1. First Day

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Finalmente eu estava em Seul após uma viagem, exaustiva, de três horas seguidas dentro de um ônibus. Estava bastante enjoado, mas não era uma novidade, sempre que passava mais de meia hora dentro do veículo acabava me sentindo daquela forma. Queria ter ido de trem que, apesar de me deixar da mesma forma, seria bem mais rápido. Entretanto, eu precisava controlar meus gastos, e uma passagem de ônibus era bem mais econômica.

A propriedade em que eu moraria dali em diante — isto é, se conseguisse um emprego no máximo em dois meses, que eram os alugueis que estavam pagos antecipadamente — era deveras simples, mas confortável o suficiente para apenas uma pessoa, que era meu caso.

[...]

Talvez meu desejo de morar em Seul tivesse de ser deixado de lado, pois, um mês já havia se passado e todos os currículos impressos foram entregues em várias universidades que eu tinha possibilidade de ser contratado.

O dinheiro estava acabando e minhas esperanças também. Até que em um domingo à noite meu celular toca de uma maneira ensurdecedora, e como sempre, eu atendo de imediato ao conferir que é um número desconhecido.

— Boa noite, senhor Kim. Desculpe incomodá-lo em um domingo à noite. Recebi seu currículo há um mês e o deixei separado para casos de emergências, e bem, esta é uma. Estamos recrutando professores de história, compareça na nossa instituição amanhã, segunda-feira, para uma reunião e ajustes necessários para que o senhor comece suas aulas o mais breve possível.

Meu sorriso aumentava há cada palavra dita pelo homem que estava do outro lado da linha.

— Boa noite, agradeço pela oportunidade que o senhor está me dando, não decepcionarei. — Falei enquanto tentava conter minha animação.

Após longos minutos de conversa, a ligação foi encerrada, mas antes foi me dito qual seria o horário da reunião que aconteceria amanhã, segunda-feira.

Não demorou para que eu começasse a gritar e pular pelo apartamento, parecendo um maluco que havia escapado do hospício.

Eu nem conseguia acreditar que depois de um mês, finalmente recebi algum retorno. Queria comemorar, mas como a reunião seria amanhã, teria que deixar a comemoração para o final de semana.

[...]

Faziam três meses que eu estava morando em Seul, e me manter estava cada vez mais complicado.

Dois meses, desde que recebi aquela ligação, haviam se passado. Meu aluguel estava atrasado e minha geladeira vazia. Todas as vezes em que tive de ir à universidade, para fazer testes ou comparecer as reuniões, precisei acordar duas horas antes para chegar no horário certo, pois, até uma passagem de ônibus eu não tinha condições de pagar.

Com muito estudo e esforço consegui ser aprovado, e hoje seria meu primeiro dia como professor de uma universidade. Eu estava muito ansioso, principalmente para receber meu primeiro salário.

Hoje o tempo estava bastante agradável, porém, eu ainda sentia o suor escorrer em minha testa.

Ao chegar, encarei a construção à minha frente e entrei, caminhando diretamente para minha sala.

Passei um minuto observando a porta de madeira à minha frente, meu coração estava acelerado e minhas mãos suadas, eu não podia ter uma crise de ansiedade logo agora. Respirei fundo algumas vezes e abri a porta, me deparando com uma sala repleta de alunos.

Ao ouvir o barulho da porta abrindo, todos ficaram em silêncio e olharam em minha direção, o que me deixou mais nervoso.

Sempre fui extremamente tímido, o que era um problema enorme na minha vida. Eu era aquela pessoa estranha na sala de aula, que não conversava com ninguém e sempre tinha um livro em mãos. Enquanto os jovens estavam bebendo e curtindo, eu estava trancado em meu quarto, vendo filmes, séries, ouvindo músicas, lendo livros e, na maior parte do tempo, estudando.

A escolha de ser um professor, foi a pedido da minha mãe, ela sempre me dizia que eu era inteligente demais para não compartilhar meus conhecimentos com outras pessoas, o que acabou me incentivando.

— Bom dia! — Abri um sorriso na tentativa de parecer a pessoa mais tranquila do lugar, mesmo que não fosse o caso. — Meu nome é Kim Taehyung, sou o novo professor de história. — Me apresentei. — Espero que possamos aprender algo juntos.

Enquanto o tempo passava e eu interagia com os alunos, o nervosismo ia passando. A turma aparentava ser bastante calma, porém, eu não podia tirar conclusões precipitadas, ainda era meu primeiro dia.

À medida que eu explicava o conteúdo que eu havia preparado há algumas semanas, os alunos prestavam atenção, em silêncio, em cada palavra dita por mim. Após explicar tudo e perceber que nenhum aluno falou nada, perguntei:

— Alguma dúvida?

De imediato, um jovem de cabelos grandes e pele pálida levantou a mão. Fiz um gesto com a cabeça indicando que ele poderia falar e o rapaz não demorou para dar incio a sua fala.

— O que tenho para falar não é exatamente uma dúvida sobre o conteúdo, e sim sobre o senhor. — Franzi as sobrancelhas e esperei que ele continuasse. — O senhor tem namorada ou... namorado? — A sala inteira explodiu em risadas e minhas bochechas ficaram em um tom avermelhado.

— Este tipo de pergunta não é apropriada, garoto. — Falei ao ver que a sala tinha sessado os risos.

Nunca imaginei que logo no primeiro dia eu passaria por algo assim, na verdade, nem no primeiro dia e em nenhum outro.

— Apropriada sei que não é, mas como posso te chamar para sair sem antes saber se o senhor é ou não comprometido?

Mais uma vez a sala inteira começou a rir, e eu só queria um buraco para me enfiar lá e não sair mais

— S-silêncio, por favor! — Gaguejar foi a pior coisa que aconteceu naquele momento, já que fez com que todos rissem ainda mais.

Ignorar o garoto, que fez o favor de me constranger na frente de todos que estavam presente, foi a coisa mais sábia para se fazer naquele momento. Olhei rapidamente para o rapaz e pude ver em seus lábios finos, um sorriso, que deixava a mostra seus dentes de coelho. Aquilo me fez sentir raiva.

Olhei para o relógio em meu pulso e fiquei aliviado ao notar que faltavam apenas cinco minutos para encerrar a aula.

— Não esqueçam de estudar para os testes que estão chegando — Todos resmungaram ao mesmo tempo. — Até a próxima!

Terminei de recolher minhas coisas e caminhei rapidamente até a saída da enorme sala.

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