A vida não poderia ser mais complicada pra mim do que ter várias coisas pra fazer. Seria mais fácil se eu virasse o cara do programa de tv, o Flash, e fizesse tudo em um só segundo. Imagina como seria muito mais fácil a sua vida? Quem me dera se tivesse esse poder...
Acordar cedo é um saco, eu sei. Mas já viram como é um saco acordar cedo, se arrumar, ir para o colégio, ser zoada — o que era basicamente, todos os dias —, tentar fazer amizades e acabar sendo magoada, ou melhor... você se apaixonar por um garoto lindo o bastante para te iludir? Então, acho que eu estou contando a minha história.
Era apenas 5h06 da manhã, quando Caleb — meu melhor amigo gay — entrou no meu quarto jogando uma maleta de maquiagem e algumas roupas em cima da minha perna. Confesso que Caleb é bem ansioso para esse tipo de coisa: primeiro dia do primeiro ano do ensino médio. Paciência com certeza não era o forte dele.
— Você tem alguma tipo de problema que eu não sei? — perguntei, sentando na cama e tentando conseguir um pouco de consciência que restava em mim. Quando alguém me acorda do nada, geralmente é difícil eu me recuperar. Estar sonhando com algo bom e... puft! Acordei olhando uma assombração toda maquiada pelo primeiro dia. Tinha outras maneiras de acordar, por exemplo: abrir os olhos e enxergar todo o seu quarto, abrir os olhos e dar de cara com o despertador ou simplesmente algo que te faça acordar; teu melhor amigo gay com uma calça jeans apertada e uma blusa curta colada em seu peitoral.
— Talvez, Lucy. — ele sorriu — Mas acorda pra vida, garota! Hoje é o nosso dia. Está lembrada não?
— Ah, hoje é o dia da minha morte? Eu devo ter esquecido. — tentei fazer um sarcasmo, mas o que resultou foi seu rosto ficando vermelho quando estava com raiva e revirando os olhos. — Desculpe. — eu ri.
— Não tem graça, Lucy, vamos logo. Levante-se, toma banho e senta nessa cadeira pra eu te arrumar.
Fiz o que ele pediu. Entrei dentro do banheiro dando de cara com meu cabelo super bagunçado e no canto da boca cheio de baba. Tirei meus trajes e entrei pro banho. Depois do banho, coloquei uma toalha em volta dos meus seios e das minhas axilas fazendo com que não caísse a toalha. Quando sai do banheiro, Caleb pegou uma das roupas que jogara na minha perna e me mostrou. Era um vestido rosa choque que não tinha alça e que ia até as coxas.
— Isso é super curto, Caleb! Não vou usar isso não. — disse eu, sentando na cadeira e esperando outra peça de roupa. Ele revirou os olhos como sempre quando eu rejeitava uma das suas opções de escolhas.
Ele colocou na cama e pegou outro. Era uma blusa curta transparente e uma saia curta preta. Ele gostava demais de coisas curtas para chamar atenção dos garotos.
— Lucy, você tem que ir de algo. Não pode ir pelada, garota. — disse ele, sem um pingo de paciência.
Fui até o meu armário, pegando um jeans, uma blusa preta de manga longa e meu tênis. Era tudo o que eu precisava e pronto! Nada de vestidos, saias e blusinhas de criança. Passei um gloss com gosto de morango e fiz uma trança esponjada de lado. Ele sorriu e me atirou a minha bolsa no ar que logo peguei. Descemos até a porta de entrada sem fazer um pio.
Quando estávamos em uma lanchonete, olhei para o meu relógio de pulso que marcava 6h00.
— Que café você vai querer, Lucy? — perguntou Caleb, tirando dinheiro do bolso.
— Acho que de café com caramelo, por favor. — respondi, já querendo aquilo para bebericar até o caminho do colégio.
Logo ele pediu o mesmo que eu e damos o fora dali. Caminhamos bebericando todo o café, conversando e rindo sem parar. Chegando no colégio, tinha um estacionamento enorme e o colégio era ainda mais. As paredes eram de tijolos, as janelas tinha bordas brancas e a porta de entrada também. Andávamos e meu olho foi diretamente em um carro passando quase me atropelando. Era azul e sua marca era Porsche. Quando um garoto da minha idade estacionou o carro e saiu, seus cabelos pretos e seus olhos, o formato do seu rosto e seu peitoral que quase estava exibido naquela camisa branca, uma jaqueta de couro preta, um jeans e um tênis vermelho vinho, me chamou atenção. Mas logo depois, saiu uma garota de cabelos castanhos e o formato do rosto oval. Ela usava o mesmo vestido que Caleb me mostrou. Porém, sendo azul e cheio de babados. Ela colocou o braço do garoto em volta de seu pescoço até em seus ombros largos. Foi aí, que ele me olhou depois de ter colocado seus óculos escuros.
— Oh não, Lucy! Não olhe, é o Jack! — alertou Caleb, que logo virou meu corpo para outro lado.
— Aquele era o Jack? Jack do ensino fundamental? Aquele que "meio" que namorei? — perguntei fazendo no ar com os dedos o sinal das aspas, incrédula.
Ele assentiu. Eu fiquei chocada o quanto ele ficou um gato. Era impossível ser Jack. Não que eu não acreditava na possibilidade das pessoas se tornarem bonitas ao longo dos anos... Mas ele ficou, esplêndido. Ele é o colírio para os meus olhos.
Tornei a caminhar sem olhar para ele, apenas para o chão e.. talvez para a frente. Senti os olhos de Caleb me olhando fazia tempo.
— O quê, Caleb? — perguntei, fazendo com que ele olhasse para outro lado fingindo não estar olhando. — Não posso aceitar de que, Jack está diferente?
— Você superou ele, amiga? — ele perguntou já sabendo um pouco da resposta.
— Talvez no fundo ele sempre estava ali. Só não despertei de novo esse sentimento, Caleb. Acho que ele nunca saiu dali, só permaneceu bem no fundo o bastante para eu não conseguir trazer de volta.
— Segue em frente, amiga!
Eu ri. É, eu deveria seguir em frente. Jack seguiu, porque eu não podia também? Me fiz de brincalhona, dando um sorriso e contando piadas exageradas para Caleb. Entramos dentro do colégio, e fui direto para o meu armário colocando os números corretos para abrir. Peguei um caderno cor de pêssego e me olhei pro espelho. Bem atrás de mim, tinha Jack e a garota dando uns beijos. Achei aquilo nojento. Quem dera aquela boca dele estivesse colada na minha...
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Eu Fugiria Com Você
RomanceLucy tem sua vida planejada. Ensino médio, trabalhar em uma lanchonete e ganhar dinheiro para a faculdade, não namorar, se dar bem com a família, ser amigável, e futuramente, ter um bom emprego. Mas isso pode mudar quando se trata de um garoto de ca...
