— CONSEGUIU UM EMPREGO?! Eu ouvi direito? – A voz escandalosa de Taehyung pôde ser ouvida por todo o cômodo, mesmo que estejamos em uma ligação de poucos minutos.
— Você ouviu direito. Qual é? O que te fez pensar que eu não conseguiria? – Poderia ter sido ironia se eu não estivesse mesmo ofendido com seu comentário. Puxa, eu não reclamaria se me considerassem mais do que a pessoa que eu sou.
— Nada demais, se não fosse por um emprego em uma das escolas mais famosas da Coréia. Vamos lá, Jimin, eu tenho sim motivos para pensar isso. Além de que você conseguiu um trabalho no lugar em que eu estudo! Estou
parcialmente chocado.
Pensando por esse lado... Taehyung tem até um pontinho minúsculo de razão. Até eu fiquei surpreso quando recebi um e-mail da Charmed confirmando o cargo que eu exerceria por lá. Charmed High School, uma das escolas particulares mais concorridas da Coréia do Sul, e também a mais falada pelo país. E com o ensino médio incompleto eu me vejo triste por nunca ter tido a oportunidade de tê-lo terminado em uma escola com um ótimo ensino como a Charmed.
— Não julgo. – Eu disse, então. — Mas... sobre o que farei por lá, nesse meu novo emprego... – Eu disse, um pouco apreensivo quanto esperava estar.
— Ah sim, estive tão afobado que até esqueci de perguntar sobre o cargo. E então? Você vai ser recepcionista? – Perguntou esperançoso. — Eu sempre achei esse cargo o MÁXIMO. – Enfatizou. — Sério, é irado! Você só fica sentado na espera de um telefonema, atende com as falas já programadas e pimba. – Ele dizia, parecendo bem empolgado.
Por mais irado que seja, como Taehyung diz, não era o cargo que me propuseram. Apesar de que qualquer cargo esteja bom para mim nessa crise desesperadora que é estar sem dinheiro.
— Sim, eu queria trabalhar como recepcionista, mesmo sem experiência alguma. Mas não é nessa área em que eu irei trabalhar.
— Ah, sério? – De repente Taehyung não me parecia mais empolgado, mas também não deixou sua curiosidade morrer, como sempre. — Então... você trabalhará com o que? – Ele perguntou, curioso.
E por mais que não seja vergonhoso o cargo que eu exerceria, e sim, algo que deve ser admirado, eu respirei fundo antes de comentar com meu melhor amigo, pois nunca tinha me imaginado trabalhando como...
— Faxineiro. – Saiu de uma vez enquanto eu cutucava os dedos do pé em busca de algo para me ocupar além de um telefone na orelha.
E segundos se passaram como horas para mim enquanto esperava pela resposta de Taehyung, sei lá, uma reação - Mesmo que não pudesse ver sua cara, palavras seriam suficientes. - boa, feliz pelo meu novo emprego.
E ele o fez.
— Ei, parabéns!
Foi o que escutei antes de abrir um sorriso enorme, formando rugas em minha testa e tendo a visão escurecendo.
— Sério, eu estou feliz por você. – Eu pude perceber a sinceridade em poucas palavras que foram ditas. — Mas, Jimin... – Ele chamou por meu nome, recebendo rapidamente a minha atenção quando por falta de tempo eu apenas respondi seu chamado com um "Hum?", demonstrando que eu estava ouvindo. — Você nem limpa o seu apartamento, quem dirá um banheiro gigante de uma grande escola?
Certo, ele estava muito certo. O que eu estava pensando quando aceitei trabalhar como faxineiro de uma escola gigante?
— O que a falta de dinheiro não faz com a pessoa? A pensão já não paga mais as contas da minha mãe, Taehyung.
Ele abafou uma risada.
— Sabe que eu já me ofereci muitas vezes para pagar suas contas, não é, Minnie?
Eu apenas assenti, esquecendo estar em uma chamada de voz com Taehyung, mas o meu silêncio serviu como resposta.
— Não vai mesmo me deixar te ajudar com isso?
E eu fiquei em silêncio novamente.
— Jimin...
— Taehyung...
