Espero que não se importe com o avermelhado tom de sangue em suas pétalas delicadas.
O amarelo sujo só representa o esforço que eu tenho para te tirar de dentro de mim.
Me consumindo cada dia mais.
Minha garganta desgastada, sem quase conseguir falar.
Esforço para ficar de pé, meu corpo cansado quase derrubou-me.
Mas me mantenho firme por você.
Apesar dos machucados, nunca deixarei de sorrir ao olhar para o girassol retirado de mim.
Infelizmente, tornou-se impossível não sorrir com qualquer coisa que me lembre seus olhos.
Eles sempre foram tão bonitos e expressivos.
Sua pele bronzeada parece os destacar vinte vezes mais.
O gosto metálico do líquido saindo de meus cortes manchou o verde caule da sua doce flor. Começou a ser inevitável lembrar de suas esverdeadas pupilas que combinavam tanto com seu cabelo.
Girassóis cheios de vida me lembram da sua alma angelical, pura. Agora eu os vomito como se precisasse me libertar das correntes do teu sorriso.
Eu estou doente. Ah, eu sei.
Os espinhos fortes contornando meus pulmões dificultam minha respiração. Consigo sentir meu estômago embrulhar com seus buquês.
Minha garganta tão machucada quanto meu próprio coração.
Mesmo com meu corpo em colapso, a sensação de ser por quem amo me conforta. A obsessão doentia rodeia minha cabeça, afogando meu cérebro no mais singelo carinho que tenho por ti.
Oh, amor.
Você é a doce noite estrelada dos verões.
A bebida gelada dos dias mais quentes.
Ou o chá dos dias frios.
Você é um abraço, palavras suaves.
Você é a mais bela melodia de se ouvir.
Mas, além de tudo, você é os belos girassóis que me afogam em uma melancólica morte.
Tenho medo da cura.
Tenho medo de nunca mais lembrar do som da sua risada, ou das suas sardas que me remetiam constelações.
Tenho medo de nunca mais poder tocar nos seus bagunçados fios tingidos pela cor das árvores.
De não poder sentir mais o aroma suave que você exala.
Então vou apenas deixar me consumir.
Deixarei as raízes me sufocarem pois não chegam nem perto do que eu sinto quando lhe vejo.
Deixarei-me ir. Morto pelo amor que me consome.
Mas tudo bem, amor.
Eu ficarei bem.
Pois, desde que você esteja em minha cabeça, nada importa.
Então não tenha dúvidas de que será meu último pensamento quando parar de respirar.
Ficando roxo e deixando de existir.
Atolado por meu amor doentio.
Sinto muito.
Meu eterno e doce, girassol.
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.aquele que morreu sufocando
Poetryonde o bicolor enraizado morrerá pelo esverdeado menino por quem era apaixonado.
