25/10/2033
Olá, grande e simpático livro velho, mais uma vez eu acordei com os gritos dela, eu realmente achei que tinha superado tudo o que aconteceu, como não parei de vê-la?! Minha esposa tem ficado muito preocupada ultimamente, e por mais que eu ache essa ideia de "colocar os meus sentimentos para fora" seja uma idiotice, não me restou muita coisa, enfim, acho que chegou a hora de finalmente soltar tudo o que aconteceu ao longo do tempo, para contar toda a história com precisão, nós teremos que voltar ao passado, mais precisamente há 15 anos atrás. Tudo começou com um grupo de jovens babacas, que achavam que um dia poderiam conquistar o mundo ao seu redor. Era nítido com todos nós brigávamos ao mesmo tempo em que tentávamos resolver as coisas, sem falar nos altos xingamentos que, com o decorrer do grupo, foram se tornando algo normal.
Embora seguíssemos a ideia de "um por todos e todos por um", lembro-me de vários momentos em que, sem nem pensar, fomos os seres humanos mais desprezíveis uns com os outros. Era engraçado, a visão distorcida de amizade que nós tínhamos era o que mais nos unia, e foi o que no fim, pode salvar alguns de nós. Nosso grupo de babacas não era tão grande no começo, ele era composto por:
• Ernesto: O mais velho de todos, parente de italiano, era um cara totalmente "politizado", vivia entrando em discussões sobre partidos políticos, agora pense, eu tinha ideias totalmente contrárias ao seu modo de pensar, mas mesmo assim, éramos grandes amigos, por nossa culpa que o grupo foi criado. Amante do rock, sempre andando com uma pequena barba sob o queixo, cabelo cortado nas laterais, como a maioria dos nossos amigos, seus óculos sempre andavam sujos, mas isso nunca o impediu de ler os livros que tanto amava;
• Vítor: Era simplesmente muito engraçado ver os debates que Vítor fazia com Ernesto, nem sempre um concordava com o outro, mas talvez isso fizesse parte de ser um amigo. Ele tinha um cabelo cacheado cheio, até hoje não sei descrever se ele era negro ou apenas tinha um tom de pele mais escuro, mas creio que ele me bateria se eu o chamasse de branco, sinto falta de seus desenhos;
• Guilherme: Tá aí um cara que eu me pergunto todos os dias onde será que ele está, Guilherme parecia um prédio, devia ter 1,80 de altura, e, particularmente falando, ele era o mais bonito entre nós (sinto uma leve dor ao ter que admitir isso). Branco, cabelos loiros e filho de pais ricos, o sujeito morava em um condomínio de burguês, ele estudava no Integração, escola que só quem estudava eram playboys causadores de problemas, talvez ele não se encaixasse ali, mas eu sempre tinha uma vontade de socar a cara dele quando ele falava que já recebeu treinamento com armas aos 12 anos de idade.
• Sérgio: Eu aceito o fato de que nós, no auge da puberdade, éramos muito infantis em alguns momentos, mas Sérgio (ou "Serginho", como nós o chamávamos) era ao extremo, ele tinha 15 anos e acabava se comportando como uma criança de 9, em alguns momentos era impossível falar com ele, chutaria que Sérgio tinha 1,65 de altura, não lembro em que momento ele se juntou a nós, mas no fim, o retardado acabou ficando. Esquecendo totalmente as outras linhas em que eu falei mal dele, todo mundo achava meio estranho a marca de nascença branca que ele tinha no olho, mas, Sérgio achava aquilo totalmente estiloso, então quem sou eu para negar?;
•João Hamada: João era o mais novo de nós, tinha 13 anos, mas provavelmente era o mais maduro (em certas ocasiões), também estudava no Integração, assim como Serginho e Guilherme, pensando agora, fico lembrando em como as garotas adoravam ficar flertando com ele, embora o seu maior problema tenha sido a sua falta de atitude com elas, talvez se ele tivesse parado com as piadas sem graça, ele teria conseguido até arranjar uma namorada. Veja bem, ele era parente de japonês, o que por sinal, não nos impediu de colocar o apelido de "Japa" nele, enfim, naquela época toda garota curtia um cara de olho puxado, não é exagero falar que João nunca tocou em alguma garota, se ele beijou 3 pessoas eu ainda acho que é muito. Mas devo muito a esse Japonês, ele tentou nos unir quando nós estávamos a beira de um abismo, onde quer que esteja, obrigado, Japa;
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The Suckers- Um conto secreto
General FictionComo os sentimentos podem nos afetar e também afastar as pessoas próximas a nós? Talvez se eu tivesse pensado nisso há 15 anos atrás eles ainda estariam vivos, os meus arrependimentos me seguem até hoje, e por mais que eu tente esquecer os gritos de...
