Um rosto diferente

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Chove intensamente lá fora, não tenho vontade alguma de levantar dá cama - Olho no relógio na prateleira, 6:20. Mais um pouco na cama e provavelmente estarei muito atrasado. Levanto esbarrando em alguns livros espalhados pelo chão, a noite passou com estudos intermitentes sobre funções, equações e muitas outras coisas envolvendo números para a prova de hoje. Vou caminhando lentamente ainda sonolento para o banheiro, após me despir encaro o meu reflexo no espelho. Me sinto mal sempre que o olho, a imagem não me agrada, existe algo de errado com meu corpo, com essas curvas que insistem em aparecer mesmo usando roupas longas. No auge dos meus 15 anos, as mudanças do meu corpo se tornam mais notáveis . Entro no box e ligo o chuveiro, automaticamente arrepios por todo meu corpo aparecem após a água fria entrar em contato com minha pele, é uma sensação agradável apesar de muitas pessoas não gostarem de água fria pela manhã. Banho finalizado, saio pelo quarto enxugando meus cabelos, até ouvir batidas na porta do meu quarto.

- Filha, você vai se atrasar para a escola.
- Ok, mãe. Já estou terminando.

Olho novamente para o relógio, 6:40. Afogado em meus pensamentos enquanto me visto, penso no episódio que acabará de ocorrer. Sempre quando mamãe me chama de filha fico desconfortável, é como se ela falasse com alguém totalmente diferente de mim. Tento descobrir todas as vezes o porquê desse desconforto, porém são tentativas frustradas. Após terminar de me vestir e ver que estou totalmente atrasado me dirijo a cozinha para pegar uma xícara de café bem quente. Dou um beijo em minha mãe e vou pegar minha bicicleta. Noto que agora apenas possui apenas nuvens carregadas, mas nenhuma chuva. Ótimo, pelo menos não vou me molhar no caminho. A escola é relativamente perto, de bike eu gasto uns 15 minutos. Já eram 6:50 então iria chegar atrasado, droga. A diretora provavelmente iria pegar no meu pé. Chego e coloco o cadeado para não haver problemas com roubo. Dá última vez que aconteceu fiquei um mês indo a pé para a escola. Não é legal, haha. Vou entrando de cabeça baixa até que escuto alguém dizendo o maldito nome morto.

- Alessandra, isso são horas de chegar na escola?
- Maldito nome - pensei - Olá, diretora. Que lindo dia, não? Me atrasei apenas 5 minutinhos, não faz muita diferença né?
- Já é a terceira vez essa semana, dá próxima é castigo depois dá aula!
- Morri de medo, quase me caguei - Pensei de novo com um tom pra lá de irônico na minha cabeça (essa voz aí que você usa enquanto lê esse texto, haha.) - Ok, prometo que não vai mais acontecer (mentira, vai sim). Posso ir pra sala?
- Pode sim.

Encaminho-me a sala de aula. Peço licença a professora e pego uma prova em cima dá mesa. Dou uma olhada ao redor e noto um rosto diferente na sala de aula. Aqueles olhos esbarraram com os meus, no mesmo estante virei o rosto e comecei a prestar atenção na prova.

TranscedentWhere stories live. Discover now