Two

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Havia passado pouco mais de uma hora desde que deixaram a atmosfera terrestre. Mongryong rosnava, na posição defensiva, para o rapaz alto do outro lado da sala. O cachorro pequeno se encolhia ainda mais nos braços de seu dono, que o protegia e tentava acalmar o animal que assustava seu pequeno bichinho. Aparentemente, não era apenas o Byun quem não havia gostado nem um pouco do parceiro de viagem inesperado, o corgi não estava feliz com a presença do outro animal em seu território.

No meio da sala, estava Baekhyun – que havia levantado do sofá macio – andando de um lado a outro, coçando o queixo e pensando em como o logaritmo do sistema poderia ter feito isso. Ele havia programado tudo perfeitamente, o combinação cientista-piloto era perfeito e as chances de cair na mesma nave em que o Park eram de uma para cinco, talvez até menores se considerasse toda a equipe não listada como prioritária. Enquanto sentia sua cabeça a ponto de explodir, Chanyeol observava cada um de seus movimentos, vez ou outra revirando os olhos para seu drama sem sentido algum.

Não que o Park gostasse dele, longe disso, se havia uma pessoa que facilmente tirava Chanyeol do sério, essa pessoa era Byun Baekhyun. Seu jeitinho arrogante e metido deixava o mais novo com vontade de socá-lo. Contudo, sabia que toda aquela ceninha era desnecessária, ainda mais quando passariam os próximos dois mil quinhentos e cinquenta e seis dias juntos naquela nave. Respirou fundo e coçou a garganta antes de chamar a atenção do mais baixo para si.

— Baekhyun — chamou, fazendo o homem olhá-lo torto por ter interrompido seus pensamentos. — Tem como parar de andar em círculos? Você vai fazer um buraco no chão — o homem resmungou. Ia voltar ao que estava fazendo se Chanyeol não tivesse continuado a falar. — E pode, por favor, acalmar seu cachorro? Ele está assustando o Toben.

Deu o braço a torcer, por mais que odiasse seguir ordens, e voltou ao sofá, acariciando os pelos do animal e chamando sua atenção, sabia que se não o acalmasse logo, depois seria impossível. Apesar de estar inquieto, não demorou para que Mongryong enfim parasse de rosnar para o cão do mais alto. O silêncio se instalou no cômodo, deixando no ambiente um clima quase constrangedor e sufocante, até que o mais velho resolveu se pronunciar:

— Você sabia? — perguntou, sem tirar o olhar do corgi, que agora estava quase dormindo.

— Sobre o pareamento? — Baekhyun assentiu, vendo o outro se sentar na poltrona perto da porta da nave. — Tanto quanto você, ou talvez até menos — disse, dando de ombros e arrumando cão d'água em seu colo. — Sendo bem sincero, a única coisa que eu sei é que minha nave está com o doutor Zhang.

— Com o Yixing? — Byun se curvou sobre os joelhos, encostando os cotovelos nele e jogando os cabelos para trás.

— Quando eu cheguei para embarcar, encontrei ele na nave, o pareamento dizia que ela agora era dele e eu deveria vir para essa.

— Mas que grande filho da puta! — exclamou e, quase que ignorando o que o Park dizia, levantou-se do sofá em um pulo, andando a passos largos para o interior da nave.

O homem xingava, em mais línguas que Chanyeol conhecia, enquanto andava pelo corredor, sendo seguido pelo mais alto e entrando na segunda porta que viu. O Park descobriu pouco depois que se tratava de uma grande sala de jogos, ao mesmo tempo em que servia como centro de comando da nave. Ficou observando o rapaz caminhar até um grande painel brilhoso, inebriado pela quantidade de tecnologia naquela sala, só saindo de seu transe quando a voz de Baekhyun tomou o ambiente:

— Qual é a série? — perguntou, recebendo um olhar confuso do mais alto. — Da sua nave, Park.

— Ah, L-1485 — respondeu, vendo o homem digitar o código rapidamente. — O que vai fazer?

