Justiça poética

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Ah, mas como é bom. Como é bom ter o senso de justiça realizado.
Anseiar pela balança, pelo acerto de contas, o equilíbrio perfeito.
Afinal, somos seres humanos. Somos carregados pela ambição, pelo eterno desejo daquilo que nos falta.
Compartilhamos as mais profundas e complexas relações e buscamos a liberdade do nosso ser.
Assim, sem percebermos ou sem intenção, rompemos as barreiras individuais. Rompemos a perfeita ordem, e a partir daí,
há a criação do conflito. Há o nascer da necessidade de justiça.
Automaticamente nos transformamos em juízes e a nossa palavra é absoluta. Nossa perspectiva é a correta e isso nos basta.
Mas ainda assim, acima da justiça e de toda sua grandeza, existe o perdão.
O perdão é um dos, senão, o ato mais puro que pode existir entre os homens.
Em meio a tantas pessoas dispostas a pisarem umas em cima das outras, o perdão vem se tornando cada vez mais raro.
Pois o perdão nunca é merecido. Caso fosse, seria justiça.
E apesar de tudo, ainda houve um dia quem pudesse pronunciar:
''Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.''

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⏰ Last updated: Nov 25, 2019 ⏰

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