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Estados Unidos - Califórnia

2013

Quando terminei o ensino médio, prometi pra mim mesmo que nunca mais colocaria os pés numa sala de aula.

A quem eu queria enganar?

Seis meses depois, meu pai decidiu que não queria ter um filho vagabundo. Quatro anos depois, eu estava me formando.

E essa é a minha primeira experiência como... Um fracassado professor de física.

Claro, alguém tinha que sustentar meu vício em nicotina e o meu amor pela minha moto. Aos dezoito anos, eu já estava velho demais para receber tudo de bandeja e o meu coroa suspendeu o meu cartão de crédito. Alegou que as coisas não eram assim no tempo dele e que com a minha idade ele já era guia turístico no inferno.

— Bom, a sua grade de horários está no seu diário e todo o material que você precisar está na sala dos professores. — Edna, a diretora do colégio que acabo de começar a lecionar, diz e coloca uma pasta na minha frente. — Começará com o terceiro ano. É uma das piores turmas nessa matéria, mas... acredito que se dará bem com eles.

— E que horas é o almoço? — pergunto, pegando a pasta e folheando as páginas, fingindo interesse.

— Você tem três aulas e um intervalo. Depois mais duas e uma pausa. Então, tem a última. — Ela arqueia uma sobrancelha branca e cruza os braços, como se estivesse me julgando por definir que comer é mais importante do que os meus queridos alunos.

Tiro os óculos escuros do rosto e a encaro. Dou o meu clássico sorriso torto e removo as minhas pernas de cima da mesa. Acabo deixando um pequeno rastro de areia, que estava grudada nas minhas botas.

Okay, okay... Talvez ela estivesse me julgando pelo meu relaxo e não por eu já pensar em almoçar.

— Ótimo. — Erguendo-me, pisco para ela e dou tapinhas em seu ombro, numa espécie de camaradagem que não temos.

— S-Senhor Capon. — A velha dá uma engasgada e fica com os olhos levemente arregalados, provavelmente surpresa pelos tapas.

— Ah, foi mal. — Dou uma risada e afasto a mão dela. — Tinha esquecido que vocês norte-americanos não são muito receptivos.

Edna abre a boca para falar alguma coisa, mas fecha instantaneamente e pigarreia. Aperta o botão da caneta várias vezes e aponta para fora.

— Você vai se atrasar.

Rio mais uma vez e saio dali, levando comigo a pasta cor de rosa broxante. Caminho pelos corredores e vou notando os diversos eventos que eles têm por aqui. Há um quadro estranho cheio de panfletos e do lado tem uns armários com troféus. O mais estranho deles é um com o maior cuspe a distância. O cara ganhou o terceiro lugar.

Os alunos parecem todos iguais, como cópias dos meus antigos colegas.

— Quanta inutilidade... — murmuro e adentro a primeira sala de aula do dia.

Por ser cedo, sou o primeiro a entrar. Jogo o material em cima da mesa e relaxo na cadeira, logo colocando os pés para cima. Dizem que a primeira impressão é a que fica, então para fingir que sou sério, pego um livro de física e o abro, deixando sobre minhas coxas.

Logo, as pestinhas adolescentes começam a tomar todo o local e a ocupar seus lugares nas cadeiras azuis estranhas. Eu realmente não sei o que estou fazendo, mas agora já não dá pra fugir.

Algumas pessoas falam bom dia enquanto passam do meu lado, outras só me olham torto como se estivessem se perguntando o que alguém como eu está fazendo aqui.

Física QuânticaHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora