Novembro de 2019.
Mais um dia frio na pequena cidade do interior de São Paulo, o céu estava de um cinza melancólico, parece que ele refletia como que por empatia os sentimentos dos habitantes abaixo dele, pessoas de mente nublada, coração gélido e olhos que encharcam seus travesseiros no final de cada noite, atitude essa que servia como um consolo pelo esforço dantesco que era acordar todos os dias e não entender a razão para tal.
Peter faz parte desse não tão seleto grupo, aparentemente bem sucedido e afortunado pela vida, seus pais são grandes empresários da cidade e detentores da maioria dos restaurantes do Estado, ele sempre foi criado para ser um modelo de sucesso, nos seus atuais 20 anos já era considerado pela alta sociedade como um prodígio no mundo dos negócios e apesar de sua tenra idade estava próximo de ser tornar tão bem sucedido quanto seus pais, mas em meio a tanta expectativa e glamour, se encontrava uma alma frágil, a solidez externa escondia um coração quebrantado, pronto para se tornar mero fragmento.
Pela manhã Peter sempre acorda às 5h, como bom empresário ele costuma dormir pouco e produzir muito, ao descer para cozinha tenta esconder de seus pais a cara de cansaço, fruto de semanas de exaustão física e emocional, Belinda sua mãe, como sempre, abre um sorriso gentil e caloroso para ele, e diz:
-Bom dia querido, espero que tenha dormido bem, fiz aquele café da manhã que você tanto ama, ovos mexidos e bacon.
-Você continua incrível como sempre. - diz Peter com olhar de admiração ao ver sua mãe aprontar o seu prato.
-Amor, você está com uma cara péssima, dormiu essa noite?. - diz ela ao seu marido no lado oposto da mesa.
-Estou ótimo! melhor impossível - diz Pedro com um tom sarcástico.
-Pai, você devia tratar a mamãe com mais cuidado, ela está sendo tão doce em preparar o café mesmo tão ocupada com o trabalho.
-Trabalho? desde quando aquele restaurante de comedores de alface pode ser chamado de trabalho? Às vezes parece que sou o único que tenta honrar o nosso sobrenome por aqui.
-Pronto, mais um café da manhã estragado por sua causa - diz Peter com uma voz amarga, quase que palatável a sua mãe.
O jovem se levanta ferozmente e parte para a porta sem ao menos tocar na comida, ao passar por sua mãe nota como numa fração de segundo os seus lindos olhos castanhos, úmidos como um orvalho após a tempestade, para ele pareceu um pedido de desculpas, algo que já era corriqueiro, mas sempre tocava em sua alma como se a fosse rasgar de dentro para fora.
Parecia mais um dia comum, mas ele tomaria uma decisão completamente irresponsável e imatura, sua angústia chegou a tamanho ponto que seu corpo pareceu se mover de forma automática ao sair de casa, seus olhos ofuscados pelas lágrimas que dado algum momento começaram a se misturar com a forte chuva que viera sobre a cidade, o vento batia revoltadamente contra seu corpo, parecia até que o tentara impedir de cometer tamanha tragédia, seus pés começaram a se mover com mais velocidade, os respingos causados pelo seu piso feroz ficaram audíveis até mesmo com a tempestade, ele chega até uma ponte e para por alguns instantes, uma pausa fúnebre, seu coração acelera, podendo ouvir cada batida em seu interior.
Ao ficar na beirada da ponte ele observa abaixo de si um rio de correnteza feroz, ele hesita por um instante, olha novamente para baixo, pensa consigo mesmo se era justo fazer isso, afinal era bem sucedido, tinha uma mãe incrível que o amava, mas isso não conseguiu deter a ação automática de seu corpo, numa covardia corajosa se atirou de lá e antes de fechar os olhos observou de relance um guarda-chuva amarelo, de uma intensidade que se destacava naquele dia cinzento, ficara feliz por ver algo tão belo no instante final de sua vida.
KAMU SEDANG MEMBACA
Doce Chuva
RomansaFilho de uma das famílias mais ricas do estado, Peter é tido como jovem talento e um empresário nato, a rigidez externa esconde seus conflitos interiores e uma atitude irresponsável irá fazer sua vida mudar completamente. Uma história sobre quanto o...