Ouvi-o resmungar, desistindo de tentar me convencer. A verdade é que por mais que Taehyung não tenha problemas com dinheiro por ser de uma classe maior que a minha, eu quero dar tudo que eu tenho e um pouco mais até conseguir pagar as inúmeras dívidas que a minha mãe tem. E nunca é tarde - cedo - demais para começar a me empenhar nisso. Vejamos, eu até consegui um emprego em uma escola famosa mesmo sendo jovem ainda.
— Diz não querer a minha ajuda mas, aceita de bom grado o dinheiro que seu pai deposita... - Ele diz, parecendo realmente estar chateado.
— Não é de bom grado, sabe muito bem disso.
— Ainda assim aceita.
Suspirei, afetado pela insistência de Taehyung em querer sempre me ajudar financeiramente.
— Tae, podemos discutir isso depois, por ora, gostaria de sair para comemorar o emprego novo. - Foi a minha hora para deixar de lado, não me sentia confortável e deixava meu melhor amigo irritado.
— Vai deixar que eu pague? - Perguntou, seu tom sempre parecendo incerto. Incerto porque mesmo esperando que eu dissesse "Não", continuava insistindo.
— Adivinha...
E antes que me deixasse continuar, suspirando quase derrotado...
Taehyung deu um fim a essa ligação, desligando na minha cara. Só consegui rir da situação; ele estava irritado.
Sou amigo dessa gracinha faz anos, o conheci em um salão onde minha mãe trabalhou por um longo período até ser mandada embora. Eu acompanhava minha mãe todos os dias em seu trabalho já que me deixar sozinho em casa estava fora de cogitação, como ela mesma diz. E em todos esses dias que eu estava lá, Taehyung me fazia companhia, pois sua mãe gerenciava o local, e por minha causa, o garoto não parou mais de acompanha-lá sempre que possível. Era legal. Taehyung fazia questão de estar lá comigo, brincando e me fazendo rir. Eu o chamava de palhaço, mas de uma forma carinhosa, pois ele sabia fazer alguém sorrir. Não que antes eu fosse uma criança triste, eu apenas não tentava socializar. Me tornei assim pós abandono do meu pai, quando passei a morar com a minha mãe. Desde então, tudo veio à tona. Fazia já 1 ano após a ida do meu pai para outra cidade com sua outra esposa e seus outros filhos. Minha mãe perdeu o emprego, eu perdi contato com meu amigo, perdemos nossa casa e um terço dos nossos direitos. Tudo por falta de dinheiro e uma índice de um novo emprego.
Passamos a morar com minha avó e, sobreviviamos com o dinheiro da pensão - por direito -, mas não era o bastante. Foi quando o amigo que eu havia perdido, reapareceu, nos guiou até a saída dessa crise, foi o ato mais significante que me ocorreu e eu retribuiria trabalhando e queimando ao sol ardente.
Mas não aceitaria mais nada de Taehyung. Já fez muito por mim e minha mãe.
E talvez agora... eu queira conquistar as coisas sozinho apenas com o apoio daqueles que amo. Mesmo que ele, sabendo pelo que estamos passando no momento, queira ajudar, eu não deixarei. E mesmo faltando dinheiro, hoje eu pagarei e ele não poderá reclamar.
— Certo, que crise fodida. – Desmanchei meu corpo totalmente sobre a cama nem um pouco espaçosa mas que ocupava metade do meu quartinho minúsculo.
Não por muito tempo pois, tive de levantar rápido pra ir pedir permissão à minha mãe para que eu pudesse gastar um pouquinho essa noite. O óbvio, ela hesitou um pouco, mas ao saber que se tratava de dinheiro gasto com meu melhor amigo e uma comemoração ao meu dia de glória, ela liberou uma quantia pequena do dinheiro da pensão para que eu pudesse ir me divertir com ele. Por mais que se tratasse de Taehyung e meu primeiro emprego, não tínhamos muito dinheiro pra sair gastando assim em comemoração.
A propósito, sobre não estarmos podendo gastar tanto e eu ter total consciência sobre isso, hoje é diferente, e com certeza, o dia em que minha vida finalmente avança em um grande passo ao sucesso.
Eu não poderia estar mais feliz.
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A New WAY to Park Jimin
FanficTrabalhar em um dos colégios mais disputados não me parecia uma má ideia, de modo algum, mas não me avisaram nadinha sobre o tipo de gente que eu encontraria por lá. "Se tiver opções, não venha para este colégio, se não for esse o caso, iremos brind...
