Capítulo 1

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Eai meus consagrados, essa é minha primeira fic, então espero que gostem. Sejam bonzinhos.

Até breve!


Queens - New York 20h30min GMT-5

POV KARA

I wanna hide the truth

(Quero esconder a verdade)

I wannna shelter you

(Quero abrigar você)

But with the beast inside

(Mas com a fera dentro)

There's nowhere we can hide

(Não há onde nos escondermos)

Devo estar em baixo do chuveiro há trinta minutos cantado ao embalo das letras de uma das minhas bandas preferidas. Banhos são a melhor parte do meu dia, porque a acústica do banheiro deixa minha voz com uma amplitude maior e um bom retorno, e isso me coloca em outra orbita. Como por exemplo, agora, mergulhada nos meus pensamentos e sentimentos, e imaginando o que se passa na cabeça dos compositores por sempre falarem de amor, um sentimento tão vago e confuso, onde nós seres humanos na nossa plena ignorância, moldamos da forma que nos convém, porque somos incapazes de nos fazer felizes e somos egoístas o suficiente para colocar outra pessoa dentro do nosso inferno particular, só para não nos sentirmos tão sozinhos.

Dou risada do meu próprio pensamento e imagino o que Alex, minha irmã mais velha, diria se me ouvisse agora. Saio de dentro do Box do banheiro e enrolo uma toalha em meus cabelos e ando nua pela casa, afinal é uma das vantagens de morar sozinha, vou até a cozinha, me sirvo de uma generosa dose de Bourbon 18 anos, e aprecio quando o liquido quente desliza pela minha garganta. Sempre me interessei por bebidas destiladas, um gosto que partilhei durante boa parte da minha vida com meu pai Jeremiah, que morreu durante uma explosão na base militar dos USA no Iraque. Ele era meu herói, e graças a ele (e desespero da minha mãe), eu e Alex decidimos seguir os passos do grande Coronel Danvers. Tornei-me um prodígio, a melhor da minha turma, o que deixava os ditos "médicos" com sangue nos olhos por receber ordens de mim. Oficial de saúde aos 22 anos, atuando como enfermeira no próprio inferno, ou como outros conhece O Campo de Batalha. Durante uma missão em Alepo, na Síria, meu pelotão foi alvejado.

FLASHBACK

- Alfa13 falando, alguém na escuta? - ouço aquela voz que sempre me trazia paz ecoar através do rádio.

- Tenente Danvers na escuta Alfa13 - respondo imediatamente, na esperança que alguém viesse nos resgatar, porque sofremos uma emboscada próxima às demarcações de Assad.

- Informe a localização tenente - dizia a voz do outro lado do rádio

- Latitude: 36°12′04″ N Longitude: 37°09′40″ E Altitude do nível do mar: 401 m - respondo sentindo o cansaço se apossar de mim.

- Tenente Danvers tem alguém ferido? - olhei ao redor e a cena me fez querer parar de respirar.

- Estão todos mortos Alex. - e aquelas palavras doeram em mim como o inferno enquanto as lagrimas teimavam em cair por todo o meu rosto, se misturando ao sangue.

FIM DO FLASHBACK

Quando termino de tomar todo o liquido do copo, olho para a cicatriz eu meu abdômen e me lembro da sensação de morte que se apossou de mim e de acordar em um hospital, depois de um mês e sem sentir minhas pernas. Sesso meus pensamentos do passado, quando ouço meu telefone tocar e quando olho o visor, vejo a foto e o nome de Alex.


POV ALEX DANVERS

Depois de uma hora tentando ligar para Kara, para avisar que estava em Nova York, resolvo pegar um táxi até seu apartamento no Queens. Quando o motorista anuncia o final da corrida, entrego as notas e o agradeço dispensando o troco. Olho para a fachada do grande prédio, que esbanja a arquitetura despojada de Nova York e logo sorrio, o lugar é realmente o estilo de Kara.

Pego o telefone no bolso da minha jaqueta, e disco o numero já tão conhecido por mim. Três toques depois ouço a voz de Kara pelo telefone:

- Ei Alex - diz ela animada

- Qual a dificuldade em atender o telefone? - digo tentando parecer irritada.

- Eu estava no banho, então você já sabe o que acontece! - dou uma risada forte, Kara sempre gostou de banhos, na verdade ela e a água sempre foram bem intimas.

- Acho bom você abrir a porta, Nova York está fria! - escuto passos correndo através do telefone, em seguida uma Kara de moletom e cabelos molhados aparece ofegante na entrada do prédio. Guardo meu celular, e quando dou por mim, vejo uma cabeleira loira vindo com tudo em minha direção.

Era sempre bom sentir Kara próxima a mim, sempre fomos muito apegadas e isso se intensificou quando nosso pai morreu, Kara tinha 18 anos e eu 22, então a protegia mais ainda. Quando o seu pelotão foi alvejado, e eu a encontrei, só restava Kara "viva", fiz o resgate aéreo e logo ela foi encaminhada para o hospital mais próximo, lá descobrimos que ela tinha estilhaços de bomba por todo o corpo, uma laceração no baço e uma lesão na T3. Com a perca de sangue excessivo, durante uma cirurgia para estabilizar seu quadro, para que fizéssemos a transferência para os Estados Unidos, e após mais quatro cirurgias e um mês em coma, Kara finalmente acordou e lutou com tudo que tinha para se recuperar e literalmente descobrir como voltar a andar.

Quando dei por mim, estava chorando e Kara me encarava seriamente.

- Ei, está tudo bem? - perguntou em tom preocupado.

- Sim, eu só senti sua falta! - respondo passando meu braço por seus ombros, eu sabia que falar sobre esse assunto deixava Kara mal - Vamos entrar, está frio aqui fora. - caminhamos abraçadas até o elevador que logo parou no andar de seu apartamento.

- Uau, esse lugar mudou bastante desde a ultima vez - dou risada, o lugar dizia bastante sobre quem morava ali, repleta de arte nas paredes, uma vitrola antiga com vários vinis ao redor, variando entre rock, blues e jazz, prateleiras com livros, um sofá amplo e uma televisão, do outro lado um balcão vintage demarcava uma cozinha extremamente organizada, juto a uma pequena adega, sorri lembrando-me de como Kara se parecia com meu pai. Mas ao canto pude notar uma enorme janela de vidro, que proporcionava uma bela vista, e um piano ao seu lado, coberto por um lençol branco. Fiquei nostálgica, Kara tinha uma bela voz e um talento para musica incrível, mas desde que tudo aconteceu ninguém nunca mais ouviu se quer um dedilhado de uma nota ou o doce som da sua voz.



EM UMA DOSE DE BOURBON  -  SUPERCORPOnde histórias criam vida. Descubra agora