Já fazia alguns dias que ela estava na estrada a caminho da árvore anciã, Miladrusa acordou com um feixe de luz no rosto, ela pegou no sono em uma das pausa que fez para o almoço. "Ah, droga! Vou ter que passar a noite caminhando para chegar a tempo!" pensou enquanto arrumava as coisas para seguir viagem. Acontece que ela gosta de andar como se o mundo tivesse parado no tempo, e acredita que tudo ali devia e valia ser contemplado, os animais selvagens, as plantas, os insetos, a menor das vidas que passa despercebida, até as grandes que nos assustam.
Enquanto o dia se põe ela continua fazendo a trilha em direção a grande Figueira branca que unia todos os espíritos da floresta em um só. Ela está retirando galhos e folhas da longa trança que tinha feito em seu cabelo, enquanto canta músicas de outono, as mesmas que a mãe cantava para ela. Não precisa fazer silêncio, nunca temeu a floresta, a floresta era o cerne de tudo que ela era, a família, a tribo, seus poderes, tudo tinha origem naquele chão, então ela cantava sem medo dos fantasmas que poderiam estar escondidos na escuridão que dela aproximava a cada passo que dava.
–No alto da árvore moram os espíritos da floresta,
No outono eles se juntam com os vivos para comemorar;
É o que resta!
Dance como os mortos como se fosse uma festa,
Comemore com seu amante de forma honesta!
Como quem comemora com os mortos na floresta,
Assim eles nos darão uma mesa farta!
Comemore com seu amante o que lhes resta
Antes que o inverno chegue e ele parta [...]–
Sua cantoria é interrompida por um ruído longe, já estava escuro e a visão não é a das melhores já que seu sangue humano prevalecia, ela acende uma tocha e vai ver o que tinha na direção dos ruídos, "Deve ser um lobo!".
Ao chegar no local viu uma idosa, de longos cabelos grisalhos e secos, que mesmo em agonia tinha um olhar gentil, ela chora muito, está com o pé torcido. –Por favor, minha garotinha, me ajude por favor!– Disse
Miladrusa ao ver o pé já tinha começado a tirar o equipamento da bolsa, prontamente ela pega um ungüento e algumas faixas. Antes de começar a tratar o machucado ela coloca a mão do braço da senhora, faz um carinho acolhedor, e sorri gentilmente. –Vai ficar tudo bem! Prometo que amanhã a senhora já estará caminhando.–
A senhora resmunga enquanto a jovem mulher massageia seu tornozelo. Vendo isso Miladrusa começa a ficar inquieta, não gosta de ver o sofrimento dos outros. –Então, qual seu nome? Eu me Chamo Miladrusa, Miladrusa Dariek!–
A senhora olha por um tempo pro rosto de Miladrusa, a jovem tenta ler sua expressão, mas ao fazer isso uma brisa passa pelas suas longas orelhas ,remanescente de seu sangue élfico, e faz com que ela se arrepie e pare de tentar desvendar o olhar da idosa. – Eu já perdi meu nome a muito tempo, minha criança.– diz quase sussurrando a idosa
A jovem sorri de forma muito carinhosa e gentil. –Mas eu tenho que te chamar por algum nome. Você gostaria de ter algum? –
A idosa volta a ter um olhar gentil, e sorri também, seus dentes são amarelos, com partes enegrecidas. –Você pode me chamar de Eoterm, criança.–
Ela para as massagens e começa a enfaixar o tornozelo e pé da idosa.–É um belo nome.– Ao terminar Miladrusa faz um amontoado de folhas para manter o pé da senhora mais alto.
Logo acende uma fogueira e começa a fazer um chá para acelerar o processo de cura.
–Minha criança, que bem pergunte, o que uma garotinha indefesa faz numa floresta escura e perigosa? –
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O Canto das Estações- Inverno
FantasyUma jovem druida é escolhida para uma difícil missão, que irá trazer tantas bençãos quanto maldições. A história começa quando ela perde repentinamente tudo e todos que conhece, e acaba tendo que explorar um mundo novo que não a recebe bem. Um univ...
