Para Sempre Teu - Capítulo Único

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Quando te vi foi como ver o nascer do Sol pela primeira vez. Foi como provar um pedaço do céu. 

Não vou dizer que não sabia da tua existência, cruzámo-nos algumas vezes em festas. Estavas sempre acompanhado daquele teu amigo baixinho de traços amistosos.

Claro que nunca te dei aquela importância, não como naquela tarde que passámos a sós. Não me permiti apreciar os teus traços, esse teu sorriso peculiar ou o tom invejável da tua pele. Não era minha intenção tirar-te aquela fotografia, estavas no plano e só me dei conta disso quando ia trabalhá-la no computador.

Estavas lá, cheio de um sorriso imenso e posso dizer-te que naquele momento jurei tratar-se de um anjo. Fiquei admirado e passei horas a contemplar aquela foto. Depois desse dia eras a única pessoa em quem reparava pelos corredores da escola. 

Roupas largas, todos os dias uma gravata diferente e sempre acompanhado do tal baixinho.

Invejei-o em segredo pela proximidade que tinha contigo porque, de uma forma inexplicável, eu também a almejava. 

Descobrir o que guardavas na tua playlist, se acreditavas em superstições e conhecer o verdadeiro som da tua voz.

Descobri, mais tarde, a que curso pertences e devo confessar-te que fiquei surpreso quando descobri que era Medicina. Foi uma surpresa tendo em conta todo esse lado artístico que te compõe, desde os fios tingidos de cores vibrantes às roupas adaptadas que acredito que tu próprio produzias. E admito que esse facto apenas aumentou o meu desejo em descobrir mais e mais de ti e talvez daí tenha surgido a coragem de procurar-te no Instagram.

Não te segui, na minha cabeça o melhor seria manter o anonimato. A ideia de saberes quem sou por momentos pareceu-me, por mais que nada de mal estivesse a ser feito, aterradora. No fundo nem eu sabia o que fazia, ou o porquê. 

Percebi que o teu grupo de amigos era vasto e que puxaste totalmente os traços do teu pai por uma fotografia que dias depois publicaste. 

Durante horas apreciei as tuas fotos e memorizei cada traço teu. Cheguei a pensar que estava louco pelo fascínio que despertaste em mim então, inutilmente, tentei justificar esta minha admiração como algo artístico, como se tu fosses a minha Musa.

Hoje sinto-me patético por ter negado tanto algo que parece tão óbvio. Durante todo este tempo tenho de longe admirado a tua beleza incomum e essa personalidade encantadora que hoje sei que tu tens.

Descobrir-te foi como o Big Bang, o início de tudo. A verdade é que conhecer-te, por fim, foi como um sonho. Foi como desvendar o desconhecido, como navegar pela primeira vez.

Eu sei que é loucura o que te escrevo aqui mas, talvez na esperança de sossegar o meu espírito apaixonado, deixo-te eternizado nesta carta todo o meu amor por ti.

Para sempre teu, JjG.

De dentro do pequeno envelope que guardava anteriormente a pequena declaração de amor o mais alto entre os três retirou a pequena fotografia que permaneceu guardada durante toda a leitura. 

Era um final de tarde, TaeHyung recordou-se desse dia ao ver-se mais ao fundo. Lembrava-se perfeitamente do momento como se fosse ontem, levava consigo uma das suas camisas favoritas.

Ao longe Jimin e JungKook observavam sem dizer mais nada, este último como se fosse explodir em nervosismo. Sentiu o olhar de TaeHyung sobre si e congelou. 

– Tens alguma ideia sobre quem possa ter-te escrito isto?

Jimin perguntou e JungKook jurou que ia morrer ao ver TaeHyung suster o olhar sobre o seu, estava sério. 

– Há tanta gente nesta escola, como posso eu saber? - Disse por alto, com um ar desanimado ao constatar o óbvio. 

JungKook quis suspirar aliviado assim que os olhares se desviaram. Era como um peso retirado dos seus ombros.

O som de uma notificação soou pelo quarto que os dois mais velhos partilhavam e JungKook conferiu o seu telemóvel percebendo que era para si.

– Preciso de fazer uma chamada, falamos mais tarde? - Anunciou.

– Claro Jungkookie! 

Jimin disse sempre carinhoso. JungKook levantou-se já se dirigindo para a porta e sorriu antes de sair.

– Até logo Hyungs!

Sorriu brevemente para TaeHyung que retribuiu imediatamente. Fechou a porta e encarou-a por uns instantes retirando de dentro do bolso a fotografia que agora TaeHyung também possuía.

Talvez não servisse de muito, sorriu melancólico ao lembrar-se daquele dia.

Afastou-se do quarto dos dois amigos com o coração acelerado e com a libertação, de mesmo em segredo, ter finamente dito: Eu amo-te

Estavas no PlanoWhere stories live. Discover now