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Era uma manhã normal no Centro de Coletas de Sucatas de Mercúrio, um planeta que após a colonização humana, se tornou um enorme lixão espacial. Toneladas e toneladas de lixo metálico eram depositadas por dia lá, e os seus habitantes são empregados que vivem para desmontar e vender as peças dos restos de naves e outras estruturas, alguns dizem que a vida lá era injusta, outros dizem que é a unica escolha que eles tem, mas certamente todos concordam que o calor constante em uma média de 42º Celsius era um dos maiores problemas de Mercúrio.

Sua posição privilegiada como planeta mais perto do Sol, proporcionava a seus habitantes a maravilhosa experiência de viverem como se estivessem em um grande microondas, como se as péssimas condições de trabalho já não fossem algo ruim o suficiente. Mas não podia-se reclamar, afinal todos trabalhavam com o objetivo de arrecadar unidades,o dinheiro utilizado por todo o sistema solar, para poder comprar uma passagem para outro planeta.

Os seus moradores/funcionários tinham uma ética de trabalho de que eles deveriam ter suas cabeças raspadas como uma forma de uniformização, e códigos numéricos tatuados em seus antebraços para que possam ser identificados caso façam algo de errado ou para evitar que morram como indigentes durante o serviço. Essas pessoas, em sua grande maioria, nasceram em Mercúrio ou foram exiladas para pagar dívidas,esse planeta é considerado o auge da miséria humana na galáxia. Cada distrito tinha um supervisor que tomava conta de tudo e era uma espécie de prefeito.

O distrito AA04 era tomado por estruturas metálicas decadentes e trabalhadores com expressões de infelicidade, as grandes sucatas eram depositadas no meio de uma larga rua de baixo relevo, que ficava no centro da "cidade", lá qualquer trabalhador poderia coletar as sucatas e desmonta-las para poder arranjar um trocado ou outro. E era quase meio dia, a hora em que uma grande nave depositaria mais pedaços e restos de outras naves para que os trabalhadores as desmontassem, era como se fosse o alarme não oficial para começar o turno dos catadores.

Um pequeno caminhão, junto de muitos outros,encostava no alto da margem da rua para que alguns de seus funcionários pegassem algumas peças que com sorte renderiam alguns centavos. No banco da frente haviam três jovens, o primeiro era um jovem gordo de cabeça raspada,pele morena, com traços asiáticos e com um brinco metálico na orelha esquerda; no volante outro jovem também de cabeça raspada, alto, era fisicamente forte, rosto sujo de fuligem, um típico plebeu de mercúrio; e o terceiro jovem de aparência introspectiva, altura média, olhos verdes e cabeça raspada também.

_ É muito melhor com a mesinha, confia em mim... _ disse o jovem asiático

_ 43, isso é perda de dinheiro, pra que você precisa de uma mesinha pra dichavar maconha? _ perguntou o jovem no volante

_ Faz diferença, você tem mais apoio _ disse 43

Eles costumam se chamar pelos últimos dois dígitos de seus códigos numéricos, é algo normal, já que eles não tem nomes.

_ Você não tem mesa no seu barraco não? _ disse o jovem no volante olhando para a direita enquanto dirigia após os outros quatro trabalhadores atrás do caminhão voltarem com as sucatas _ Prefiro muito mais bolar um beck à la Old School, sem mesinha nem porra nenhuma, e falando nisso você devia economizar essas unidades pra sua passagem.

_ Passagem? _ disse 43 rindo _ Você deve estar sonhando se acha q um dia sairemos daqui, eu prefiro dar minhas unidades aos pequenos vendedores de marijuana, eles sim me fazem feliz, 91.

_ Eu só sei que se te pegarem com essa merda você ta fodido _ disse 91 olhando pra rua enquanto dirige _ E tu 58? Ta calado por que?

O outro jovem não ouvia a discussão, ele estrava concentrado em um pensamento:

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