Não se pode viver uma nova história quando as sombras do passado ainda se faz presente em sua vida.
Assim vive Paola e Clara lutando para seguir em frente. Cada uma com histórias diferentes, mas o que tem de igual nisso é que ambas não conhece o pa...
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O distanciamento não é uma fuga ou um desrespeito com o outro, mas uma maneira de reconstruir sua autoestima e ressignificar essa pessoa na sua vida. É triste admitir, mas nem sempre as pessoas que amamos nos fazem bem.
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Sabe aquele peso nos olhos que parece preguiça, mas, no fundo, é só a falta de vontade de encarar mais um dia? Era exatamente assim que eu me sentia. Permaneci com o rosto afundado no travesseiro por alguns instantes, como se ignorar a manhã fosse suficiente para fazê-la desaparecer. Mas o sono já tinha ido embora. Quando finalmente me rendi e abri os olhos a claridade invadiu o quarto e me atingiu como um tapa.
- Só pode ser a Paola... - resmunguei contra o lençol. - Essa mania de deixar a cortina aberta.
Virei para o outro lado da cama e encontrei exatamente o que esperava: o vazio.
O lençol estava liso, frio, sem o menor vestígio de que alguém tivesse passado a noite ali. Era um detalhe pequeno, quase insignificante, mas que dia após dia vinha me incomodando.
Paola sempre foi assim, bastava o primeiro raio de sol atravessar a janela para ela saltar da cama, engolir uma xícara de café e desaparecer porta afora. Sem despedidas. Sem hesitação.
Respirei fundo antes de afastar o cobertor. Meus pés tocaram o chão frio e o resto do corpo apenas os acompanhou, obedecendo a uma rotina que já não exigia esforço para ser lembrada. Havia algo estranhamente melancólico na forma como a vida se repetia. Acordar. Conferir as horas. Lavar o rosto. Preparar o café, repetir. A vida estava tão no piloto automático que qualquer mudança pequena virava um evento. Ou talvez fosse a falta dela que deixasse tudo mais evidente.
Quando entrei na cozinha encontrei um pequeno consolo.
- Pelo menos ela deixou o café... - murmurei para o silêncio da casa.
A cafeteira ainda estava pela metade, o líquido escuro fumegava discretamente espalhando um aroma forte, quase agressivo. Era o café que Paola gostava de beber: intenso, amargo e sem concessões. Durante muito tempo achei impossível gostar daquele sabor, mas de tanto dividir as manhãs com ela, havia aprendido a aceitá-lo. Assim como tantas outras coisas.
Depois do café liguei para minha amiga, que se eu a conhecia bem, ainda devia estar roncando e babando no travesseiro.
Um toque. Dois. Três.
Só na quarta resolveu atender.
- Quem foi que morreu para você me ligar uma hora dessas e atrapalhar meu sono de beleza? - berrou do outro lado da linha.
Como eu já esperava aquela recepção calorosa, afastei o celular do ouvido antes que meu tímpano pedisse demissão.
- Para de drama, Prih. Já são quase dez, isso não é hora de dormir. A gente tem faculdade.