Moon's will and our

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Foi naquela noite estrelada que o conheci. A lua estava brilhante como nunca antes, e as estrelas pareciam felizes pois não paravam de piscar.

Eu caminhava descalço na areia da praia, sentindo os grãos frios em meus pés. A forte brisa bagunçava meus cabelos e fazia a roupa colar em meu corpo, mas não liguei pra isso. Estava muito distraído admirando a lua e as estrelas que eram a única luz no meio daquela escuridão, tão distraído admirando seus reflexos na imensidão do mar que não vi um corpo deitado na areia da praia.

Quando me dei conta já estava o atropelando e caindo de cara no chão. Você parecia estar tão distraído quanto eu que nem reparou que seria atropelado.

Rimos daquela ocasião inoportuna. Tínhamos tudo pra discutir um com o outro, mas apenas rimos. Eu tinha tudo pra apenas pedir desculpas e ir embora, mas fiquei. Algo em você me prendeu, não sei se foi o abismo escuro dos seus olhos, ou seu cabelo bagunçado, ou as rugas que se formam logo ao lado da pupila e dos traços que contornam o sorriso.

E sob a lua e as estrelas eu fiquei. Fiquei porque uma vozinha aqui dentro pediu pra eu ficar. Fiquei porque a lua pareceu começar a brilhar ainda mais, como um pedido silencioso. Fiquei porque notei que tinha algo em seus olhos que diziam que você não queria apreciar aquele satélite natural sozinho.

Não demorou muito pra iniciarmos uma conversa. Você logo me contou que gostava de vim a praia ao anoitecer, que gostava de deitar no chão frio enquanto ouvia o barulho do mar lavando a areia. Contou-me sobre sua admiração pela lua, disse que da mesma forma que temos fases a lua também tem. Achei poético.

Não me incomodei quando comecei a falar besteiras e você começou a rir. Sua risada era o único som no meio do barulho do mar e da forte brisa.
Queria ter uma câmera naquele momento pra fotografar o quão lindo (você) teu sorriso era sob a luz do luar.

Nada mais me incomodava naquele momento. Esqueci dos problemas, do trabalho, das desilusões, de tudo. As únicas coisas que agora importavam era como eu iria te fazer rir novamente pra poder ouvir a melodia incrível que era a sua risada, ou o vento que bagunçava seus cabelos e eu me segurava pra não levantar a mão e ajeita-los, ou a vontade enorme que eu sentia de beija-lo nos lábios.

Diferente de mim você não parecia se segurar, você não queria se segurar. Disse-me que com o tempo aprendeu que tem que aproveitar as oportunidades que a vida nos da.

Vi-te olhando pra minha boca várias vezes, vi-te mordendo teu lábio inferior e não só vi-te como também senti a distância entre nós diminuir.

O vento também parecia querer apressar mais as coisas, pois me empurrava com força pra ti.

Não demorou para darmos ouvidos pra vontade da lua, do vento e a nossa.

Beijei-te sem medo, sem ansia. Beijei-te como quem bebe água pra matar a sede. Beijei-te com vontade e delicadeza ao mesmo tempo. Beijei-te não apenas uma ou duas vezes, mas muitas.

A lua ficou tão feliz por nós que tomou até coragem pra beijar o mar.

Não sei o que me deu de andar na praia sem olhar pro chão. Não sei o que me deu quando sentei ao teu lado e dei início a uma conversa aleatória. Não sei o que me deu quando me vi encantado por teu jeito de gesticular com as mãos ao falar e por tuas rugas que aparecem no rosto quando tu sorri. Não sei o que me deu quando te beijei. E não sei o que me deu quando te chamei pra tomar um café depois de tudo aquilo.

Logo eu que não gosto de doce, tomei um café açucarado sem nem ao menos colocar açúcar.

The sweet of your lipsHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora