

Decido me levantar e colocar fora meu saco de rosquinhas, que agora só havia migalhas dentro, parece que eu fiquei boas horas sentado com meus pensamentos, comendo e refletindo como a vida é imprevisível. Uma hora você tem tudo e não outra não te resta nada.
Após isso passo as costas da minha mão em meu rosto, limpando os restos de alimentos em minhas bochechas rosadas, e pelo choro recente, limpo meu nariz que agora escorre.
É, não foi uma boa escolha refletir sobre a vida sentado sob um banco na chuva durante o inverno. O inverno em Busan é lindo, mas também é muito rigoroso.

Já sem o saco cheio de restos de rosquinhas e todo encharcado pela chuva, decido dar uma volta pelo parque para esvaziar a mente.

Que duvido muito que dê certo!
Mas o que custa tentar?

Passo rapidamente os olhos pelas árvores cobertas por geada, e abaixo de meus pés há uma neve densa.
Ah! Se eu pisasse em falso, adeus para o meu quadril.

Dois já é de mais.Stories to obsess over. Discover now