O Sequestro

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Minha respiração estava pesada assim como a minha cabeça. Parecia que eu ia desmaiar novamente a qualquer instante.

O vai e vem incessante estava me deixando enjoado. Olhei ao meu redor e lembrei que estava na cidade para passar o meu cio.

Sempre fazia isso quando via que estava próximo dessa época, pois, sabia que no mar eu não teria condições de comandar a minha tripulação e deixaria todos loucos com meu cheiro.

Percebi meus braços sendo erguidos acima da minha cabeça e o alfa que investia contra mim me olhar intensamente.

Não acredito que ele estava pensando que iria conseguir me dominar.

— Eu nunca passei o cio com uma criatura tão bela como você. — Revirei os olhos e o alfa se aproximou do meu pescoço. — Que tal ser o meu ômega?

Sorri para o alfa o distraindo e me desvencilhando dos dedos longos.

Coloquei a mão embaixo do meu travesseiro retirando meu punhal e quando eu senti o roçar de seus dentes no meu pescoço, enfiei a faca embaixo do seu queixo.

— Eu nunca serei o submisso de alguém.

O vi tentar levar as mãos ao ferimento enquanto seus olhos reviravam e o corpo grande caía sobre mim.

O sangue quente banhou meu corpo enquanto o prazer de vê-lo agonizar tomava o meu peito. O joguei, ainda vivo, do outro lado da cama e me levantei, não ligando para a minha nudez, e caminhei em direção a uma porta onde descobri ser o banheiro.

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Depois de me limpar, vesti minha capa e saí do quarto ignorando completamente o corpo inerte em cima da cama.

Percebi estar em uma pousada e sem ligar para uma beta que estava me chamando, saí pela calada da noite em direção a onde eu tinha deixado meu navio com um bando de idiotas que chamo de tripulação.

Já estava acostumado a essa vida. Aliás, fui eu que escolhi esse caminho, pois, antes, eu era um Uzumaki.

Um príncipe e futuro rei, e só de lembrar o motivo da minha fuga, me dá ânsia e uma vontade de voltar ao reino e matar meus pais.

Como um ômega, filho de uma mulher alfa, eu tinha o “dom” de resistir a voz de comando dos alfas, e tinha um controle maior sobre os feromônios dos mesmos.

E sabendo que desse jeito seria difícil me casar, meus pais queriam me usar como moeda de troca para que quando eu completasse 16 anos eu me casasse com um alfa do reino vizinho.

Descobri essa triste notícia só no dia que um belo alfa foi nos visitar. Lembro muito bem de ter dado um soco na cara do escroto, porque mesmo eu tendo o achado lindo eu não estava muito afim de um príncipe encantado.

O importante é que depois disso, me mandei sem me preocupar em avisar alguém. E bom, agora estou aqui, aos 26 anos, comandando a tripulação mais temida dos sete mares, trabalhando como mercenário e levando minha vida como sempre sonhei, no mar.

— Por que está me seguindo, Itachi? — Perguntei, parando de andar e na mesma hora um moreno apareceu na minha frente e se ajoelhou.

— Eu fui te buscar, mas você já tinha saído.

— Obrigado pelo cuidado. — Falei sarcástico e percebi um sorriso por parte do uchiha. — Agora vamos, antes que aqueles idiotas destruam o meu navio.

— Aquele lugar ficou um completo caos sem você.

— Sempre fica, vocês não sabem se controlar. — Ainda sem tirar o sorriso do rosto, Itachi começou a caminhar ao meu lado.

By the WatersWhere stories live. Discover now