— Já sei quem mexeu no pareamento — disse ríspido. — E espero que ele tenha uma ótima justificava para isso. — Enquanto dizia isso, um compartimento do painel abriu e uma tela holográfica saiu dali, mostrando uma figura parecida com a do rapaz sentado ali. — Byun Baekbeom, seu grande filho da puta!

— Você beija nossa mãe com essa boca, Baekhyun? — disse o rapaz, fingindo estar ofendido.

— Não comece com as suas brincadeirinhas, Beom. Foi você quem mexeu no pareamento, não foi?

— Talvez sim, talvez não — respondeu, sorrindo ladino, o que foi suficiente para o Hyun saber a resposta. — Não me leve a mal, irmãozinho, mas as naves seriam divididas de qualquer forma. Apenas mexi em algumas partes da programação para que o Yixing e eu ficarmos juntos, não tenho culpa se Chanyeol era a dupla dele e você a minha. — Deu de ombros. — Não vi grande problema nisso.

Baekhyun bufou, Baekbeom era – dentre todos – o pior irmão que existia. Ele levou a mão à ponte do nariz, massageando o local e tentando se acalmar, o fato de o mais novo nunca levar em conta o que pensava, e sempre agir pelo que lhe desse na mente, o irritava de uma forma inexplicável. Bem, talvez não fosse tão ruim assim não ter que passar sete anos confinado com o outro Byun.

— Não consigo acreditar no quão egoísta você foi, Beom — retrucou irritado. — Mexeu em todo o pareamento apenas para ficar com seu namoradinho! Tem ideia do problema que você poderia ter causado à equipe? Imagina se bagunçasse todo o logaritmo e...

— Para de reclamar, vovô! — cortou-o, voltando a falar. — Deu tudo certo, não deu? Você não é o único gênio da família Byun, irmãozinho. — Baekhyun revirou os olhos, infelizmente isso era verdade. — Além do mais, você precisa deixar de lado essa birra que tem com o Chanyeol, ele é um cara legal. — O sorriso voltava a seus lábios, fazendo o mais velho sentir náuseas apenas por ouvir o nome do outro. Logo em seguida, o irmão se virou para ele. — A propósito, Yeol, caso o Hyunie fique chato 'pra cacete, como sempre fica, eu te dou permissão 'pra dar uns cascudos nele.

— Baekbeom, você não... — Foi interrompido novamente pelo outro Byun

— Preciso ir agora, rapazes. Aproveitem seu tempo juntos, crianças. — E então desligou.

A projeção se fechou, fazendo as luzes da sala se acenderem novamente e Baekhyun encarar o vazio onde antes a tela. Fechou os olhos e massageou o espaço entre eles novamente, tentando desestressar. "Beom com toda a certeza foi se comer com o 'namoradinho', um babaca completo", pensou, "Nunca pensa em nada além de seu próprio umbigo", bufou e enfim virou a cadeira, ficando de costas para o painel luminoso.

Ao abrir os olhos, deparou-se com um Chanyeol segurando o riso, o rosto vermelho e quase chorando, como se tivesse ouvido a melhor piada de toda a sua vida.

— Do que está rindo? — perguntou, cruzando os braços e encarando o homem de pé na sua frente.

— Então seu irmão caçula manda em você? — disse, assim que conseguiu fôlego. — E ainda por cima dá permissão a todos 'pra bater em você logo nas primeiras horas de viagem?

— Ainda não entendi o motivo da risada, Park. — Ele se levantou, ficando quase com a mesma altura do outro. — Você realmente acha que vai poder fazer isso em algum momento? — A postura arrogante estava ali novamente e Chanyeol a conhecia bem. — Nem nos seus melhores sonhos, pirralho.

E saiu da sala, com o nariz empinado, deixando o Park ali sozinho no cômodo bem iluminado, revirando os olhos por conta de tamanha arrogância. Eram "apenas dois mil quinhentos e cinquenta e seis dias", Chanyeol repetia para si. Mas tudo dizia que aqueles seriam os sete anos mais longos de toda a sua vida. 

O dia em que o mundo acabouWhere stories live. Discover now